Ivan bunin
Diálogo entre Pai e Filho
(Ivan Teorilang)
Estilo do autor: Tercetos sonoros, livres.
Com 46 caracteres (c/ espaço) para cada verso.
Meu Pai, por que motivo me desamparaste assim?
Passam-se os séculos, e a humanidade continua,
crucificando-me, com este desrespeito sem fim.
Por que em Tua sapiência, Teu filho me fizeste
mas, privaste-me de toda Tua infinita bondade,
tiraste-me até na infância, da morada celeste?
Qualquer pai terreno tem mais amor em sua cria
defendendo-a do mal, e salvando-a dos perigos
além de protegê-la sempre de qualquer agonia.
Criaste-me como a todos, pela luz da gestação,
mas reservastes para mim o mal fadado e cruel,
destino sombrio e doloroso, da incompreensão.
Permitiste que fosse perseguido pelos romanos
apesar de minha bondade com todos meus irmãos,
colocando-os na especial condição, de humanos.
Abandonaste-me quando eu de Ti mais precisava,
Viste-me ser açoitado, mas não me defendestes,
ignorou quando o centurião na cruz me pregava.
Ainda hoje pelo mundo impera tanta ingratidão.
Sofri morri por todos, mas tem até quem evita,
meu nome por falta de crença, até por aversão.
Que glória inglória esta meu queridíssimo Pai,
sendo, teu filho unigênito, tenho menos valor?
Peço, humildemente, que minha alma, apaziguai.
Meu amabilíssimo filho não existe neste mundo,
criatura mais querida, importante, e especial,
meu sentimento por você, sempre será profundo.
Minha existência, junto com a sua se completa,
a humanidade certamente sem mim, não existiria
e sem você ela vagaria sem rumo neste planeta.
Nosso sacrifício empenhado, fora sobre-humano,
para que seu povo consciência adequada tivesse
pois só assim faríamos dele um povo, soberano.
O meu sacrifício foi usar meu filho unigênito,
a ser por todos imolado e crucificado, em vão,
a humanidade, não poderia vagar, sem espírito.
O teu sacrifício todos acreditam que conhecem,
mas maior, foi sofrer esta grande ingratidão,
agonizaste por todos, mas relevam isto também.
Se ainda lamentas tanto por ter te abandonado,
imagine qual o tamanho desta minha frustração,
causei-te tanto sofrimento e és desacreditado.
Entendeste, se caso meu plano fosse diferente,
dando-te, amplos poderes, proteção e regalias?
julgar-me-iam agora, por prepotência aparente.
Preferi passar a eles, o sentido da humildade,
pois para todos proporcionei a mesma essência,
não poderia caber-lhes, a invenção da vaidade.
O FIO DE ARIADNE
para Ivan Junqueira
Mesmo que a chuva destrua
a rua, o muro, a rede elétrica,
olhe a casa que a água não levou
e veja que você está dentro dela.
Mesmo que o sol não volte a
abrir o sorriso da primavera,
olhe no interior daquela flor
e veja que você está dentro dela.
Mesmo que a luz se dilua
e os cegos se espalhem pela Terra,
olhe a voz que ninguém apagou
e veja que você está dentro dela.
Mesmo que os dias não mudem
— mesmo filme na mesma tela —
olhe a criança que ficou na plateia
e veja que você está dentro dela.
Mesmo que o mundo todo desabe
e não sobre pedra sobre pedra,
olhe suas mãos, o chão que ficou
e a vida ainda viva além da janela.
"Somos a soma do que somos"
Doe um tempo livre!
Nem que seja para um afago.
By: Ivan Barbosa da Silva.
Fidelidade
Ivan mora sozinho, em um apartamento de apenas um quarto-cozinha-banheiro. Logo quando se abre a porta, salta aos olhos a cama-sofá, quase sempre com lençol dobrado ou arrastando ao chão. O travesseiro, sem fronha, tendo apenas quando sua mãe lhe faz visitas para ir a uma consulta no hospital metropolitano. Na cozinha, um pequeno quadrado demarcado por um muro à meia altura, há apenas uma prateleira em madeira não tratada, porque com felpos ouriçados, segurando o essencial: litro de óleo pela metade, vasilha amarelada de sal e um pacote de macarrão com um pregador de roupas. O banheiro era quase uma extensão do quarto. Apenas a porta sanfonada, com o trinco arrancado, separava a cama do vaso. Ivan acostumou-se com o cheiro de casa vazia sempre que abria a porta de casa e podia até mesmo não senti-lo quando não estava afim de abrir a única janela de sua kitnet. Ivan não sentia falta do que acontecia janela a fora de seu mundo. Certo dia, Ivan conheceu Sara. Foi quando Sara, envergonhada, tentava sem sucesso consertar a corrente de sua bicicleta que havia saído da coroa. Ivan, até então, não sabia a importância daquela corrente encaixada elo a elo na coroa pontiaguda. Enquanto consertava a bicicleta de Sara, Ivan pode mirar suas pernas morenas cobertas por pelos enlourecidos. Sara, até então, não entendia muito bem o porquê da corrente ter a colaração escura, destoando do tom azul claro de sua bicicleta, até o momento em que suas coxas se sujaram de graxa. Ivan e Sara ficaram meses a fio passeando de bicicleta cotidianamente. Ivan percebeu que já não sobrava macarrão, que o óleo já não estava por acabar, e sim acabado, e suas janelas não se observavam mais fechadas. O rapaz já não suportava mais o cheiro de casa vazia quando pedalava. A partir de então, Ivan especializou-se em consertar correntes alheias a de Sara. Na verdade, atormentava a Ivan não a ideia de pedalar com a casa vazia, mas sim que a corrente de Sara pudesse novamente soltar da coroa de sua bicicleta. Sara nunca foi tão amada, quanto Ivan a ama.
