Luiz Guilherme Todeschi
O peixe que não seguia o cardume:
peixoto era um dos vários peixes que compunham um dos vários cardumes de um dos vários mares, peixoto, assim como os outro peixes, apenas seguia sem rumo, sem esperança, eles não tinham nem sequer uma imaginação do motivo pela qual eles nadavam, em mais um dos dias em que peixoto e os outros peixes nadavam sem rumo, peixoto viu um brilho, atrás de si mesmo, algo que parecia precioso, mas estava fugindo de peixoto, parecia estar em direção contrária ao cardume, peixoto então decidiu fazer algo, ele pela primeira vez, nadou em direção contrária ao seu próprio cardume, foi rapidamente em busca daquilo que viu, mas não sabia o que era, peixoto entrou em um dúvida, ele podia continuar, sem saber pelo o que procurava, sem saber quando ia achar, ou se sequer iria achar aquilo. Ou, peixoto podia voltar ao cardume, antes de se perder e nunca mais achar seu cardume, peixoto poderia perder aquilo que viu uma vez, e nunca mais achar, mas também podia se perder do cardume, e ficar isolado daquilo que já conhecia, quanto mais peixoto nadava, mais perto ele sentia que estava daquilo, mas mais longe ele sentia que ia estar do cardume, peixoto pensava e pensava, mas nunca chegou a uma conclusão da resposta de seu pensamento.
isso não é sobre peixes, é sobre você, sobre mim e sobre nós
Se a mesma pergunta te aparece em uma segunda vez, e você dá a mesma resposta, não espera consequências diferentes da primeira vez, se renove, se mude, não seja mais o mesmo, seja mais você, e você não é fixo
Sem distinção
Atenção sem distinção
pobre em mansão
rico em favela
negativos do sem terra
teto e vintém
mecanismos
do bem feito
amado e educado
e do cada um no seu todo
compartilhando seu lado
e toda divisão é de antes do futuro
vitória do juntar as forças
que nos torna instrumentos
do reconhecimento
já presente
no brilho da doação
chamando em todo lugar
recebendo mais que a paz
capaz de imaginar
pois amor em ousadia
alivia ombros
enaltece a vida
e fortalece o ser
endireita ideias tortas e turvas
de quem se curva
ao peso do poder
e o brilho brilha
sem distinção
Eu foquei em coisas que não existiam, te deixei de lado te perdi, me perdi e fui exilado, ando sem rumo perdido sem forças para viver, sem sentimentos para poder sorrir, sem motivação para conseguir viver.
Se ser mãe é padecer no paraíso, ser pai é trocar um paraíso limitado por outro tão rico em descobertas que nenhum dos dois conseguiria explorar sozinho.
Não escrevo para massas humanas, mas para cérebros que pensam. Odiaria ter um livro meu na lista de “best-sellers”, pois meus escritos têm dois propósitos viscerais: desafiar meu próprio pensamento crítico e descobrir pérolas entre milhares de ostras estéreis. Um dia uma dessas pérolas raras topa inadvertidamente com um texto meu, e pensa nele como uma fonte escondida entre rochas cobertas de limo. É pra elas que escrevo.
Aditivo
E tu és lutador vitorioso
E a dor não te bloqueia o movimento
E tens do medo insano o livramento
E não te fechas ao maravilhoso
E não te rendes ao que é vicioso
E da justiça és um instrumento
E frente ao incerto e ao duvidoso
Não paralisas o teu pensamento
Nem abres mão da tua a alegria
E a verdade dá perseverança
E da fraternidade é motor
E movimenta toda utopia
E leva a toda bem aventurança
E o seu combustível é o Amor
Às vezes Deus permite que o vaso se quebre, para que o louvor, a oração e a Palavra entrem no coração. E quando Ele nos conserta, nos usa para ajudar o próximo.
Um dia você vai se sentar em uma escada e verá um livro ao seu lado. E acredite: será o livro de Salmos. Você vai se emocionar… e finalmente saberá que está em casa.
Conjugando-nos
Que a nossa amizade
Nunca seja pretérito
E que toda a saudade
Se dissipe com abraços.
