Dia Nacional do teatro
No dia treze
de março
do ano de dois
mil e dezoito,
um General
foi preso
injustamente
no meio de
uma reunião
ordeira e pacífica,
E contra ele
tudo ficou tudo
ficou por
isso mesmo:
nunca mais
se ouviu notícia
de libertação.
Um poemário
em reclamação,
Dando conta
de saber do
destino da tropa
e da população
de um continente
a poesia
além escrita,
vem alimentando
uma multidão
e dos ouvidos
virou a canção.
O General deixou
como mensagem
a reconciliação,
E eu poesia
todo o dia
pela consciência
continental
para um povo
nascer de novo
e libertar a mais
frágil filha de Bolívar.
Da tropa e do General
que foi preso inocente
há quase dois anos
no dia treze de março
existe um poemário,
E venho contando
nas entrelinhas dos
meus versos dedicados
sobre os estilhaços
que tantos tiranos
estão a nos deixar,
Não vou parar por aí,
não posso ignorar,
É Pátria Grande
ou Pátria maior ainda.
Não há explicação
golpe é golpe,
O golpe na Bolívia
foi dado e um
informe da sucursal
do inferno que
leva como sigla
três letras a fraude
não conseguiu provar,
Não me canso
por este continente
um só minuto de gritar.
No exílio os líderes
se encontram
e estão convertidos
em milhões
que este golpe
não vão parar
de denunciar
pelo mundo e seus rincões.
É proibido esquecer
deste dia que vi:
cidades destruídas,
casas incendiadas
e corpos baleados
pela direita da Bolívia
que genocidou
o povo que estava
exercendo o direito
de dizer sim à vida.
O jagunço de Bíblia
na mão que jogou
a bandeira no chão
e o líder de nada
foram eles que
começaram a tocar
fogo na população
a mando histórico
e reconhecido mentiroso,
e a alma vulgar fez
o seu governo
de autoproclamação.
Os oficiais superiores
que incentivaram
o golpe foram
para o luxuoso exílio,
e a tropa em transe
em oração e de fuzil
na mão derramando
o sangue índio.
Entre fronteiras
já não há
mais diferença,
e creio que nem
nunca houve:
há quem rasgue charge
e quem rasgue o verbo
contra o negro como
a violência aceita fosse,
para gente assim
em cada verso
envio para
a consciência
de cada um coice.
Há segredos neste
continente que hei
de desvendar porque
prenderam um General
e uma tropa que
não deveriam prender
e soltaram quem não
deveriam jamais soltar,
e tem até um que
solto nem deveria estar.
Os ventos do dia
seguinte que
estão a refrescar,
Não chegam
até o General
porque janela
na cela não há.
Em relação
a justiça não
é diferente:
Ele se encontra
há mais de um
ano e meio
sem audiência
preliminar,
Tendo sido preso
no meio de uma
reunião pacífica.
Repito para que
ninguém mais
venha outra
história inventar,
Ou da imagem
dele se aproveitar
como um famoso
laureado ainda
insiste um falso
positivo plantar.
O General é inocente,
e não adianta
a cantilena
contra ele insistir
em espalhar,
A cada sílaba maldita,
surgirá um
novo poema
para o mal atrapalhar.
A vida do General
que foi preso
injustificadamente
no dia treze de março
em meio a uma
pacífica reunião
há mais de um
ano e meio
requer cuidado,
E até agora mais
nada sobre ele
nos foi noticiado,
E estes versos
ardem pelos abraços
não dados pelas
filhas no pai exausto.
Com as amazônicas
cinzas aqui deixo
o meu lamento
para que nada caia
no esquecimento,
Em mim dói um
continente inteiro
só de saber
o quê foi feito
com as minhas irmãs
que foram vítimas
de exploração
em Trinidad e Tobago.
Não generalizo
a culpa porque
ninguém pode
ser responsável
por aquilo que
não fez e nem
por aquilo que você
entendeu de errado:
Deixo claro que para
cada direito violado
haverá sempre um
lamento para que
o crime não
seja banalizado,
A vida Warao a cada
dia se encontra num
circuito mais delicado.
Preso inocente
há um ano
e meio a uma
prisão sem
ter dia certo
para terminar
e sem ter
tido sequer
a tal audiência
preliminar,
Não é exagero
com ele
se preocupar.
Não dá para
dizer que vai
escrever poesia,
Se na verdade
e na vida você
não a pratica.
O General foi
internado no
Hospitalito de
Fuerte Tiuna,
Um lugar onde
não dá para
saber se
vivo ele está,
Ali a pergunta
dificilmente
recebe a resposta.
Cada poema
neste tempo
estranho tem
sido de minha
exclusiva
responsabilidade,
Todo o dia um
desentendimento
diferente vem
me corroendo
na integralidade:
Porque recobrar
um pouco de
lucidez para
uns parece um
crime de verdade.
