Andre guide

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A História já nos ensinou que o mundo não ficou mais bonzinho após revoluções sangrentas, guerras mundiais, crises econômicas ou pandemias.
Ele muda, mas nem tanto.
Gwynplaine continuará com o seu sorriso forjado enquanto carrega um profundo sofrimento na alma;
Erik ainda vagando pelos corredores gélidos dos calabouços da ópera;
O Coringa, cada vez mais louco, enfrentará o homem-morcego pelas ruas de Gotham City;
E a melancólica Eleanor Rigby, solitária e invisível, recolherá ainda muitos grãos de arroz na escadaria da igreja.

Inserida por andrercostaoliveira

O vapor Benjamim Guimarães, que durante décadas transportou os sonhos e as esperanças de milhares de sertanejos, jaz ali no município de Pirapora, às margens do Velho Chico, sob a indiferença de passantes que jamais imaginaram o quanto ele forjou suas próprias histórias.
Mas não há de demorar o dia em que o São Francisco o reclamará às suas profundezas mais escuras, no seu único e derradeiro naufrágio.
Porque aquelas águas já incorporaram a estrutura centenária.
E porque o “Benjamim” não mais pertence aos homens.
“Benjamim” pertence ao rio.

Inserida por andrercostaoliveira

É contraditório que a tecnologia criada para que as nossas vidas fiquem mais confortáveis hoje esteja escravizando, especialmente, as gerações mais novas, tornando-as deprimidas e infelizes.
Quando nós pedimos a algum adolescente que desligue ou que guarde o seu celular é o mesmo que lhe solicitar que, voluntariamente, ampute uma perna.
Não sejamos ingênuos: se não controlamos o equipamento, obviamente também não controlamos o conteúdo que nossos filhos acessam.
A responsabilidade de educar nossos filhos é essencialmente nossa, e não dos celulares, da internet ou da programação televisiva.

Inserida por andrercostaoliveira

Em todas as vezes que alguém puxa para baixo a tela de seu smartphone a fim de atualizar o feed de notícias de uma determinada mídia social, (função chamada pull-to-refresh), na verdade, está apenas repetindo o mesmíssimo movimento de uma alavanca de caça- níqueis de cassino. Esse movimento tende a explorar a idêntica suscetibilidade psicológica que leva à compulsão pelo jogo e pela busca de uma recompensa. E o vício gera uma reação em cadeia, infinita, e que deve ser quebrada.

Inserida por andrercostaoliveira

O debate sobre o conceito de “Apropriação Cultural” é, de longe, um dos maiores absurdos dos últimos tempos. Beira o estapafúrdio e reflete a gigantesca miopia de pessoas que julgam poder aprisionar culturas em garrafas.

Inserida por andrercostaoliveira

Ao mesmo tempo em que criamos algo novo nós também estamos recriando algo que não é tão novo.
O processo criativo não se inicia do vazio absoluto.
Ele é fruto incontestável dos sentidos outrora experimentados.
Dos sabores, dos odores, das imagens, do toque e da audição que se processam em uma caldeirada deliciosamente temperada de ideias e de pensamentos.
E assim o mundo gira, e assim evoluímos.

Inserida por andrercostaoliveira

Quando influenciamos alguém profundamente, a natureza desse alguém se transfigura em atriz coadjuvante de suas próprias emoções, de seus amores e de seus pecados.
E o mais interessante é que aquele que vem sendo “abduzido”, acha bom que assim o seja.
Porque lhe parece mais confortável que a sua vida seja baseada no empréstimo ofertado por alguma entidade que por ele pense e que lhe escreva a biografia.
Talvez, bem lá no fundo, isso tudo seja medo.
Não do que lhe seja ainda desnudado, tal qual a morte certa.
Mas daquilo que terá que enxergar por conta própria, no momento certo.

Inserida por andrercostaoliveira

DISSE-ME O CAPITÃO DO BARCO

Disse-me o capitão do barco Que eu navegasse
Sem a afoiteza dos que amam Mais do que
Intensamente.

Disse-me o capitão do barco
Que na direção ajuizada
Eu chego ao Mediterrâneo que tem ondas Que não batem tão
Intensamente.

Disse-me o capitão do barco
Que no mar do Japão
Não existe a salinidade exacerbada
Tal qual a desilusão que, indigesta, queima tão Intensamente.

