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Levidade do Pensar

Nem todo pensamento  
Merece ser verdade,  
Alguns são só vento—  
Passam com levidade.  

Deixa-os voar,  
Sem criar tormento,  
Rir é livrar  
A alma do lamento.  

A mente viaja,  
O coração sabe:  
Nem tudo que reluz  
Urge de brevidade.

Ser como a folha  
Que dança no ar,  
Pensar sem peso  
É saber voar.

Roberval Pedro Culpi

Extinção 

No princípio, era só um risco dourado,  
um fio de luz tecido na noite.  
Celebramos com copos cheios,  
como se o tempo fosse nosso.  

A festa não tinha relógio nem espelho,  
e aquele brilho, suave no início,  
cresceu atĂ© ofuscar o sol —  
mas quem notaria, entre risos e cançÔes?  

Até que a manhã veio sem aurora,  
o ar pesado de silĂȘncio e pĂł.  
O horizonte tremeu, devagar,  
e então soubemos: era o adeus.  

A terra gemeu longe, muito longe,  
mas o vento trouxe o fim em segredo.  
E nós, criaturas de outro tempo,  
ficamos só — cinza e ossos —  
enquanto o mundo seguia, indiferente.  

E assim, sob outros céus,  
outras criaturas, 
tão såbias quanto nós,  
continuam a festa,  
sem ver o fogo que se aproxima.

Roberval Pedro Culpi

"Se morrer exige algum esforço, então nem morrer eu quero. Só desejo me perder num nada tão puro que até o tempo esqueça de mim."

ExistĂȘncia...

existe um tempo e espaço em que tudo pode ser realidade ou utopia, mas no final, só queremos que o nosso querer seja realidade...

Gustavo Cardoso.

Portugal em chamas, verĂŁo sem descanso,
Na serra só se ouve sirene e cansaço.
Bombeiro é voluntårio, vai sem proteção,
Mas quem manda no país tå de férias no verão.


Povo com baldes, mangueira na mĂŁo,
Enquanto arde a floresta, arde a nação.
Falta coordenação, falta investimento,
SĂł sobra propaganda e muito fingimento.


[RefrĂŁo]


Quem segura a terra Ă© quem nela nasceu,
NĂŁo Ă© quem governa nem quem prometeu.
De Lisboa ao interior, o retrato Ă© fiel:
O povo no inferno, o poder no hotel.


Velhos a chorar, lembranças a queimar,
Aldeias cercadas, sem nada pra salvar.
Falam em milhÔes que nunca cå chegaram,
E no fim do dia sĂł os do povo ficaram.


É sempre o mesmo filme, ano após ano,
Os de cima desligados, parece engano.
Mas nĂŁo Ă©, Ă© sistema que vive a falhar,
E quem paga a fatura Ă© quem vem apagar.


[RefrĂŁo]


Quem segura a terra Ă© quem nela nasceu,
NĂŁo Ă© quem governa nem quem prometeu.
De Lisboa ao interior, o retrato Ă© fiel:
O povo no inferno, o poder no hotel.


Portugal resiste, mas precisa acordar,
Não hå país de pé se só arder o lugar.
Se quem manda some quando Ă© pra enfrentar,
EntĂŁo Ă© o povo que tem que governar.


-

Por cima destas nuvens negras de chuva, existe um sol que brilha forte pra iluminar vocĂȘ.
SĂł precisa subir mais alto e nĂŁo desistir.

OLHOS DE MAR

Como um anjo, vocĂȘ chegou anunciando o inĂ­cio de um ciclo, da vida que jĂĄ nĂŁo era sĂł minha...

Apesar de dolorosas, as mudanças eram necessárias. Então, rasguei a cápsula que me envolvia, comprimida numa ingenuidade tardia — tal como o casulo do qual eu já não cabia, e que me impedia de mover as asas que eu nem havia notado que tinha.

