Boa noite
O poeta sempre
sabe o que fala,
mesmo quando cala,
A noite vem estrelada,
ela surge enluarada,
O cio poético rompe
o diligente e a noite silente.
Drummond que não é
nada bobo indica o caminho,
Ele estalou os dedos e provou
que o amor é bicho instruído,
Meu bem, não te aflijas,
todo poeta também
sabe ser companheiro.
Este desejo aqui em versos
é completamente faceiro,
esse teu ir embora
querendo voltar prova
que o amor bate na aorta,
Ele bate na porta sem
a gente sequer esperar,
e muito menos despertar,
O amor vem delicadinho
na ponta dos pés,
pronto para te amar.
Drummond veio ao mundo
como poeta para provar
como o amor é bom,
Na verdade todos cantam
e dançam essa cantiga
de eira nem beira,
Todos os homens
que usam óculos
deixam o amor tirá-los,
Todas as mulheres não
resistem em não deixar
de ficar com as saias suspensas.
O amor também não
deixa de ser um animal arisco,
Mantenha-no preso ao cangote,
e seduza-o com táticas feiticeiras,
Capriche no jardim
de alegrias suspensas,
e me vire do avesso com as tuas seduções intensas.
A noite com a leveza
de uma pluma negra
inaugurando a cena
para as tuas estrelas,...
Vem nos inspirando
milhões de esquemas
ousadas estratégias
e épicos poemas,
Corro o risco de pagar
para ver como será
a tua estreia esperada
no show particular,
Insisto em buscar
o teu divino amor
entre os planetas
em alinhamento:
herdeiro do inefável
e perpétuo firmamento.
Não faço a menor
ideia se irei te ter
tal como a Lua
a beijar oceanos,
e se por acaso
o destino não vier,
e à partir de nós
vierem a surgir novos
poetas na América,
cada verso terá
valido uma vida inteira.
Na noite que o último
herói da cidade foi
rumo a outra missão,
corações das cores
nacionais e oração,
Ando com uma certa
nostalgia do que não
vivi, luto e gratidão,
pedindo muito à Deus
para quem fica
nunca perder a mão;
Algo em você me diz
que tudo anda por um triz
e que querem brindar
com o quê há de mais
trágico o meu país,
Neste tempo que
de todos nós exige
a contemplação
desta pré-eclipse,
e da tempestade
a nossa superação:
Da minha parte
tenho feito de tudo
para que a gente não
perca a fé no futuro,
e o nosso coração.
Com as minhas mãos
voltei a me envolver
com o véu da noite,
não paro de pensar
em você indelével
na minha memória:
um novo capítulo
nos reserva a história.
Um subtil engendro
mágico anterior
ao próximo eclipse,
para vê-lo em disparo
viajando na suíte
e com a intimidade
requerida pelo intenso
prazer da liberdade
grandiosa e prometida.
Com os meus enleios
todos românticos,
incensos e cânticos,
esbocei caminhos
para não dar pista
do meu brio pronto
inerente ao tempo,
e permitir o inopinado.
Um segredo de estado
criptografado como
tatuagem ao arrepio
do imaginário comum,
assim levo discretado
para não dar pista
e não prestar contas
da fantasia adentro
embarcada no possível
expresso da meia-noite.
É noite de Lua Cheia
que atravessa
o quê restou do Cerrado
que pelas
mãos dos Homens
foi quase destruído,
e em nome do lucro
será esquecido
no absoluto do mundo.
Em noites de Lua Cheia
e em dias de Sol,
Ter visto uma arara
sobrevoando o Cerrado
em liberdade
foi um dos primeiros
gigantes sentimentos
que desfrutei
plena como brasileira.
É numa noite de Lua
como está que medito
sobre a minha Pátria
capturada por homens
de espírito mesquinho
que fizeram além
do Cerrado todo o lugar
de respirar desaparecido.
Em noites de Lua Cheia
como esta sinto
a nostalgia do Cerrado
como quem escreve
um soneto de amor
repleto e profundo
que resiste miúdo,
todo triste e encolhido.
Em noite de céu
estrelado direto
da minha rua,
vi um cometa
a dar uma volta
ao redor da Lua,
de olhos fechados
algo me diz
que já sou tua.
