Representatividade
É importante a gente desmistificar quem é este sujeito que escreve. Geralmente, o que é mostrado para nós é escrito por homens brancos, ricos ou europeus, como se nós não produzíssemos saber também, como se não tivéssemos escrevendo a História. Poder mostrar isso para as pessoas é fundamental. Escritores de diferentes lugares, as pessoas que vêm da periferia também são sujeitos pensantes, que produzem, sujeitos que escrevem. Isso gera uma identificação em pessoas que nunca foram vistas como produtoras. Há uma identificação com o que está sendo escrito e com o que se escreve. O leitor consegue se ver nestas pessoas.
O PT não é o partido que representa os negros, as mulheres, os homossexuais, o trabalhador, o pobre, o Brasil.... Não!
O PT é o partido que representa o próprio PT. Que representa o Lulla, a Dilma e os petistas de carteirinha, nada mais.
Há milhares de negros, mulheres, homossexuais, trabalhadores pobres brasileiros que reconhecem e não compactuam com a ideologia de vitimização da esquerda.
Não é preciso uma pessoa negra pra representar os negros, nem uma mulher para representar as mulheres, nem um homossexual para representar os homossexuais... *Diga-me qual é o pobre que representa o pobre ou o trabalhador que representa o trabalhador na política atual???
O que precisa é gente que saiba representar, agregando e não segregando. Gente que representa trabalhando e não roubando. Gente que não enriqueça ilicitamente enquanto defende de forma hipócrita os trabalhadores honestos e pobres; culpando o capitalismo do qual usufruem (e muito) pela pobreza da nação, numa política de generalização que cria muros e não pontes.
Conscientização liberta, vitimização escraviza.
O Esporte, em todas as épocas e esferas, sempre cumpriu também uma função política, e quando ele deixa de cumprir essa função ou é impedido de cumprir tal função política, ele se torna infrutífero, não tendo mais significado algum, senão o da bola, que apesar da sua característica cheia, é composta apenas de ar.
Viver a nossa vida intensamente, ser nossa verdade, nos amarmos em primeiro lugar e ter nossa própria história pra contar, não significa que as pessoas que amamos não fazem parte disso, mas antes de um dia sermos “NÓS” com alguém, somos nosso próprio elo, nossa própria direção.
Quero lhes contar uma passagem que me marcou profundamente. Eu vi uma campanha contra a AIDS e me deparei com uma imagem que me feriu demais. Na imagem, um escorpião, representando um homem soropositivo, estava deitado com uma mulher saudável. Fiquei chocado ao ver o vírus sendo representado por um inseto peçonhento e até letal. Eu luto contra muitas coisas todos os dias e, infelizmente, também tenho que lidar com o preconceito e a falta de compreensão da sociedade em relação à minha condição. Mas ser comparado a um escorpião me deixou arrasado. Eu não sou um bicho venenoso, sou um ser humano que enfrenta desafios diários como todos. Eu sou um ser humano, cheio de sonhos, de sorrisos e de amor. Eu acredito em um mundo melhor, onde as pessoas possam ser respeitadas e aceitas, independentemente de sua condição física ou social. Eu luto por essa causa todos os dias, mas às vezes, a dor e o sofrimento parecem ser maiores do que a esperança. Essa imagem apenas reforçou a estigmatização e a discriminação que sofremos como soropositivos.
Mesmo assim, eu nunca desisti, pois sei que cada pequeno passo em direção a um mundo mais justo vale a pena.
Sou muito grata por você ter me colocado nesse filme, porque eu nunca vi uma mulher parecida comigo em uma tela de cinema.
MÃES QUE ME FORMARAM
Eu venho de um mundo diferente.
Um mundo em que o que eu mais tive, desde muito novo, foi mãe.
Mãe não só no sentido do sangue — mas no sentido do cuidado, da bronca, da atenção.
Apanhei na escola, da diretora, da madrinha, da vizinha.
Na minha época, a gente apanhava tanto que o que mais tinha era mãe.
Era porrada misturada com afeto — ou, pelo menos, com o que entendiam por amor naquele tempo.
Minha mãe de sangue sempre viveu no Sudeste, no Rio de Janeiro.
E eu cresci no Sítio Novo, em Olinda.
Dois mundos separados por quilômetros e por silêncios.
Fui conhecê-la de verdade já quase aos 15 anos.
E mesmo assim, foi uma passagem rápida —
a vida logo nos colocou em direções diferentes.
Saí de casa muito cedo, com os trapos na sacola, e fui girar o mundo.
Nesse giro, encontrei muitas mães:
as que me deram teto, comida, um conselho, uma bronca, um colo, um olhar.
Algumas já nem lembro o nome.
Mas levo um pedaço de cada uma dentro de mim.
Essas mulheres me ensinaram a me virar, a respeitar o outro,
a ser homem sem ferir ninguém.
Foram todas mães à sua maneira —
e todas ajudaram a compor quem eu sou hoje.
Por isso, nesse Dia das Mães, minha homenagem vai pra todas elas:
as que me pariram e as que me pariram de outras formas.
Meu muito obrigado por terem me acolhido no mundo quando o mundo parecia não ter lugar pra mim.
Fernando Kabral
Olinda, 11 de maio de 2025. 13h32
Não aprendi a apreciar apenas sol, assim como também não sei lidar com a chuva por completo. Mas, definitivamente não posso evitar ser arco-íris.
"Sou branco e fiquei triste e incomodado por não ver nenhum atleta branco na seleção de Senegal, de Gana e de Camarões na Copa do Mundo!"
— Que bom que você se doeu, se incomodou e ficou triste por não ver um atleta ou jogador branco nas seleções senegalesa, ganense e camaronesa! Isso é ótimo! É sinal de que você reconhece a importância da representatividade e que você sentiu minimamente o que o povo negro sofre diariamente por não se ver representado nos espaços onde deveria!
Eu sou preta e vou representar todo mundo. Preto, branco, pardo, todas as cores, verde, azul e amarelo. No esporte não tem que ter isso, você tem que representar todo mundo. As pessoas se espelham em você, querem ser parecidas com você.
