Ferreira de castro
Epitáfio
Nem sempre tudo são flores.
É preciso espernear,
se infiltrar nos amores,
conhecer, devanear...
Ouvir quem conta uma história,
seja triste ou indecente.
Ou até um poema insano
desse poeta insolente.
Visitar a Pedra Grande,
despir quem me incendeia.
Balbuciar nos ouvidos:
- Você é linda, Serra Feia!
A indecência chega a ser boa
na medida do prazer.
O epitáfio dos loucos?
Poetar, sonhar, viver.
Autor: Renan Castro
Poema que faz parte do livro Guapó, Nossa Gente, Volume 2, de Claudenilson Fernandes.
O sonho
Dormi e sonhei
que beijava-lhe
o corpo inteiro
fazendo-a perder-se
em devaneios.
Acordei despindo-me...
Nossa incapacidade
não põe fé no tamanho
do fruto que a semente
pode dar...
Se tem um sonho, vá fundo!
O vento, que golpeia meu rosto,
Enxuga as lágrimas que derrubo por causa de ti.
E leva, em seus movimentos,
A angústia que habita em meu peito
Não sei até quando ele estará a me proteger
Mas sei, aqui dentro de mim,
Que o vento que ora sopra em meu rosto
É o meu refrigério nesse momento de solidão
Às vezes preciso de um grito
Grito de quando a palavra amor
não explica
Que cante a música que nunca foi tocada
Que desenhe todo o meu eu apaixonado
Ah, como dói querer falar o que ainda
não tem palavras!
Não existe o ontem, nem o amanhã. Aquele não é mais, este ainda não é. Tudo que está em nossas mãos é o presente, o agora.