O Vazio de Ivan em Mim
Não é que eu não queira crer.
Queria. Com a mesma força com que respiro, com a mesma urgência com que busco sentido quando o mundo me fere.
Mas há em mim — como havia em Ivan — um vazio que não se preenche com promessas, nem com orações que ignoram o grito dos que padecem.
Não nego Deus.
Mas me recuso a aceitar um paraíso onde o preço seja o choro inconsolável de uma criança torturada.
Se a matemática da salvação exige esse débito, então que me excluam da equação.
Devolvo o ingresso. Não me serve um céu comprado com sangue inocente.
Minha dor não é a do ateu. É a do exilado.
Não me falta fé — me falta reconciliação.
Entre o que vejo e o que dizem que há.
Entre a razão que me habita e o absurdo que me cerca.
Entre o amor que imagino ser divino e o horror que assola o mundo sem trégua.
Carrego a lucidez como lâmina.
Ela me corta todas as noites. Me acorda. Me sangra.
Mas prefiro essa dor do que o conforto mentiroso da inconsciência.
E, no entanto, por vezes, invejo os que crêem sem feridas.
Os que chamam de “mistério” o que eu ouso chamar de “injustiça”.
Os que abraçam um Deus com olhos fechados, enquanto eu — pobre de mim — insisto em fitá-lo de olhos abertos, sem saber se Ele me vê.
Talvez um dia eu compreenda.
Ou talvez minha travessia seja essa mesma: caminhar com o coração em ruínas e a mente em labaredas,
entre o silêncio de Deus e o clamor dos homens.
Mas sigo.
Não por esperança.
Nem por fé.
Sigo porque parar seria entregar-me à loucura.
E entre a insanidade e a ausência de sentido, escolho — por ora — a lucidez dolorosa de quem carrega o vazio como cruz e como bússola.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
1.
Não nego Deus.
Mas me recuso a aceitar um paraíso comprado com o choro de uma criança torturada.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
2.
Minha dor não é a do ateu.
É a dor de quem foi expulso do paraíso da certeza.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
3.
Carrego a lucidez como lâmina.
Ela me corta mais do que conforta.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
4.
Entre o silêncio de Deus e o clamor dos homens, eu sigo com a alma em ruínas e a mente em labaredas.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
5.
Não é ausência de fé.
É excesso de consciência diante de um mundo que sangra sem explicação.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
6.
Devolvo o ingresso à eternidade se para entrar for preciso aceitar a injustiça como preço.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
7.
Invejo os que creem sem feridas.
Eles dormem. Eu vigio.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
8.
Talvez minha travessia seja essa:
Habitar o exílio da certeza e suportar o peso de um Deus que talvez não me veja.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
9.
Não creio por conforto.
Se creio, é apesar da dor — não por causa dela.
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
10.
Entre a loucura e o vazio, escolhi a lucidez.
Ela não consola, mas me mantém de pé.
Grande amigo e companheiro de sempre Paulo Ivan Casagrande! Desejo-lhe tudo de bom agora e no futuro, com muito sucesso! Abraços fraternos.
A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói
A melhor coisa que comprei pra mim neste ano foi um Kindle e assinei o Kindle ilimitado.
Já li vários livros.
Ontem comecei a ler 'A Morte de Ivan Ilitch', novela de Tolstói. Quem me indicou foi minha neta. Quem indicou pra ela foi um professor... que, segundo ela, lê muuuuiiiito.
Ele disse pra ela que chorou quando terminou a leitura. Claro que foi o que me motivou a ler o livro... fiquei curiosa pra saber o que o fez chorar.
Já sei como termina, porque o autor faz o favor de contar quase no início... o fim.
Já li 75% do livro - tecnologia Kindle que diz quanto falta pra terminar um capítulo... quanto você já leu do livro todo... quando você liga está exatamente na página em que você parou de ler... enfim 😉
Aos 60% eu já havia entendido porque o professor da minha neta chorou. Não foi pelo que acontece com o personagem no fim, não... o que acontece com Ivan acontece com todo no mundo no fim... e o autor, como eu disse, já falou quase no começo o que acontece com Ivan... o título já diz 🙄 foram outras razões que trouxeram lágrimas aos olhos do professor... e eu não sou boba nem nada pra dar spoiler...
Claro que ainda há 15% do livro que podem me surpreender e ir por água abaixo o que tenho pensado que tenha feito o professor da Gi chorar... claro que posso chegar a um fim mais terrivelmente triste do que li até agora.. E não, não se engane.. a tristeza não está escrachada em fatos... a tristeza está entremeada em sentimentos e pensamentos de nosso personagem principal.
Talvez tenha algo mais no fim... mas eu só saberei mesmo no fim... por enquanto é isso.