Com a minha
paz de savana
mediterrânea,
não temo
a noite escura.
Em noite de luar
e céu estrelado,
vibrar com povos,
os namorados
e a ternura
de escutar
canções de amor
sentindo o barulho
dos teus passos.
Sem ter medo
da distância
e sem temer
me perder
na tempestade.
Um coração
apaixonado
está sempre
na maravilha
embalada
por histórias
de amor
e se encanta
com as narrativas
até quando
lê livros sagrados.
Alfa Centaurídeas
no lado esquerdo
do Cruzeiro do Sul
hão de chover
do início da noite
até o amanhecer.
Pendurei cada verso
e minh'alma de cordel
no varal do Universo,
porque não quero
voltar a pisar em falso.
Porque não quero
que meu coração
de novo tropece
por quem não merece.
O amor verdadeiro
haverá de aparecer
em tempo previsto
e antes das treze luas
cumprirem o ciclo.
É assim que eu desejo,
e d'um lindo jeito será:
constelação tu me pertencerá.
É noite
tempestade,
Nossa
Senhora
de Guadalupe
nos proteja,
e de todo
o mal do
mundo
nos guarde.
Manifestantes
tocaram
fogo
no tribunal,
porque
na vida não
aprenderam
a dialogar,
não sei aonde
essa gente
pretende
na vida chegar.
Porque
democracia
não se faz
as custas
da destruição,
e nem
tripudiando
da humilde
população.
O kajal da noite
escureceu o céu
do teu Afeganistão,
E com cada um
que sofre está
entregue o meu
coração de poeta.
Creia com firmeza
que as estrelas
só habitarão nesta
profunda escuridão,
se a tua dedicação
for a mesma que
Mecnun daria com
todo amor à Leyla.
Somente através
dos sorrisos
das tuas mulheres,
das crianças
e do esplendor
da Natureza se têm
todo o real poder
de restaurar
o teu temperamento
endurecido pelo tempo
e a tua Pátria ferida.
Sob o porvir de todas
as luas no teu Oriente
tens o dever de ser
forte dando proteção
aos mais frágeis,
e de ser gentil com
os teus heróicos anciãos.
Permita-se ser céu aberto
ao Sol da bondade,
inspiração de paz,
oração em elevação
com gratidão repartida
como pão a multidão
pelo dom da vida
para fazer o melhor,
e ver a tua terra reflorescida.
Afetuoso segredo
venerado silencioso
na noite profunda,
A tua alma me ama
nua e nas tuas
veias a doida jura
do melhor de ti
nunca deixar faltar
no infinito siderar.
Muito, muito além
desta noite
sigo clamando
pela Venezuela sofrida;
E que continua
invadida por parte
de uma infernal dissidente
guerrilha colombiana:
(Só não quer ver
isso quem não quer),
Apure merece
ter a paz devolvida,
Esta Pátria não
merece continuar
sendo ofendida;
(Só não quer ver
isso quem não quer),
Que o Bom Deus
proteja a tropa
para seguir firme
em defesa do povo e do território.
Muito além desta noite,
desta história e de tantas
outras continuo clamando
pelo General e pela tropa
que seguem injustiçados,
Porque hoje é Dia da Ressurreição
e para quem tiver boa vontade
amanhã poderá ser o dia da reconciliação.
Civis e bons militares
sofrem a soma dos dias
além da noite escura,
e de todos os limites...,
não é mais segredo
para ninguém que
a repressão para todos
tem escolhido somente
os revolucionários,
para o horror ter mais
poder sobre um povo.
Cada letra de cada verso
tem sido um grito,
porque a conta tem sido
pesada em demasia,
uns há mais de 160 dias
sem acesso à justiça,
o General está vivendo
há 891 dias de injustiça,
todo o dia tem sido
descoberta uma intriga.
Neste continente todo
o dia temos respirado
o ar pesado da agonia
agravando a pandemia,
turvando a convivência,
obscurecendo a visão
e na mais frágil filha
do libertador Bolívar,
a dor de um golpe tem
sido igualmente minha.