Disse-me o capitão do barco
Que na escuridão do oceano
O farol se torna invisível
Aos que teimam em amar sozinhos e Intensamente

Disse-me o capitão do barco
Que a perda do amor eterno
Eterniza igualmente flutuada melancolia
Do marinheiro que embriagado há de afogar-se
Intensamente

Inserida por andrercostaoliveira

VOCÊ É MÚSICA

Nos dias em que você acorda rock você é contestadora e demolidora de muralhas altas, que até então julgavam-se intransponíveis.
Você é caveira, que iguala, no final da vida, a todos os seres humanos do planeta.

Nos dias em que você acorda Jazz você é puro improviso, a elegância de fraseados únicos, e que jamais serão tocados da mesma maneira - já que você própria é única e inimitável.
Você cozinha Miles Davis com Chet Baker, e tempera tudo com as vozes da Sarah, da Ella e da Billie, e assim finalizando fabuloso prato.

Nos dias em que você acorda Blues você sente a melancolia em estado bruto, entremeada pelos seus cabelos, quase que etílica e desafiadora; você vira ácido rascante e dissolvente dos sentidos de qualquer incauto.

Nos dias em que você acorda Clássica você exala a erudição dos que ousaram inventar a música tal como a conhecemos hoje, não me permitindo com certeza discernir se você é complexa ao extremo ou contraditoriamente simples.
Você vira a mais harmônica sonata.

Nos dias em que você acorda Hip hop você traz dos guetos e dos morros de favelas suburbanos a voz revoltada daquele que não chegou jamais a ter alguma voz até agora; você grita em desespero pela igualdade e pela equidade absolutas.

Nos dias em que você acorda Eletrônica você eleva a sua agitação a um determinado nível de insanidade - e até de êxtase - peculiar aos que desejam segurar cada segundo a mais do tempo; e, de vez em quando, eu sinceramente não lhe aguento. Energia quântica em demasia.

Nos dias em que você acorda Barroca você vive a dualidade entre o divino e o mundano. Espírito e carne.
Você vive a mais pudica e a mais (deliciosa) depravada ao mesmo tempo. Você está na missa e no Beco do Mota simultaneamente, lá “pras” bandas de Diamantina.

Nos dias em que você acorda Caipira você se esbalda nos acordeons e nas violas aquecidas na fogueira e no arrasta-pé levantando poeira, que estende as madrugadas da fazenda, tomando cachaça de alambique.
Canta a alegria e a singeleza do homem do campo, tanto quanto a nostalgia e a saudade sertanejas dos que migram às cidades grandes.

Nos dias em que você acorda Disco você brinda à vida mergulhada em um mar de espumante, com a dança mais frenética e passos ensaiados ao longo de toda a sua existência.
Você sempre é a última, descalça e transpirante, a ir embora dos bailes de casamento e de formatura.

Nos dias em que você acorda Samba você se transforma em cerveja bem gelada, feijoada e bate-papo alegre nas manhãs de sábado naquele mercado antigo, quando a mesa de seu bar é templo: um oráculo indestrutível no qual as principais questões da humanidade são minuciosamente dissecadas e solucionadas com inconfundível (e não menos incontestável) sabedoria dos que vivem de verdade a vida.

...


Você faz com que os meus cinco sentidos sejam todos condensados em ondas sonoras, que me trazem o frescor de suas melodias, a limpidez de suas harmonias e a pujança de seus ritmos intensos e intermináveis.

Eu diria que você é música.

Inserida por andrercostaoliveira

O QUE FAÇO COM ESSA MENINA?


O que faço com essa menina que se acha feia?
O que faço com essa menina que, timidamente, diz aos quatro ventos que se encontra acima de seu peso?
O que faço com essa menina que disfarça o próprio corpo vestindo camisas largas e calças folgadas?
O que faço com essa menina que esconde o rosto porque acha que está demasiado flácido?

Devo eu dizer a ela que o seu sorriso é a maior das alegrias dessa minha vida?
Devo eu dizer a ela que apenas a sua sutil lembrança me aflige em desejo incontrolável?
Devo eu dizer a ela que a sua perspicácia transforma o planeta em um lugar mais habitável, mais inteligente e mais esperançoso?
Devo eu dizer a ela que o seu humor não apenas contagia a todos, mas vicia e entorpece o mais reticente dos humanos?

