Boa noite

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A Noite escura da alma quanto mais escura for mais alta será a luz, a abundância.

A peça que faltava...


Vivia por aí...
Todo dia,
A noite toda...
Tudo igual.


As pessoas eram as mesmas...
Quem se importa se acabei de conhecê-las?


Eram iguais a todos do convívio...
Só mais alguém na multidão...


Nada me tocava...
Nada me pertencia...
Não importava onde eu estava,
Era sempre o mesmo vazio.


Faltava algo...
Uma parte em mim...
Uma peça que eu nem conhecia.


Mas faltava...
Eu sentia...
Andava por aí,
Só por andar...


Vivia por aí,
Só por viver...
Dizem que isso é errado,
E quem quer saber?


Não fui eu quem perdeu a peça,
E nem sei se alguém a perdeu...


Ela só não estava aqui,
E não fui eu...


Um dia, eu a encontrei,
E, por distração, nem notei.


Comecei a ficar diferente,
A ver as cores,
Os dias estavam mais bonitos...


As pessoas começaram a ter mais valor...
E a noite, finalmente,
Me conquistou.


E um misto de alegria
E ternura preenchia tudo
Quando você aparecia.
Era uma completude.


Eu não estava errada,
Era mesmo quebrada...
Faltava um pedaço,
Eu já sabia.


Você era a peça que faltava
Desse meu quebra-cabeça
Chamado vida.

Descanso de Azul e Pedras

A noite as correntezas de azul e sangue escorrem das cachoeiras castanhas.
A luta contra o peso de um gigante de ferro que insiste em permanecer.
A lava é atirada em baldes para este derreter.
Mordidas e perfurações dos trituradores vermelhos e penetrantes.
Fugitiva, desvio e trajetos.
A ponta do termômetro que explode.
O limite dos montões de sombras em caos.
No colchão de madeira e pregos, fecha as pálpebras para seu trajeto.

- Ramile Godon

Para o dia existe a noite, e para a noite existe um novo dia.

O dia nasce da noite, e a noite anuncia um novo dia.

"Semente não vira árvore do dia pra noite. Mas quem rega com fé sempre colhe sombra e frutos."

Capítulo Quarto — Onde a Sombra Também Reza


Existe um tipo de noite que não aparece nas previsões do tempo. Uma noite que não vem do céu, mas da gente mesmo. Ela se aproxima devagar, como quem conhece o caminho da casa: primeiro um cansaço estranho, depois aquele aperto no meio do peito, e por fim a sensação de que o mundo ficou grande demais e o corpo pequeno demais pra carregar tudo.


Nessa noite, mora um personagem silencioso: o ser humano que luta com a própria mente. Às vezes é a ansiedade que dá ordens, às vezes é o pânico que chama pelo nome, e em outras a depressão se senta ao lado como um velho conhecido que nunca foi convidado. Ele olha o espelho e pergunta: “Por que eu sou assim?”
Mas a pergunta verdadeira deveria ser: “Por que eu acho que a culpa é minha?”


A culpa não é. Nunca foi.
Quando a alma dói, não é sinal de fraqueza — é sinal de que ela está viva demais, sentindo demais, absorvendo demais. É como um tecido delicado que se rasga fácil porque foi feito para perceber o mundo com profundidade.


Esse personagem, cansado e solitário, caminha por dentro do próprio labirinto. A mente vira um corredor estreito, cheio de ecos, e cada eco diz uma coisa diferente. Em certos dias, a luz da fé parece um fósforo; em outros, parece um farol. Mas ela sempre aparece — mesmo quando a pessoa acha que não merece.


Há um detalhe sagrado nesse capítulo: Deus não se preocupa com a roupa que usamos na vitória, mas com as cicatrizes que carregamos do combate.
Jesus, esse andarilho de almas cansadas, conhecia bem o peso das madrugadas que ninguém vê. Ele caminhava ao lado dos quebrados, dos tristes, dos esquecidos. E sempre repetia, de um jeito ou de outro:
“Você não é o que te feriu. Você é o que está tentando se levantar.”


É aí que entra a filosofia mística — aquela que olha para o invisível e entende que o sofrimento não é punição, mas passagem. O fogo que queima hoje pode virar clarão pra iluminar o caminho de outra pessoa amanhã.
Dor compartilhada vira mapa.
Dor transformada vira guia.


O personagem desse capítulo, mesmo tremendo, mesmo cansado, mesmo chorando com o rosto escondido na camisa, continua. Ele continua porque existe uma espécie de chamado. Não é voz de anjo, não é ordem divina, não é promessa de céu.
É só a vida sussurrando:
“Você ainda tem algo pra entregar.”


