Jean la bruyère
Nas manhãs frias ou tardes ensolaradas,
Lá estão eles, fiéis e dedicados,
Com olhos que brilham de alegria,
Os cães, nossos amigos de cada dia.
Seu amor é puro, sem julgamento,
Eles nos seguem com devoção,
Nas tristezas e nas risadas,
Sempre ao nosso lado, sem hesitação.
Na solidão, encontramos abrigo,
Seus latidos, um consolo amigo,
Eles farejam nossas tristezas,
Transformando-as em lampejos de beleza.
Leais guardiões, protetores da casa,
Com patas ágeis e línguas que lambem,
Eles nos ensinam sobre fidelidade,
Um vínculo que transcende o tempo.
Então, ergamos nossos copos,
Aos cães que nos amam sem limites,
Com seus rabos abanando alegremente,
Eles são verdadeiros tesouros, nossos cúmplices.
Se a cruz não pode abalar uma pessoa, nada irá abalá-la, pois não há exigência maior do que a cruz.
A desconhecida
Todo dia de manhã, ela está lá, a desconhecida
Quando vou ao banheiro, ela está lá, a desconhecida
Quando vou tomar café da manhã, ela sempre está presente, a desconhecida
Na minha corrida matinal, ela vai junto, a desconhecida
Na hora do almoço, com o filme na televisão, ela está ao meu lado no sofá, a desconhecida
No lanchinho da tarde, é ela quem me dá as frutas, a desconhecida
Na hora da janta, é ela quem prepara, a desconhecida
Quando vou dormir, ela está ao meu lado, a desconhecida
Eu sei que não a conheço, mas ela me faz tão bem, que para mim, ela não é uma desconhecida.
Lá estava eu, cara a cara com a morte
Olhando no fundo de seu crânio eu disse:
Obrigado, morte, esse inferno já não fazia mais sentido
Agora, ao seu lado, aproveito a paz e a liberdade de um mundo melhor
Ao lado de anjos ou demônios, pouco me importo
pois os demônios de verdade me chamavam de querido, de amigo, e de filho.
Cá estou eu, no inferno
Lá estão eles, os demônios
Mal posso falar, muito menos me mexer
Se algum deles me ver, será meu fim
Festa com parentes é torturante
Situação tensa
em Boleita,
Lá no Inferno
de cinco letras,
Os heróis
merecem ser
assistidos
em seus direitos,
Eles foram
injustamente
aprisionados,
É bom que todos
saibam de Oslo
até Barbados,
Que por eles
também não vou
parar de falar,
Mesmo sabendo
que o General
ali não está,
Aliás, ninguém
sabe onde ele está.
O General foi preso
injustamente,
Ele está desaparecido,
E ninguém mais
responde sequer
se ele foi de fato visto,
Haja informe e guru
para tanto mal feito.
O momento é tão
triste e tão crítico
que não entregam
nem o corpo
do Capitão-de-Corveta
para a viúva,
Por isso desconfio
que o General
nem esteja mais vivo.
Peço que não
te esqueças:
mataram
o Capitão-de-Corveta,
Lá no Inferno
de cinco letras.
Uma parte de mim
é a que fica
por ser indígena,
E a outra parte
é a que vai
por ser nômade.
Fico naquilo que
me interesso
e largo de mão
aquilo que maltrata
o meu coração,
Trajetória de
quem não
aceita retrocesso,
E não entra em
queda de braço
com ninguém.
Não te esqueças
para não eximir
de quem tem
o dever de
dar conta
dos paradeiros
do General preso
injustamente
e de outros prisioneiros.
(Reféns das circunstâncias)
Do Inferno de
cinco letras,
Não se fala
das parejas,
Que lá estão
por detrás
de las rejas.
Caiu a luz
em partes do
nosso continente,
Dá medo do que
virá daqui
para frente.
Dormindo com
os olhos abertos,
Só Deus para
acudir o povo;
Pois há gente
que 'prevê'
que seremos
eliminados iguais
a porcos,
Iguazú colapsos.
Farta é a ironia
do destino:
quem julgava
passou a ser
julgado, preso
e condenado.
Do sargento
metropolitano
preso também
tenho perguntado,
Ele já era para
ter sido libertado.
Não vou sossegar
enquanto não souber
do General o paradeiro,
Insisto em saber dele
e de pedir a liberdade
ao mundo inteiro...
Em Boca de La Grita
há mortos e feridos.
Surreais os dramas
da tropa em exílio.
Farta dos mentirosos
agindo em rede.
Brutais os dramas
da tropa presa.
Para o povo sobreviver
tem sido um desafio.
Quase não há mais
como escrever poesia.
O General continua
há mais de cinquenta
dias desaparecido,
Não consigo crer
que esteja mais vivo.
Na frente do Palácio
La Moneda
a Guarda Chilena
executou a canção
Alma Llanera,
Não houve como
não se emocionar,
Do General preso
inocente notícia
não consegui
mais escutar,
E estou a buscar.
Há gente no meio
dos escombros
querendo discutir
de uma maneira
que não adianta,
E se insistir
não vai de jeito
nenhum contribuir.
Não que me falte
vontade para
escrever a poesia
do encontro
e da convergência,
No mundo onde
os valores
estão em falência,
Antes disso é
preciso receber
uma demonstração
de coerência,
Enquanto isso
para não deixar
tudo a perder é
preciso ter paciência.