Como devo convencê-la de que é perfeita?
Como devo convencê-la de que é a cada dia mais apaixonante?
Como devo convencê-la de que hei de amar intensamente cada gesto e cada uma das palavras suas até o final dos tempos?
Como devo convencê-la de que morreria pleno e confiante ao seu lado?

Será mesmo que essa moça notará que jamais foi escrava de modismos de consumo e de estética?
Será mesmo que essa moça notará que ela é una e que intimida aqueles que se auto- denominam como audazes Casanovas?
Será mesmo que essa moça notará que tem o dom de arrebatar aquilo que deseja a todo tempo e a todo modo?
Será mesmo que essa moça notará que eu renegaria tudo para repousar silente e em calmaria, por entre as suas pernas?

Abra os olhos.
Eu lhe aguardo ansioso.

Inserida por andrercostaoliveira

QUANDO BUSCO AS CRIANÇAS NA ESCOLA

Quando busco as crianças na escola A curiosidade me consome por inteiro Porque lá existe um universo
De pessoas e de diferenças Aviltantes
Observo ao chegar mais cedo Tantas e tantas mulheres
Com as infinitas faces
E os seus arroubos tão distintos.

Noto a mãe mais devotada
Cuja principal beleza é indisfarçável Por entre as roupas informais
E os cabelos presos
E que levam as imaginações ao infinito.

Há também aquela executiva
Sempre muito bem vestida
E que se adorna de frieza altiva
Disfarçando que é só menina desejosa de amor sincero E de alguém que lhe proteja.

Vejo as mulheres participativas
Criadoras de debates e polêmicas
Organizando o teatrinho do colégio
Para que olvidem rotinas melancólicas
Amargadas como fel daquilo que em tese deveria ser um lar em harmonia.

Não existe como não notar
A genitora que ao mesmo tempo em que recebe os filhotes e os beija com saudades e sorrisos (quase que em desespero)
Vive um dia-a-dia atropelado entre compromissos e maternidade
Já que tem um ex-marido cafajeste e descomprometido.

Sinto o perfume enjoativo
Da mulher que busca o filho
Com indiferença e mau-humor contagiosos Vez que não queria estar ali buscando o filho E ainda muito menos ter o tal do filho.

Eu também desvendo mães que foram já colegas minhas Na infância ou na adolescência
Algumas até me reconhecem
Outras reconhecem, mas me ignoram
E assim me questiono como se daria Se tivéssemos ficado juntos
Construindo vidas em uníssono.

E divirto-me, no fim de tudo
Com alguns homens estúpidos
Que puxam as conversas mais estúpidas
A fim de seduzirem as mulheres - nada estúpidas - que estão ali na escola (Esses, com certeza, necessitam é de muito mais maturidade)

Porque desconhecem o lirismo da conversa casual
E que inflama os nossos corações e almas Demonstrando que a vida nos reserva várias surpresas
E, quiçá, famílias novinhas em folha
Esculpidas
E escritas
Entalhadas
Costuradas
Na escola das crianças.

Inserida por andrercostaoliveira

NAMORO À DISTÂNCIA


Na quinta feira eu a busco na rodoviária
E a gente vai para casa
E não se acanha nem mesmo no elevador do prédio
E espalha as roupas e sapatos e mochilas pelo chão do apartamento E ali ficamos, em silêncio de pequena morte.

Já na sexta feira levantamos tarde Só que acordamos cedo Despertados pelo maior dos desejos Quando assim começa o dia
Entre gozos e gemidos
E com a cama antiga rangendo desesperada Cada vez mais alto.

Sábado é dia de receber amigos sempre tão queridos E eu fico orgulhoso de mãos dadas
Quase que me exibindo aos convidados
Com a minha namorada tão maravilhosa
E que veio para estar no feriado
Ao meu lado
Fazendo o nosso almoço italiano
E encantando com o seu sorriso
A todos os ali presentes.