O apego, a dependĂȘncia, o vitimismo e a dor me impediam de perceber que eu podia voar. Embora nĂŁo soubesse como, tudo era tĂŁo novo... Pensei em desistir, mas a esperança ressurgia quando eu olhava em seus olhos — olhos de mar.

Apesar de recĂ©m-chegado, pequeno e frĂĄgil, vocĂȘ me ensinou a ser forte, a amar e a aprender com a dureza das provas da vida. Enquanto vocĂȘ crescia, tambĂ©m me impulsionava a crescer. Errei e acertei muitas vezes, mas sempre com o desejo de lhe dar o melhor de mim.

VocĂȘ Ă© minha kriptonita, mas tambĂ©m Ă© minha fortaleza.

Que droga


No começo, não era nada — eu acho.
SĂł empatia.
Era ela, coitada, tĂŁo quieta na tristeza...
Que mundo injusto, que ironia.
TĂŁo meiga, tĂŁo viva, agora em silĂȘncio,
Olhos de mel cobertos de sombra.
Quem teve a crueldade de apagar sua luz?
De roubar o sol de quem transborda?


E então me atingiu — direto, sem aviso.
Como pode ela estar assim, partida?
Quem foi o infeliz que lhe tirou o riso
e costurou tristeza em sua vida?


No inĂ­cio era sĂł compaixĂŁo, mas quando vi,
jå era vício, jå era laço.
Sem perceber, fiquei preso de novo
na droga doce do teu espaço.


Quando penso, sĂł vejo teus cachos soltos,
teu jeito calmo, teus olhos fechando em riso.
Fiquei ali, admirando cada traço,
tentando ser abrigo, ser sorriso.


E quando notei, jĂĄ sorria com vocĂȘ,
sem precisar de nada mais, nem entender porquĂȘ.
Ria dos teus risos, da tua calma,
e a cada gesto teu, se curava a minha alma.


E eu juro — por cada alegria que brotou de ti
que nĂŁo deixarei tua luz se apagar aqui.
Se um dia a dor quiser voltar, eu serei abrigo,
serei tua paz depois do perigo.


Porque agora que te vi florescer em riso sereno,
quero ser teu porto quando o mundo for pequeno.
Te guardar do cinza, da dor e do desamor,
e pintar teus dias com abraço e cor.

“Somos sementes de uma sĂł ĂĄrvore, enraizados na mesma terra, nutridos pela mesma seiva, mas cada um floresce no seu tempo e dĂĄ frutos diferentes. A beleza estĂĄ justamente nessa diversidade: somos Ășnicos, mas pertencemos ao mesmo tronco da vida.”




      Rafael Falanga

Tem pessoas que sĂł conseguem ser felizes na solitude. Se vocĂȘ nĂŁo consegue ser feliz sozinho, sempre serĂĄ dependente da vontade de alguĂ©m!

đŸ‡”đŸ‡č Bombeiros e Povo Unidos đŸ‡”đŸ‡č

Yeah
 nĂŁo Ă© sĂł calor do verĂŁo,
é mão criminosa que acende destruição.
E a TV? Cala, manipula, esconde.
Quem sofre Ă© o povo, nĂŁo o lorde.

IncĂȘndio nĂŁo nasce do nada, isso Ă© mentira,
Ă© mĂŁo com gasolina, faĂ­sca que conspira.
A serra vira cemitério, floresta cai sem perdão,
mas ninguém aponta o dedo a quem lucra com a nação.

Bombeiro sem descanso, sem verba, sem poder,
mas encara o fogo mesmo pronto a morrer.
Enquanto os políticos falam da “situação”,
eles suam no terreno com mangueira na mĂŁo.

[RefrĂŁo]
đŸ”„ Portugal em cinzas, mas o povo resiste,
a verdade nĂŁo passa na TV que existe.
đŸ”„ Portugal em cinzas, Ă© crime, Ă© pressĂŁo,
mas o povo levanta, nĂŁo larga a missĂŁo.

