Luiz Guilherme Todeschi
O amor – seja de pais, filhos, amigos ou parceiros de vida – não deve ser reclamado. Muito menos mendigado. Simplesmente se traduz por alegria em cada encontro e em saudade nos intervalos entre dois reencontros.
Estado de graça: “Minha nossa! Nem em sonhos poderia imaginar tanta coisa grande ao alcance de um passo!”
Estado de raiva: “Mas por que, caramba, demorei tanto no pequeno, com toda essa imensidão pedindo para ser vivida?”
Não existe realização maior, ao se olhar em volta, do que sentir que tudo o que nos rodeia é exatamente onde deveríamos estar desde sempre, ao mesmo tempo em que nos dá a dimensão exata do quão pequeno se fazia qualquer outro lugar onde estivéramos antes.
Não ocupe a menor parcela do seu tempo esperando de alguém o que de antemão se sabe que não tem pra dar. A pequenez não oferece variedade de opções para quem a traz dentro de si. O espaço interno é por demais pequeno para conter qualquer outra coisa.
Provocar o debate, mais do que concordar, é o que importa. Por esse caminho é que as grandes transformações acontecem.
A vida não nos rouba a história com o passar dos anos. Apenas substitui componentes do roteiro respeitando a prerrogativa de nos mantermos protagonistas. O sentimento de perda só acontece quando nos recusamos a aceitar o capítulo novo na tentativa inútil de permanecer reprisando episódios de temporadas que já se esgotaram.
Enquanto uma pessoa permanece calada a gente fica na dúvida se lhe falta inteligência ou não. Mas quando ela fala a gente tem certeza!
Basta dar uma passadinha nas redes sociais para constatar que o novo sentido de felicidade que se instalou é aquilo que os psicanalistas chamam de “Síndrome de Poliana”, onde o que importa é fazer o “jogo do contente” num contingente cada vez maior de eremitas modernos – isolados do mundo e impotentes para introduzir qualquer mudança em suas vidas – que sobrevivem publicando “selfies” felizes dos seus desejos frustrados, mas sem qualquer conexão com a realidade que enfrentam.
Ao longo de minha vida tive várias incertezas sobre o que eu queria colocar nela; mas essa dúvida, por focar sempre o depois, nunca aconteceu em relação ao que eu NÃO queria.
Algumas pessoas têm sérios problemas de expressão e interpretação para sustentar um debate de idéias com elegância. Em tais casos o silêncio os favorece com nossa dúvida, mas quando insistem em falar nos presenteiam com a certeza.
Democracia é manter-se odiando os contrários e não apertar o pescoço deles. Apenas esperar que eles próprios se enforquem!
Deixa-se de ser um menino para tornar-se homem quando se faz uso de consciência e humildade para entender e corrigir erros como rito de passagem.
Injustiça é quando nos sabemos competentes para realizar algo grandioso e somos arrancados do posto porque outros não aceitam que o façamos.
Falta de nobreza é quando nos sabemos incompetentes para realizar qualquer coisa, e permanecemos no posto para impedir que alguém capaz possa fazê-lo.
Triste mas verdadeiro: ninguém se torna honesto só por ficar doente, nem respeitável porque passou dos 70. Não há como esquecer que carvalhos podres também morrem, e os canalhas também envelhecem.
Os tiros que me chegam vindos do morro me remetem a questionar o porque de tanta violência. Ainda que não justifique, consigo entender que para o indivíduo condenado à perene pobreza não deve ser fácil aceitar que alguns tenham tudo, e outros tantos precisem passar uma vida inteira para ter pouco mais do que nada. Minha lógica me diz que é bem mais fácil entender miseráveis roubando de ricos do que milionários roubando o pouco que o pobre consegue apenas porque o muito que têm ainda não é o bastante para o tamanho de sua ganância.
Nada no mundo permanece inalterado. Voltar apenas dois dias no tempo já é o bastante para constatar que o que era “amanhã” anteontem, hoje já é ontem. Cuidado, pois, com cada passo dado no caminho, pois a soberba de agora poderá não ser mais que uma lembrança da glória do passado num futuro não muito distante.
Sempre me assusta o excessivo carregar das cores no quadro exibido, independente da imagem que o artista se propõe a retratar.