O diálogo com
a minoria opositora,
Parece até que
abriu a famosa
'Caixa de Pandora',
Depois de tantas
farpas trocadas
lá para trás;
Tem sido tanto
tumulto que se
esqueceram
de libertar
até os Generais.
Não que eu aceite
o rumo dos fatos,
Embora não tenha
Sei que não tenho
autoridade para
falar porque se
trata de uma
Pátria que nem é
um pouco minha;
Busco só entender
o quê se passa
por crer que
insistir em cultivar
a hostilidade vai
levar uma Nação
inteira na desgraça.
O General foi
arrancado de
uma pacífica
reunião no dia
13 de março,
e se encontra
há quase
dois injustiçado.
É hora de ouvir
o pedido
desde Guárico
por ele
e por tantos
que estão
passando
pelo o quê há
de mais trágico.
Ele vem sendo
torturado
psicologicamente
diante de tanta
indignidade
sendo ofertada
pela justiça
atrasada
e por quem
vem negando
o quê é
do que é humano.
Toda a pena
tem um início,
e um dia acaba,
conte-me
essa história
dos Guevara?
Dr. Mayora
retornou
a missão,
conte-me
da falta de
compreensão?
Ramo Verde
com visitas
suspensas,
como estão
os Comissários?
Em azul e branco
o quê se passa
na Nicarágua?
Depois do Exército
a GNB é a força
que tem mais
militares
prisioneiros,
conte-me...
Rondônia
em chamas,
não se sabe
o destino
da Amazônia,
Viver nesta
América Latina
é morrer
de medo
e de insônia.
Não aprovo
o uso do nome
do General
como escudo
dos receios
e caprichos
pessoais,
Ele está
injustamente
preso;
Se eu tivesse
autoridade
para tal
só autorizaria
mesmo é
o uso poético,
e ponto final.
Muito pouco provável
que algum dia
ele tenha me lido,
O General nem sabe
que eu existo,
A história dele eu
conheço como as
linhas das palmas
das minhas mãos
E cada poema que
está sendo por mim
escrito é de minha
total responsabilidade.
Venho refletindo sobre
a trajetória dele,
E de tantas outras
que precisam
receber a liberdade.
Desejo crer que
serei escutada pelo
Foro de São Paulo
de verdade,
O General sempre
dedicou a vida toda
a Pátria dele
com integral lealdade.
Não me permito
medir forças
porque não as tenho,
E também não faria
nenhum sentido
mesmo se as tivesse,
Todo o diálogo de
última consequência:
sempre condeno,
Porque só a paz
sempre será
melhor caminho.
Porque por pior
que seja um Governo,
O Império não tem
nenhum direito
de condenar a todo
um povo ao bloqueio.
Todo o dia saio
pela sua
consciência,
Sem autorização
dos velhos pais
E de quem
quer que seja;
É porque estou
em busca
do General
que foi preso;
indevidamente
e está
desaparecido,
Só Deus
sabe se ele
continua vivo.
As minhas não
são palavras
inventadas,
elas são
reais e estão
por todos
os jornais;
E agora nada
mais tenho
a fazer,
Só apenas
ficar tentando
entender
que anda tudo
muito estranho:
a Alta Comissariada
veio e nada mudou;
Levaram brutalmente
os velhos pais
do sargento
metropolitano.
Um almirante
que ninguém
sabe onde está,
Falam de generais
de uma nova
conspiração
ainda sem prova:
Apenas falam,
porém nada
me dizem até
que me provem
o contrário(...)
Ainda se fala
sobre o dia
mais sombrio
do Exército,
Todo o dia
tem sido levado
um General
para ser detido
sem explicação.
A História vem
se repetindo,
como vocês
não querem
murmuração?
O General foi
preso porque
deu opinião,
e sobre
o paradeiro
dele não há
nenhuma
explicação,
Há mais
de 50 dias,
E você em
silenciação.
O General foi
arrancado
no dia 13
de março
no meio
de uma
pacífica reunião.
Hoje não teve
desfile militar,
Um dia triste
como este
não há como
não lamentar.
Mesmo assim
poesia não
poderia faltar,
E doa a quem doer,
Não vou parar
de querer
saber como
está o General.
Não vou parar
de perguntar:
para onde é
que levaram
o General?
O grito do teu
silêncio infame
a mim soa
rude e gutural.
Faltando um dia
para completar
cinquenta dias,
Acompanhei
em mil orações
os passos
dos velhos pais
rumo ao quartel
em busca
do filho General
injustamente detido;
Sofro com eles
o silêncio
ensurdecedor
do inferno de cinco
e malditas letras,
para que
tu
não te esqueças: ...
a minha outra
parte também
é cigana e perdoa,
mas também pragueja,
Espero que ele
ainda esteja vivo; ...
da irmã ouvi
o desesperado grito,
O General para mim
continua desaparecido.