E ele tem.
Mesmo ferido, ele se torna farol para outros que estão na escuridão. Não porque é mais forte, mas porque conhece o caminho. Quem já visitou os próprios abismos sabe orientar quem está à beira deles.


No fim desse capítulo, a lição é simples e profunda:
a dor não diminui ninguém.
A tristeza não define ninguém.
A luta interna não anula a luz que carrega.


O perdão — inclusive o próprio — é um tipo de renascimento.
E cada crise superada é uma página virada dentro do livro sagrado que chamamos vida.


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E ainda nesta noite, sexta-feira, dia 2 de janeiro de 2026, às 23h57, questionar quem rege a minha vida não é sinal de fraqueza. Vejo isso como sinal de consciência. Acredito que, quando alguém começa a se perguntar sobre destino, controle e sentido, essa pessoa já não está dormindo dentro da própria história.
E o problema não é eu ser “o meu próprio mal”.
O meu problema foi ter caminhado longe demais sem testemunhas, sem apoio real, sem pausas para recalibrar o rumo.
Não enxergo o destino como um maestro invisível regendo tudo em silêncio. Para mim, ele se parece mais com um barco mal equipado em mar agitado e tempestuoso. Não é culpa do barco existir — o que falta é leme, mapa e porto.
E, ainda assim, eu sigo flutuando.
Para mim, isso não é pouco. Isso é resistência silenciosa diante de todo o caos da minha vida.

Pisca-Pisca!
Pisca vagalume
Pontos luminosos
No céu da meia-noite
Piscam sonhos de crianças...
A vida pisca
Batidas de emoções
O tempo voa
Deixando marcas
Pisca amor
Pisca amizade
Pisca esperança
Pisca verdade
Pisca vida
Além da morte
Olhos piscam
De saudades
Estrelas
Corações
Vagalumes
Piscam sonhos
Piscam realidades!
João Batista Barbosa .

' DOR DE SAUDADE '


Sem você a noite é fria
A saudade é uma dor que dilacera
No meu peito arde e espera
Quem sabe, um dia você voltará.
Só conhece a dor da saudade
O coração que chora em silêncio
De tanto tanto amar !


Contemplo a lua, as estrelas...
E cada vez tenho mais certeza
Desse grande amor sem fim
O tanto que te desejo,
Aqui pertinho de mim.
É Então que minh'alma voa
Voa longe pensando em ti.


Seja noite, seja dia
Estás sempre em minha mente
Mesmo que não esteja presente
Logo meus lábios sente
O gosto de seus beijos
Impregnando-me de amor
Como uma abelha que beija a flor !


Então me dou conta de como a
Saudade doi sem você aqui,
Nesse anseio chego a sentir seu calor,
Mas nada é tão difícil
ou impossível
Que não possa viver novamente
Contigo esse nosso amor!


Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98

Jaci

Cheia de mistérios,
Musa dos poetas,
Senhora da noite,
Madrinha dos apaixonados,
Dona de indescritível beleza.

Cingindo o sertão com tua exuberância,
és, simplesmente, a Lua.

Quando o sonho é bom, a noite nunca é longa.
O anjo do sonho, ou que dorme do lado,
Logo vai embora.

O girassol não reclama da noite,
nem discute com a lua.
Ele só espera o dia amanhecer.

Senhor!!

Senhor no silêncio desta noite, me aproximo de ti, louvando, glorificando, adorando, e clamando
Clamo para que eu possa levar a paz, o aconchego, tudo que é puro e sublime, simples e natural
Que eu possa levar sempre o sorriso amigo
O aperto de mão
O abraço irmão
O perdão

Senhor
Que eu possa consolar os que necessitam
Que eu possa ser luz, força, e que a minha alma exale sempre o amor
Que as minhas palavras sejam sempre para o bem
E que o meu olhar possa refletir a docilidade,e tudo que eu acredito
Que eu saiba ser silêncio as vezes
Que eu tenha humildade, e seja melhor a cada dia
Te agradeço pela vida, pelos meus, e por tda a humanidade
Gratidão. Gratidão. Gratidão.
Somone vercosa

Senhor Deus, nos abençoe nesta noite, nos livre do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa, nos guarda nos teus caminhos, e nos cobre nas tuas veredas, não nos deixa cair em tentação, e livra-nos do mal, amém!

