Boa noite
" Apanhamos a noite entre as mãos,
E nela bordamos estrelas.
Num céu tecido,
Por nossos olhos alumbrados".
QUANDO TE SONHO
Quando me aposso da noite do sonho,
Os pés do mar correm em ondas,
E querem se aformosear em teus passos.
Tornam-se seixos encravados em tua espera.
Na terra os braços do vento te acariciam.
Matizam-se de cores para ornar teu ventre.
Tua boca me incita,
Ao não desver o querer imaginado.
Não desperto. Cubro-me de ousadia.
Continuo te inventando,
Antes que desenleie o dia da saudade,
Entre uma e outra possível eternidade.
Silêncio (microconto)
Caminhava tarde da noite pela rua Aurora. Quando estava a uns três quarteirões de casa, ouvi um choro vindo de um beco escuro. Me aproximei, olhei em seus olhos, e então, tudo se silenciou.
Limpe pensamentos antes de ir para a cama
Isso vai lhe proporcionar um tranquilo sono
Mude suas atitudes consigo seu organismo
Precisa oxigenar sem distrações, respira
E ouça o som do seu corpo trabalhando
Zele por sua paz interior, cuide -se
A noite é um carregador divino.
A vontade do amor aquece nosso peito, entorpece nossos sentidos, estala nossos corações. O chão estremece, o teto desaba, as vidraças estilhaçam, nossos corpos se unem no centro da capela, a decretar a eloquente noite de paixão.
Dizem que a noite inspira as corujas do apagão noturno, mas a cidade por si só fica radiantemente iluminada, como o sol em meio ao universo, esplendida capacidade de acender-se diante as escuridões.
A noite transparece a calma e também o alívio das estrelas. O olhar atento da janela é o que me consola do quão pequeno é o mundo diante a imensidão do céu. De quão rapida é uma vida e quão pequeno podemos ser se não olharmos sempre pra cima, qualquer deslize pode nos deixar pequenos.
Sambando na chuva da noite (versão 2)
Sou como sou e você é como é, então somos como somos, ou talvez somos dois patos alucinados a banhar amores na poça. Não exijo nada de você e nem você de mim, apenas sua eufórica e irritante grasnada.
Então vamos nos jogar na chuva, molhar nossas cabeças. esquecer nossas diferenças, nossos devaneios, nossas mesquinharias e competições do dia-a-dia, se estamos aqui, juntamos nossas penas cheias de manias e ideais, nossos dissabores do cotidiano e nossas desavenças morrem afogadas na água.
Vamos nos jogar na chuva, e molhar nossa consciência, batizar nossas idéias, esquecer nossas bobeiras e acender nossas malicias, somos apenas dois palhaços notívagos do luar querendo se divertir.
Tentando chacoalhar com nossas malicias, inquietar em nossos romances em cantigas noturnas o samba do amor. Podemos nos esquecer nesse sambar, esquecer dos barulhos do mundo até o amanhecer.
A lua é indescritívelmente bela e os homens dos centros urbanos não podem contemplar verdadeiramente a cor de sua luz por terem seus cristalinos ofuscados, com dilatação pupilar dificultada pela invenção do bixo homem - a energia elétrica!
O tempo não se mede apenas pelos ponteiros do relógio, mas pela presença do coração em cada batida da vida. Viver bem não é correr contra as horas — é estar inteiro em cada instante, com gratidão no peito e propósito nos passos.
Vamos sair
Depois da meia noite
Pra ver como é la fora.
Sentir a brisa da madrugada.
O som assombroso noturno
Que tal bebermos?
Que tal dirigimos pra lugar nenhum?
Sem celulares
Sem hora
Sem rumo
Sem tristeza
Só nós, o mundo.
E a noite.
Cegos talvez ainda somos
Cegos ainda andamos
A primitiva beleza
Ainda não conhecemos
Por quanto tempo irá
As luzes artificiais nos cegar
Por quantas noites
Vamos peregrinar
Até que céu se torne
A companhia para os solitários
A tela para artistas
E versos para poetas.
La noire, assim seja o despido céus.
Com sorte de nenhuma mágoa
Que surge sobre os desatentos mirantes
O lampejar dos astros é perdurável.
La noire, que enfeitiça quem te olha.
Com teus infinitos vigilantes
Que no teu intimo orbitam.
Perpetuam por olhares extasiados
La noire, faz da noite, tua arte.
É uma noite limpa
Clara, céu estrelado
Com meus olhos aos céus
Eu lanço meus pensamentos
Que estão pronunciados com teu nome
Mas eu sei que estes
Nunca serão entregues a você
São lançados a escuridão da noite
E as estrelas guardam com elas
Todos estes segredos.
É a noite ao clarejar dos céus
Que é possivel enxergar,
As estrelhas aconselhando
Cada simpatizante delas.
Era uma filarmônica,
o nome do espetáculo
era universo,
e naquela noite
seus olhos se apresentaram
diante de mim.