Do oficial
que serviu
lado a lado
todo o dia
o Cmte.Supremo,
se tem notícia
que ele está
torturado
no Inferno
de cinco letras,
O deputado
segue isolado
do mundo,
E para
as amadas
até agora
nenhuma
mão estendida.
Este mundo
tem se nutrido
de valores
invertidos,
Dizem que
tem guerrilheiro
se convertendo
em justiceiro
das fronteiras;
Não se pode
ter um
olhar ingênuo
sobre isso,
É preciso proteger
melhor o povo,
No cair profundo
da penumbra,
Transferiram
o General mais
idoso para
Fuerte Tiuna.
Do General preso
injustamente
que tanto insisto
em pedir
a liberdade,
É por essa e
tantas outras
percebo que há
muitos malfeitos
a serem corrigidos,
Não dá para engolir
silenciosamente
tanto radicalismo.
Somos latino-americanos,
e devemos estar acima disso
tudo para que este pesadelo
nunca mais se repita!
Canção de todo
o dia primeiro,
de todo o mundo
que trabalha
e até do velho
tupamaro
que cansado
de tudo
pediu que se
desviassem
do que está
na frente;
Pois a vida
não está
nada contente.
Nunca é tarde
para entender
que é preciso
respeitar
o protesto social,
proteger a vida,
e não fazer
o uso da força;
Não efetuar
prisões arbitrárias
é necessário
da mesma forma
que controlar
o verbo maldito,
não acelerar
as tanquetas,
nos libertar,
rogar pela
libertação dos
presos políticos
e pedir para
devolver o mar.
Canção feita
para lembrar
da tropa
e do General
que o destino
não libertou,
e da saída
soberana
pelo Pacífico,
O seu coração
deve bater
por isso
e não deixar
o nosso
continente
se entregar.
Ontem 119
foram os detidos,
dentre eles 11
adolescentes
estão incluídos,
e eu nem mais
sei o quê dizer
a não ser pedir
que não permitam
que esse pesadelo
nunca mais
venha se repetir.
No final deste
dia primeiro,
Relembro que
não recuperei
O mar, a tropa
e o General,
E assim sigo
sem ter como
me conformar,
Não consigo
calada portar
este gutural
e triste lamento.
Prosseguindo
mesmo sob
o tormento
de espessa
presença,
Que segue
sentenciando
esta tristeza
e penumbra,
Estou resoluta
que não é
tempo de calar.
Para enfrentar
o quê a falta
de compreensão
e de cooperação
não consigam
piorar o quê já
está péssimo,
E para que elas
não te alcancem:
Procure se manter
em equilíbrio
para superar
os obstáculos
com ânimo,
e obter o êxito.
Neste dia mirandino,
me ajude a entender
o quê se passa,
Só não misture
os fatos para não
tornar a vida ainda
mais confusa,
Porque já está
enorme a desgraça.
Seja como Teresa
que num verso
ensinou que tudo
passa e que só
Deus não muda;
Para não prejudicar
quem realmente
precisa de ajuda.
Porque mesmo
depois de tudo
e dessa tal
medida-cautelar
sobre General
e a tropa
ninguém sabe
mais nada,
Não vejo a hora
de raiar a liberdade.
Um ano e um dia,
a luz vem sendo
restabelecida
assim como
a água,
a vida do povo
foi sabotada,
Ainda não
cessou a agonia,
por não ter
nenhuma notícia.
Há um povo que
não se entende:
conspirações,
agressões
e desaparecimentos,
não consigo
culpar o Governo
o tempo todo;
embora eu reconheça
que a emoção
me deixa fervente;
ademais cabe
as pessoas
aprenderem
a se controlar,
e os desafios superar.
Não sei como
se encontra
o General,
só sei que
a última
imagem era
de um homem
visivelmente
adoecido,
pois pela
grave injustiça
ele foi ferido
há um ano
e um dia
vítima de intriga,
não sei como
ele tem estado,
e nem sei
quem é o seu
novo advogado.
Nem um só
instante
nós dois não
esquecemos,
e não há um
dia em que
não paramos
de pensar
nos presos de
consciência,
e todos os dias
rogamos à Deus
que lhes dê
a resiliência
para o peso
que eles e
os deles têm
de suportar.
Falta tudo
e o pouco:
o perdão
e a reconciliação
para espantar
a escuridão
do coração.
Falta o quê
essencial
aos olhos,
ao peito
e tudo
aquilo
que está
impedindo
de trazer
a vida
de volta
para o
seu lugar
para
reconstruir
a Nação
de Bolívar.