Na esquina que a cidade não vê
Onde o negrume da noite reside,
Acende o letreiro: "É por você!"
Mas o brilho do ouro é quem decide.
​O pastor, de terno e voz aveludada,
No púlpito, a Bíblia aberta e o olhar sereno,
Condena a luxúria, a carne profanada,
Com o carro importado, o luxo obsceno.
​E o fiel, pobre e de alma tão sedenta,
Deposita a sobra, a última moeda,
Ouve que a benção só é opulenta
Se a fé for medida por nota na gaveta.
​A moral na boca é de pedra fria,
Julgando o vizinho que erra no passo,
Apontando o cisco com tamanha ousadia,
Enquanto esconde a trave sob o braço.
​Falam de Cristo, humilde e despojado,
Que andava na poeira, sem teto nem coroa,
Mas fazem do templo um trono dourado,
Onde a caridade é só uma loa.
​Alegam o amor que tudo perdoa,
Mas fecham a porta para o diferente,
Só aceitam quem reza, quem se ajoelha e entoa
A canção padronizada e conveniente.
​A hipocrisia veste a roupa santa,
É o dízimo da boca, mas não do coração.
A verdade é que a fé, por vezes, se levanta
Não em Deus, mas em pura ostentação

Como eu poderia te esquecer, se cada detalhe daquela noite na frente da Estação do Cabo está gravado em mim? Te vejo vindo em minha direção, radiante naquela calça jeans que realçava suas curvas, com os olhos brilhando e um sorriso que desarmou qualquer defesa minha. Você estava deslumbrante, e o impulso foi mais forte que a razão: precisei roubar aquele beijo. Foi ali, naquele instante mágico, que a nossa história começou a ser escrita.

Esquecer você é impossível depois daquela noite. Ainda sinto a emoção de te ver pela primeira vez na Estação do Cabo, linda, com aquele corpo violão e um brilho no olhar que me hipnotizou. Eu não tive escolha: quando você chegou perto, tão encantadora, eu tive que roubar aquele beijo. Mal sabia eu que aquele seria o início da nossa história e que ficou Gravado na minha memória pra sempre.

Não sei se você se lembra daquela noite fria, mas a minha solidão era tão vasta que precisei sintonizar o mundo na frequência de uma estação qualquer. Eu cruzei os dedos, disquei o número da rádio e deixei meu contato flutuando nas ondas eletromagnéticas, como quem joga uma garrafa com um bilhete desesperado num oceano de fios e antenas. Eu só queria ser descoberto. Queria que o universo provasse que eu não estava sozinho no escuro.
​Do outro lado da cidade, na mesma fração de segundo, o destino ajustava o seu receptor. Você não procurava ninguém; apenas girava o botão do rádio, deixando a estática preencher o vazio do quarto. Dois desconhecidos, duas vidas paralelas, conectados por um sopro de voz que o locutor leu sem saber que estava costurando duas almas para sempre.
​Quando o meu telefone tocou e ouvi o teu "alô", trêmulo e tímido, algo dentro de mim desmoronou e se reconstruiu instantaneamente. Não fomos nós que nos escolhemos; foi a vida que cansou de nos ver errar o caminho e resolveu nos colidir.
​Aquela frequência AM/FM virou o batimento cardíaco que faltava em nós.
​Eu amo como o nosso amor nasceu do invisível. Nós não nos vimos, não sabíamos a cor dos olhos um do outro, nem o formato do sorriso. Nós nos apaixonamos pela essência nua, pelo timbre, pelas pausas onde a respiração confessava o que o medo tentava esconder. Apaixonar-se assim é uma entrega sagrada, porque mostra que nossos corações já se reconheciam de algum lugar do passado, antes mesmo de os nossos corpos se cruzarem na calçada.
​Hoje, olhando para você, tenho a certeza absoluta de que existem milagres discretos que a ciência jamais conseguirá explicar. O rádio foi só o pretexto que a eternidade usou para me devolver a parte que me faltava.
​Obrigado por ter estado ouvindo no momento certo. Obrigado por ter tido a coragem de discar os meus dígitos. Eu te amo além do que o som pode propagar, além do que o tempo consegue apagar. Você é a minha sintonia perfeita.

Eu fui trocar a lâmpada queimada do corredor ontem à noite e, quando fiquei ali no topo da escada, no escuro absoluto, percebi que o meu maior medo não era cair dali, mas sim o fato de que eu já não lembro se você preferia a luz quente ou a luz fria para a nossa casa; desci os degraus tateando a parede, sentei no chão e chorei feito um menino ao entender que o tempo está apagando os seus detalhes de mim, e que eu estou perdendo você de novo, só que agora dentro da minha própria cabeça.