Camila heloíse
A boca entope-se de palavras não ditas. Entre ele e elas, em abismos de sim e não, entre rosa carmim de meus brincos que alguém enxergou...
Desabrocho em perfume ao te ver passar e você insiste em me despetalar. Transformo lágrima em orvalho. Sorrio comum. Sorrio rosa carmim.
E se quer me ter, tente se ter nas mãos. Se escapando pelos dedos assim, consegues sempre o pior de mim...
E ele sempre me desbaratina, mais que a fluoxetina ingerida para esquecer de suas íris tão ingratas e gastas em tantos olhares alheios...
E ele sempre me repete com gestos sutis que sou apenas um caso, um mero acaso, que é casualidade caseira e passageira...
Gesto: guarda em si vastidão de pensamentos e sentimentos, verborragia na sutileza estática.Guarda todas as histórias em si, basta sentir.
Ando me comendo pelas beiradas, o essencial de minha essência anda em falta e acaba com a calma/alma. Preciso de pés no palco, luz, ribalta!
Aparece no meu sonho. Aparece no meu dia. E não consigo distinguir qual é mais real, nesta neblina espessa que aturde e confunde...
O meu silêncio é o que dou: frio, distante e introspectivo. A verborragia caminha lado a lado com a convicção.
Trocou melodia pelo medo, trocou palavras pelo silêncio. Cavou resignada e achou poço fundo e fértil. Desde então sentiu sede e nada mais...
Não sinto meus passos, não sinto os pés no chão. Piso em nuvens de algodão, piso em flores, nas dores molhadas de chuva.
Carrego pó que recolho de metade histórias que vivo, espalho grãos no caminho de lembranças fugidias.
Sigo só e só me querendo em você...
Se tudo gira, rodopiando em repetidos erros, enjoo-me, enojo-me.
Vômito à tudo que perde sentido, que zune aos ouvidos, que amarga a boca.
Sigo inquieta, nunca aquieto-me.
Não, mentira, minha.
Quando há nosso enroscar de pensamentos e olhares, a calma transborda, o tempo pára...
Pra longe vou, por os pés na terra, nutrir-me de minhas raízes, sentir cheiro de verde, me perder no silêncio das estrelas, silenciar...