Animais a fugir, gado preso nas chamas,
pessoas a chorar, carregando sĂł memĂłrias e camas.
Na aldeia nĂŁo hĂĄ sono, sĂł medo a respirar,
mas ainda hĂĄ quem ajude, mesmo sem nada a guardar.

E os jornais? Só mostram o que convém,
nĂŁo dizem quem manda, nĂŁo dizem quem tem.
A verdade é dura, mas alguém tem que falar,
nĂŁo Ă© sĂł verĂŁo quente, Ă© negĂłcio a queimar.

[RefrĂŁo]
đŸ”„ Portugal em cinzas, mas o povo resiste,
a verdade nĂŁo passa na TV que existe.
đŸ”„ Portugal em cinzas, Ă© crime, Ă© pressĂŁo,
mas o povo levanta, nĂŁo larga a missĂŁo.

Na serra arde verde, no bolso arde ouro,
alguém enriquece, enquanto o povo perde o tesouro.
E no meio da fumaça, quem segura o chão,
Ă© bombeiro, Ă© vizinho, Ă© o povo, Ă© a uniĂŁo.

Portugal nĂŁo se apaga, mesmo em dor e agonia,
do meio da cinza nasce força e rebeldia.
Respeito ao bombeiro, respeito ao povo,
a verdade Ă© chama — e queime de novo.




-

NĂŁo adianta querer prender um pĂĄssaro que sĂł deseja voar.

A dor que nĂŁo se expĂ”e, se transforma. E quando vira verso, ninguĂ©m vĂȘ o sangue, sĂł o brilho. (Eliza Yaman)

Amiga,
Hoje nĂŁo celebro sĂł o dia em que vocĂȘ nasceu. Celebro o privilĂ©gio de caminhar ao lado de alguĂ©m que transforma presença em bĂȘnção. Que tua vida continue sendo essa chama que toca quem chega perto.

Sobre o tempo

O tempo nĂŁo leva tudo. Ele revela o que era verdadeiro, e deixa cair o que sĂł parecia essencial.

Obtuso nĂŁo Ă© nĂŁo entender algum assunto.
Obtuso Ă© pensar que precisa sĂł entender,
mas nĂŁo compreender.
A compreensão é a solução,
o entendimento Ă© opcional e nĂŁo essencial.

⁠A felicidade nĂŁo Ă© destino. É o que se sente com coragem, enquanto caminha. A chegada Ă© sĂł um bĂŽnus. đŸ€ŽâœšđŸ’«

A verdade dĂłi porque ela nos Ă© bastante elucidativa, mas ela sĂł machuca aqueles que nĂŁo estĂŁo dispostos para a vida. Deus, com todos os seus mandatĂĄrios, utilizarĂĄ formas sutis, bruscas, grosseiras ou singelas para nos proteger e orientar, e como nos postamos a isto terĂĄ mĂ©rito totalmente nosso de ser bom ou ruim, coisas boas e ruins ocorrem o tempo todo. Deus nos pĂ”e e nos tira o convĂ­vio a todo tempo, ora para nos proteger, ora para proteger o outro de nĂłs. A ciĂȘncia Ă© respeitar os fatos ocorridos e buscar compreensĂŁo porque somos falhos e Deus pĂŽde nos bagunçar um pouco para salvar o outro de nĂłs e atĂ© mesmo nos bagunçar para nos salvar, entĂŁo hĂĄ o dever de cada um. É ter fĂ© e estar desperto pra vida sempre porque Deus de tempos em tempos nos vĂȘm pra fazer uma faxina e curar feridas pra evoluir a algo melhor estruturalmente e nos deixar bem claro que o melhor caminho Ă© a verdade.

Só temos valor quando temos algo a oferecer. SEM ISSO VOCÊ É NADA!

Às vezes sĂł temos que matar alguĂ©m dentro da nĂłs, para que nasça outro melhor.