Foi um susto na COB
e também nas Bartolinas,
assim recordo para
que não seja nunca
mais na vida esquecida,
um continente dentro
de outro e um oceano
de gente perseguida:
odiar para muitos
virou saborosa rotina,
e o Protocolo de Ushuaia
não tem servido para nada.
Em nosso continente
algo bem antes
de três de agosto
no meu peito já previa:
a Bolívia noite e dia
está lutando para
(resgatar a democracia).
Falo o quê dá
para falar
aquilo que não há
como calar.
Em nosso continente
algo muito antes
de tudo isso no meu
peito já previa
que em cada rincão
a noite escura chegaria
(com ou sem pandemia).
Escrevo o quê dá
para escrever
aquilo que não há
como se esquecer.
Em nosso continente
a orfandade tem residência
em cada uma de nossas tribos,
em Pindorama se tornaram
(um oceano de perseguidos).
Canto porque não
dá para gritar,
quem sabe alguém
há de me escutar.
Em nosso continente
há um outro continente
de tribunais fechados
há mais de 140 dias,
um General preso injustamente,
uma tropa e civis tratados irregularmente,
até que me provem o contrário
isso não me sai da minha mente:
um continente dentro de outro continente.
A noite na Pátria do Condor
de fato sobre todos caiu,
muitos não se deram conta,
uns fingem que não sabem,
e outros que ninguém viu:
daqui a pouco teremos
mais de cem mil mortes
pelo COVID-19 aqui no Brasil,
O quê interessa é mais
adiante manter vozes silenciadas,
As nossas covas
estão sendo cavadas;
A noite na Pátria do Condor
de fato sobre todos caiu,
eleições três vezes adiada
na terra da filha de Bolívar
visivelmente sendo roubada,
frágil e brutalmente golpeada
pelo lítio no centro do jogo
a sua gente indígena foi
e continua sendo massacrada,
O quê interessa é mais
adiante dar espaços às novas caras,
As nossas covas
estão sendo cavadas;
A noite na Pátria do Condor
de fato sobre todos caiu,
não se tem mais notícias
da tropa, dos civis e do General,
há 140 dias os tribunais estão fechados,
passou a ser rotina
não saber e fingir que não viu.
A bruma mais
funesta da noite
desceu sobre
a Pátria do Condor,
as disputas entre
adversários têm
violado a ética
a moralidade
e solapado
o sentimento
de Humanidade
dançando sobre
os cadáveres
do meu povo,
(Estou na
fronteira entre
a amargura
e o total desgosto).
Uns insistem
em justificar
erros para ter
a desculpa
para combater
outros tantos,
muitos estão sem
freio atropelando
a memória dolorosa
e viva de povos
feridos pela guerra,
(O capricho está
afundando esta terra),
Vozes estão
sendo silenciadas
e aprisionadas
na terra que ainda
é a mais frágil
filha de Bolívar
e os massacres
de Yapacaní,
Sacaba e Senkata
estão sendo
diluídos da memória,
(Insisto em gritar
para não
esquecerem a História),
Tentando ficar de pé
e não perder a fé,
insisto em pedir
a libertação da tropa,
do General injustiçado
e do velho líder tupamaro
pela segunda vez
aprisionado em pouco
tempo por uma trama
traiçoeira inflamada
por um serial desgraçado
e caprichoso em fazer
que companheiros
sejam agredidos...
(Este continente
submergiu e virou
um oceano
profundo de perseguidos).
Não tem feito diferença
se tem feito noite ou dia,
estamos encerrados
pelo mundo afora
e na América Latina.
Não tem feito diferença
nem a indiferença,
o desprezo pelo povo
tem sido a sentença.
Pelas ruas de Guayaquil,
corpos de mortos
incendiados
e os quê estão vivos
foram todos abandonados.
Não tem feito diferença
nem a indiferença,
o desprezo pelo povo
tem sido a sentença.
Pelos mares do Caribe
o Império com o seu
Comando do Sul
prometem uma tempestade
neste momento de desastre.
Não tem feito diferença
nem a indiferença,
o desprezo pelo povo
tem sido a sentença.
Nesta minha terra
onde a ambição política
nos tumultua e impera,
o fantasma da fome
que é o mesmo o do mundo
tem sido a diária quimera.
