Camila heloíse
Andei pensando que ás vezes temos que sonhar em ser mais realistas: querer o impossível é desgastante e pra ser sincero, um tanto doloroso. Dói quando você dorme e acorda pensando em uma única coisa e ela nunca se encaixa no seu dia. Você fica 24h esperando e nada. Ela não sai do seu pensamento para o plano real.
Não menosprezo o ato de sonhar, também sou sonhadora, daquelas que está olhando pra você dando a entender que está te ouvindo mununciosamente, mas é tudo mentira. Estou a quilômetros de distancia, pensando em um passado em que fui feliz, em algum amor distante ou mesmo em algum dos tantos sonhos impossíveis que guardo.
Só acho que sonhar é mais elegante quando não interfere o plano real da vida. Quando não se deixa de fazer uma coisa porque está pensativo, por exemplo.
Falo isso porque sonho deselegantemente. Inclusive, Fernando Pessoa não se inspirou em mim quando citou "tenho em mim todos os sonhos so mundo". Meus sonhos são extraplanetários.
Não acredito que sonhos tenham significados indiretamente, não acredito no que dizem as cartas de tarot, no que o meu signo prepara pra mim hoje, a cor que devo usar para meu ano novo ser perfeito, numerologia, horas e minutos iguais, pra mim tudo isso não passa de desculpas para ficarmos parados e deixarmos que outras coisas determinem o que vai ser de nós. Porém, desde que te conheci, tive algumas novas certezas: você me dá sorte, é possível se comunicar com alguém por telepatia e quando as coisas tem que acontecer elas se desenvolvem com uma intensidade incrível. Quem diria, eu achei um amuleto humano
Essa efemeridade, essa liquidez, essa palidez de dias rasos me faz querer ir além, mergulhar fundo, construir solidez nos afetos-reflexos.
A boca entope-se de palavras não ditas. Entre ele e elas, em abismos de sim e não, entre rosa carmim de meus brincos que alguém enxergou...
Desabrocho em perfume ao te ver passar e você insiste em me despetalar. Transformo lágrima em orvalho. Sorrio comum. Sorrio rosa carmim.
E se quer me ter, tente se ter nas mãos. Se escapando pelos dedos assim, consegues sempre o pior de mim...
E ele sempre me desbaratina, mais que a fluoxetina ingerida para esquecer de suas íris tão ingratas e gastas em tantos olhares alheios...
E ele sempre me repete com gestos sutis que sou apenas um caso, um mero acaso, que é casualidade caseira e passageira...
Gesto: guarda em si vastidão de pensamentos e sentimentos, verborragia na sutileza estática.Guarda todas as histórias em si, basta sentir.
Ando me comendo pelas beiradas, o essencial de minha essência anda em falta e acaba com a calma/alma. Preciso de pés no palco, luz, ribalta!
Aparece no meu sonho. Aparece no meu dia. E não consigo distinguir qual é mais real, nesta neblina espessa que aturde e confunde...
O meu silêncio é o que dou: frio, distante e introspectivo. A verborragia caminha lado a lado com a convicção.
Trocou melodia pelo medo, trocou palavras pelo silêncio. Cavou resignada e achou poço fundo e fértil. Desde então sentiu sede e nada mais...
Não sinto meus passos, não sinto os pés no chão. Piso em nuvens de algodão, piso em flores, nas dores molhadas de chuva.
Carrego pó que recolho de metade histórias que vivo, espalho grãos no caminho de lembranças fugidias.
Sigo só e só me querendo em você...