Domingo bem cedo andamos de bicicleta lá no parque da cidade Visitamos os meus pais idosos
Almoçamos uma barca de comida japonesa
Mas alguma coisa
(Eu já sinto)
Está severamente errada.
O dia transcorre
O meu enfado já está patente
A minha irritação fica notória

O mau-humor impera
E a minha namorada inaugura o pranto mais discreto
Disfarçado e silencioso
Sem saber o que de fato
Está conosco acontecendo.

Não se culpe, namorada
Porque a distância é que não permite
Que entremos
Com recíproca e com entrega
Na estranha liturgia de nossas rotinas
A centenas de quilômetros distantes

E assim eu sinto que sou invadido
Alcunhando-lhe covardemente como Invasiva
Estrangeira
Forasteira

E você, por consequência
Sente medo e insegurança
Acionando a perigosa chave de ciúmes
Com as reações de defensiva clássicas.

E é quando, então, a gente briga de verdade
E a gente chora junto
E eu deixo você na rodoviária no início da noite Em silêncio de sepulcro

E dessa maneira o feriado acaba.

Eu preciso ter você mais perto
Eu preciso ter você no dia-a-dia
Eu preciso viajar mais vezes
Eu preciso que retorne muitas outras vezes
E que nos comprometamos com o fato de que somos a prioridade um do outro.
Eu preciso lhe pedir desculpas
E dizer mil vezes o quanto eu a cada dia mais
Te amo.

E dizer também que a sua mera existência dá sentido à minha vida.

Inserida por andrercostaoliveira

Minha mãe é a verdadeira raiz que sustenta minha árvore, ela é parte do meu existir que esta sempre ali, me amando incondicionalmente...

Inserida por Andrejoao77

Minha mãe é o meu verdadeiro guardião. A luz que me acompanha mesmo quando tudo esta bem claro...

Inserida por Andrejoao77

O bem que fazes hoje, é o mesmo bem que te faz muito bem..

Inserida por Andrejoao77

Agentes do Bem
ser agentes do bem não basta fazer bem, é acordar todos os dias e pensar no próximo. é transportar uma alma carregada de amor, paz, afecto, respeito, simplicidade, humildade, honestidade. E acima de tudo ser o mensageiro da esperança transbordando em si o sentimento de enquanto houver vida, amanha é uma certeza...

Inserida por Andrejoao77

Fazer bem ao próximo não é minha actitude, é meu sangue...

Inserida por Andrejoao77

⁠As vezes é preciso ser tão forte que nem mesmo a morte vence seu bem.

Inserida por 1andreluz

Os sorrisos tristes são os mais sinceros. 

Inserida por MarcioAndreSilvaGarc

⁠...
Quando me predisponho a sentar, escrever e decifrar a vida com doses de eloquência e pragmatismo, faço associações e remissões para um raciocínio coerente e fechado. Invariavelmente, meus pensamentos estão associados ao propósito e remetidos aos vínculos estabelecidos entre o nascer e morrer.

Propósito para termos um futuro que impulsione nosso presente, e vínculos porque não construímos destinos com carreira solo. Temos os que torcem incondicionalmente, os que aplaudem, os que invejam, os que são indiferentes, e aqueles que fazem acontecer junto. Todas essas interações na busca por um sentido, tornam-se vínculos.

É muito surreal achar que um propósito almejado e plantado ao longo de uma jornada linda e exaustiva, bem como os vínculos impagáveis que construímos ao longo deste percurso, aconteçam sem explicações ou justificativas. É muito raso acreditar que tudo faz parte de uma cadeia fria e evolutiva, com legados inteiros virando pó sem uma perpetuidade espiritual. Não se trata de apego, mas de sanidade. 

Prefiro acreditar em um fio invisível que estabeleça conexões após nossa desmaterialização, que nos conecte aos nossos antepassados e tudo aquilo que absorvemos de aprendizado para uma encarnação mundana. Prefiro desacreditar que depois de tanta luta e troca, tenhamos que nos preparar para uma finitude, um desfecho vazio para os que partem e cruel para os que ficam.

A vida nos ensina o poder dos significados, e por isso buscamos um sentido para tudo. Eu imagino uma morte travestida de renascimento, um legado ativo das pessoas que tive a sorte de conviver, e uma consciência imortalizada para uma evolução espiritual. Se meus pensamentos são fruto de um delírio pessoal, porque existimos e aprendemos a amar tanto a vida quanto o próximo? 

Inserida por andre_villasboas