Luis da camões
Somos o tempo. Somos a famosa
parábola de Heráclito, o obscuro.
Somos a água, não o diamante duro,
a que se perde, não a que repousa.
Somos o rio e somos aquele grego
que se olha no rio. Seu semblante
incerto se espelha na água mutante,
no cristal que espelha o fogo tropego.
Somos o vão rio predestinado,
rumo ao mar. Pelas sombras cercado.
Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa.
A memória nos imprime sua moeda.
E no entanto há algo que se queda
e no entanto há algo que se queixa.
A deriva...
O dia foi-se em chamas
Gordurosas...
Extintas a gás carbônico.
Entre sem relutar ó noite branca
Embalada pelos ponteiros lacônicos...
Implacáveis...
Devastadores.
A espuma no copo e nos lábios é
Mar recomeçando em mim.
A deriva...
Não valho nada.
Sou pobre,
Descrente, imperfeito, imundo.
Não vivo... Vago...
Vagabundo.
E tenho o agravante oceânico,
Incorrigível...
De crer em versos
Dominando o mundo.
Se o poema fosse barco
A caneta seria o remo
A folha seria o mar
E a poesia...
Seria com é
Pois o poeta
Cria o cenário
Metafórico,
Imaginário
Como quiser.
Nem me (a)trevo,
Neste entrevero
De trevo a trevo,
Decisões,
Esquinas
Descidas
Atrevidas
E ao fim
Há (a) vida.
Imaginação
Estrela sem constelação
Brilho dando norte
Luz marcante de neon
Pendurada sem suporte.
Muito além do humano alcance
Mitológica inspiração divina
Feito páginas de romance
Ou frescor jovial de menina.
Luz que não é lua
Com nada se parece
No céu da alma flutua
Com a força de uma prece.
Destemida enfrenta tudo
Deixa rastros de decorações
Trás gritos de voz dos mudos
Fértil ao extremo é nossa imaginação
A perfeição pode estar no sorriso,
na mudança que sofremos
na mesmice de não mudar.
Pode estar no risco vazio de giz na calçada,
no grito ecoando no nada,
no vazio da alma não lavada.
levada pela estrada vazia,
da ânsia ou da agonia.
Perfeição nunca será encontrada
Pois é sinônimo de utopia.
Caneta
Deixas no papel estampas do meu pensamento,
Acaba-se dignamente em matemática e versos.
Tens alma viva em sentenças proferidas e registradas.
Na força extrema ainda dá fé,
E ao morrer num poema,
A tinta trêmula busca a reticência...
Esforço final pra dizer que
O show sempre vai ter sequência.
Por onde entram os sonhos depois que fechamos a porta?
Eles são vivos? As intempéries não os atacam?
Onde vai parar o sereno quando não encontra as pétalas?
Os pensamentos esquecidos onde encontram abrigo?
Onde é o deserto dos amores perdidos?
E de nós mesmos, onde ficamos escondidos?
A luz quando é apagada num toque leve e preciso, morre desligada ou volta a ascender com mais juízo?
Seja uma pessoa boa e feliz, mas não demonstre seus sentimentos a qualquer um, guarde-os para quem você realmente se importa.
