Juan ramons jimenez
Eu pus tudo a perder.
Errei em te magoar.
Chorei pra tentar te esquecer
Mas não vou deixar de te amar!
Quem se mostra aflito quando devia estar calmo, ou se mostra calmo quando devia estar aflito, destrói a delicada teia da sua própria felicidade.
A vida é como um casamento instável; Está repleta de algazarras, desordem, perturbação, melancolia, tristezas, dores, máguas, dolência, lástimas, ressentimentos, atribulações e descontentamentos. Mas existe a perspectiva de que , as alegrias, a julibilidade, os prazeres, e as clemências, apaziguem e destituam muitos dos problemas já exisentes.
A carência me incita todas as dores! Essas afligem o meu corpo e como dói... Já me encontro farto, farto de que tudo nunca se esclareça, farto de amar com prudência, farto de nunca compreender se é amor ou carência.
Não são todos os dias que me recordo de você, mas quando lembro, levanta-se em mim um misto de sentimentos. As pessoas nunca entenderiam o peso das artes simples! A verdade é que a tua cruz desenhada em meu corpo perdura até hoje, e permanecerá tão-somente no meu último suspiro de vida, mesmo que ainda, fisicamente, não tens a mim morto.
Alguns presenciaram a tua pequena arte, mas tão fútil se faz para eles, pois o corpo que fora marcado, pertence a mim. Nunca haverá amor tão lindo. Fissurados por essa leitura poderão até imaginar que escrevi para tal, mas você, a quem escrevo com amor, nunca saberá sobre a dor que expresso nestas palavras.
Será que um dia minha semente germinará? Tentar entender, é complicado demais. Será que ela não brotará? É isso que penso quando questiono se sou assim por insegurança. Será que um dia encontrarei água? Indago, assim, por esperança, acreditando que a água talvez seja o único elemento que me fará florescer... Mas até quando esperarei em seca?
GESTAÇÃO
Um dia, a única perspectiva de vida que tive era de viver para sempre envelopado numa bolsa aquosa como um peixe preso em meio ao oceano. Questionava-me constantemente o que haveria de acontecer quando chegasse o dia da partida, se haveria de existir um proceder depois dali e incansavelmente nunca obtive respostas. Nove meses se passaram e o meu espaço nunca havia sido tão reduzido, o ruído externo parecia estar cada vez mais forte, a morte suspirava-me o sangue. Conforme o tempo passava, a certeza da incerteza era cada vez mais latente e, no agir da não esperança, uma luz fina começou a invadir minha escuridão. Não sabia o que estava acontecendo, nem muito menos aonde iria chegar, mas de repente a firmeza de algo dividido em cinco partes me tirou do aperto em que eu estava e, enquanto a luz adentrava a escuridão, minha mãe dava-me a luz deitada sob a maca. Naquele dia, eu descobri que após minha aparente morte existia vida e hoje vivo sabendo que partindo hei de viver numa luz de parto, pois certamente nunca há espera quando existe vida.
AMOR
Olhando para o céu chuvoso, posso sentir teu distante perfume impregnar meu corpo. Quando as estrelas me apontavam, você caiu como meteoro, sabendo me entender em pleno silêncio. Sobre aquele mar verde que refletia os teus olhos, o amor renasceu de uma flor, no improvável lugar distante. Completamos o lindo quebra-cabeça, onde juntos a imagem se torna melhor, e separados seremos sempre peças ligantes.