Não tem feito diferença
nem a indiferença,
o desprezo pelo povo
tem sido a sentença.
Pelos sótãos e calabouços
existem homens e mulheres
respondendo pelo peso
de uma livre consciência,
e ninguém sabe se o General
preso injustificadamente
há mais de dois anos
está sendo tratado
com um mínimo de decência.
Em noite de céu limpo,
estou vivendo como
se estivesse nublado,
em nosso continente
e no mundo todo,
estamos guiados por
um cúmplice cruel de
um regime autoritário,
até a minha Mãe
sabe o quê este sujeito
fez no verão passado,...
Ideal seria que
a Pátria Grande inteira
tomasse cuidado,
e se unisse em
latino-americana resistência,
porque de nenhum
dos gabinetes de três letras
do Inferno e do Império
não se deve esperar
por nenhuma decência;
Não dá para ver
do meu jardim
e não posso sair
no meio da rua
para apreciar o alinhamento
de Marte, Saturno
e Júpiter devido
ao isolamento horizontal,...
Numa hora como esta
eram para terem
libertado das prisões:
cada preso político,
a tropa e o General
preso injustamente
há dois anos
e até agora não teve
audiência preliminar,
consciente de tudo
o quê se passa impossível
não parar de me queixar.
Parece cantilena
reverberar
o bordão 'cai a noite'
que remete
o apagar das luzes
e até da esperança
de liberdade
mesmo onde
não há igualdade,
fraternidade
faltam testes
e até respirador,
onde todo um povo
ainda desfrutava
de andar livre
pelos caminhos.
Não me engane
que não está
se aproximando
da Pátria do Condor
talvez a mais trágica
das tempestades
que já enfrentamos
em nossas vidas,
e as pessoas
insistem em
prosseguir desunidas.
Neste isolamento
social estendido
para não ser
abatida nas mãos
do tal inimigo
invisível prossigo
seguir pedindo
a libertação da tropa,
do General preso
injustificadamente
e por cada um
como ele que
é obviamente
preso político
neste continente.
O meu coração
tem doído só
de saber que para
os desprotegidos
em todos os sentidos
a tempestade
chegou bem antes,
e isso vem rasgando
a minh'alma
em várias escalas
e todos os instantes.
Nenhum golpe é
para sempre tal
como a noite,
Insistir numa
mentira que
não houve ela
sempre acaba
virando açoite,
Mesmo no meio
da madrugada
acordar é questão
de vida ou morte
Acorda Bolívia
para não entregar
nas mãos erradas
a sua própria sorte.
Enquanto andava
cruzou uma borboleta
azul elétrica num
voo baixo e triste,
Talvez pelos ventos
ou fugia para
salvar a própria
vida para
não ser devorada,
Num momento que
eu meditava
um verso para
pedir um Natal
sem prisões políticas
e o pedido para libertar
da prisão injusta
a tropa e o General,
Talvez seja esse
o significado real
da missão da poesia.
Nenhuma prisão é
para sempre tal
a tempestade que
obstrui caminhos,
Ignorar que estamos
num continente
que virou um
oceano de presos
e desaparecidos políticos,
É dar um cheque
em branco para recolher
a sua bandeira antifascismo
nos estádios e se entregar
nas mãos do autoritarismo.
É noite de escuridão
tenebrosa,
Troca de olhares
profundos,
Falso positivo
sobre explosivos,
Ele foi desmaiado
a golpes,
Ao menos é
o quê dizem...,
Tudo o quê aqui
está escrito é para
ser investigado.
Os milicianos
na marcha
com caixas
em fidalguia cordial,
À eles está
conferida
uma missão especial.
O autoproclamado
foi nesse até
a porta do Inferno
de cinco letras
do jeito dele;
Bendito seja
o povo que marcha
em prol dos seus
militares torturados
e ele merece
ser para sempre
respeitado,
E os coletivos
passaram
enigmaticamente
na avenida,
Foi bem nesse dia.
O conhecido militante
de esquerda
preso ilegalmente
na aldeia universitaria,
E para que você
não se esqueça:
Sem notícias
do General
preso injustamente
há mais de um ano,
Não é correto deixar
que uma Família
inteira padeça(...)