Que a nossa verdade
Nunca seja única e absoluta
Que refletir e repensar as ações e as falas
Sejam os nossos verbos prediletos.
Que o verbo amar
Seja conjugado com reciprocidade
E que quando não estivermos mais aqui
Que a nossa poesia permaneça.
Edson Luiz ELO
Outubro de 2016
Outono
Outono
Planos
Folhas
Secas
Flores
Escassas.
Outono
Água
escorre
Pelos
Rios
Rasos.
Outono
Amores
Separações
Solidão
Aflição
e Sono.
Outono...
Soneto de Oitenta e Um
Em Tóquio, ergueu-se o sonho em chamas vivas,
Zico guiando o manto à imensidão,
Com passes, gols, jogadas tão altivas,
Fez do Brasil o dono da emoção.
Leandro, Júnior, Adílio — obra-prima,
Andrade, Nunes, raça sem pudor,
Na terra do sol, brilhou nossa rima,
Calou o Liverpool com seu fervor.
Foi mais que um jogo: foi libertação,
A taça do mundo em nossa mão,
A glória eterna em rubro-negro tom.
E desde então, a história eternizou,
O mundo viu o quanto o Mengo é bom,
Oitenta e um: o ano que não passou.
Edson Luiz ELO
Rio de Janeiro, Dezembro de 1981
O verdadeiro encanto não está no corpo sarado, na rotina regrada ou na estética impecável — está na mente por trás disso tudo. Porque disciplina seduz, foco fascina, e a força de vontade, essa sim, é um afrodisíaco raro.
Não é só sobre levantar peso ou contar macros... é sobre levantar todos os dias com propósito, encarar os próprios limites e, mesmo exausta, continuar. Isso é sexy. Isso é poder.
E quando alguém treina o corpo com tanta entrega, é porque a mente já venceu batalhas que ninguém viu. O tesão começa aí — na admiração silenciosa, no respeito que nasce do esforço, na mente que brilha muito antes do suor.
Corpo atrai. Alma segura. Mas é a mente — essa mente forte, indomável, determinada — que vicia.
Beleza e Conteúdo
Entre livros, teu sorriso se levanta,
Como quem sabe o peso e a luz do mundo.
Lês a dor, mas teu olhar é fecundo,
Flor que nasce onde a história mais sangra.
Tens Anne Frank no peito que encanta,
E lobos livres no espírito profundo.
Não foges do escuro — vais ao fundo
E voltas mais inteira, mais franca.
Teu corpo é verso, mas tua alma é livro,
Página viva escrita com verdade,
Onde fé e coragem fazem abrigo.
E quem te vê, entende com clareza:
Não é só forma, não é só vaidade —
É inteligência vestida de beleza!
São Paulo, 25 de janeiro de 2026
Edson Luiz ELO
Mais uma vez, faço questão de registrar o quanto é impressionante testemunhar alguém que sabe viver — e mais do que isso, que merece viver. Que merece, a cada dia, encontrar a sua melhor versão.
E você encontra.
E sabe o que é ainda mais incrível? Quando chega lá, você não se acomoda: corre atrás, se supera e nos mostra que o céu não é o limite. Você vai além.
Que potência você é.
Meu Hábito Bom
Amei — e foi sem pressa, foi inteiro,
Como quem lê um livro e não quer fim;
Teu verbo aceso, o olhar sempre primeiro,
Fez da razão um belo refém de ti.
Não chamo vício o que me faz crescer,
Pois há encontros que elevam, não consomem;
Habituar-me a ti é aprender
Que há fome boa quando a alma tem nome.
Teu papo é arte, tua mente é estrada,
Ávida luz que instiga e que provoca;
Leitora do mundo, artista da palavra.
Se amar-te é hábito, que seja assim:
Costume raro, escolha bem pensada,
Prazer que educa — e nunca chega ao fim.
São Paulo, 1° de Fevereiro de 2026
Pula a janela
Visualiza
no buraco da agulha
o vestido das linhas
Vê no espelho
a falta vazia
de ausência e solidão
Sente o que contagia
Mergulha
receptivo e aberto
à utopia
e e a razão brilha bela
A carga se esvazia
e a alma, liberta,
pula a janela
