Jean la bruyère
E o amor se aninha no peito como embrião e pede silêncio aos murmurinhos inaudíveis do mundo la fora para que a gestação de seus sonhos emoções e sentimentos torne-se vida e não apenas uma ilusão perene que adormece em posição fetal no líquido amniótico (lágrimas) dentro do coração...
Se não podes ver o mundo lá fora, veja-o dentro si e irás te surpreender o quão é mais belo, puro e magnânimo. E Lembre-se, que dentro, tua alma é livre pra voar e fora teu corpo a prende.
E é nesse autismo de vida parada, que só uma mãe enxerga seu mundo lá dentro de um vazio que se perde num sorriso iluminado disperso na complexidade de um tudo e do nada.
O galo canta, os ruídos incompreensíveis da vida lá fora que se espreguiça com o despertar de mais um dia. E nessa bruma que borda o amanhecer os ponteiros do relógio pendurado na parede esmaecida vão voando na obscuridade tentando decifrar esse enigma do tempo...E nesse instante um suspiro profundo da alma, onde o vento leva e traz mistérios do dia e da noite e todos os dias...
Aqui dentro é um mundo fechado, lá fora um mundo aberto, por isso que caminhamos por essa vida na corda bamba...
Aí a alma sai da carcaça do corpo físico e vai espiar o mundo lá fora e quando retorna ao seu envoltório carnal percebe que não passa de um meteoro...A vida é fugaz!
A vida vai te dar aquilo que tu acertasses lá, portanto, segue nesse malabarismo entre erros e acertos nessa linha oscilatória (destino) e conforme a tua procrastinação em aceitar essa sina, o vento soprará tua leniência ao tempo...E enquanto o sopro da vida suspira em ti... Corra, que ainda há tempo.
O sol ama a lua cheia e mesmo sem nunca tocá-la, esse amor fecundará sonhos platônicos de todos os enamorados.
Lá fora, observo o horizonte que vou pincelando com nuances de minha memória...Aqui dentro, o meu mundo dá um mergulho no mar, e nessa introspecção um suspiro da vida se desprende no ar...”
Ouça os sons inaudíveis da tua alma para que silencie esses ruídos intermitentes do mundo lá fora...
Saudade de um tempo que parou dentro de nós, mas lá fora nossos olhos paralisados ficam observando esse tempo que corre como um cavalo selvagem totalmente atônito e perdido, sem encilho...
Nossa trajetória é seguir uma linha imaginária que tentamos fazê-la reta nesse caminho exaustivo e conflitante, mas muitas vezes vemos apenas nuances borrados de uma paisagem distante...ao mesmo tempo um lugar tão lindo e perfeito, desordenadamente tão longe e tão perto...Ser mãe especial é ser assim...
Se repentinamente algo ruim acontece, Deus te deu livramento e evitou que coisas piores lá na frente dessem certo.
