Boa noite
As vezes o caminho
Se torna muito estreito
Carregado de espinhos
E vai perfurando o peito
Não há caminho sem fim
E nem fim sem recomeço
Mesmo tendo um dia ruin
A noite sempre agradeço
O álcool da meia-noite
Palavras… são elas tais, sem tirar nem por, muitas vezes, razão dos meus ais.
Essas que rastejam pela sombra da noite e não precisam ser verbalizadas para serem ditas.
Proferem algo que o insano fará e o são achará louco.
Vício esse que já não posso largar.
Um tanto contraditório, pois tenho leveza e não sinto mal-estar.
Indiferente, mas ainda assim feliz de um jeito que não sei e até se faz preferível não explicar.
Distópico, convexo e módico.
A dor já não me acomete mais, pois ontem cometi sincericídeo.
A sucessão dos dias e noites é uma benção poderosa que nos permite recomeçar em uma página nova a cada novo amanhecer. Escreva coisas lindas na tua e tenha um maravilhoso dia!
É Domingo à noite. E o que nos resta? Dormir! Pois esse é o único meio para pularmos esse fatídico momento.
Título: Eco sem nome
Estava indo tudo bem, até que…começou a tocar essa música
Minha voz foi cortada pelo silêncio
Apenas um instrumental repleto de sentimento.
E eu celebrei a nostalgia, como se nunca a tivesse vivido, não prometendo algo a mim mesmo,
Mas, rasgando-me no deserto das horas
(silenciosas)
Busco a não paz, o eco da saudade que se faz e desfaz.
Porque relembrando o momento cotidiano da minha criança interior,
Revivi várias promessas,
que eu negociei com penhor.
As forças de um pescador
Não eram as de um sujeito qualquer,
Eram as forças de um senhor, as memórias de um baiano,
Que se dizia meu avô.
Isso é excentricidade dos poetas.
É o eixo do corpo carregado de nostalgia e constância de alma,
É o pulsar de um coração de areia,
Levado pelo vento, levado pela força espiritual,
E isso talvez seja o caso, pois o ontem é um fantasma sem nome.
Mas o fantasma não é invisível?
É sim por isso mesmo que fica no coração.
Exceto se você for uma sombra do dia anterior,
Uma miragem a ser temida, mas nunca tocada.
O que me importa, é ser uma versão diferente de mim mesmo,
Assim como no espelho quebrado do agora,
Que mesmo fragmentado mostra como eu sou.
Estava indo tudo bem, até que…
Começou a tocar essa música de novo
Domingo à noite
São meios de encarar essa escuridão
ZZZ então surge Zollim, Zollim é a voz do coração
Zollim é sentimento, Zollim é a melodia única,
Que diz sobre a emoção
Que celebra o movimento,
Que celebra o invisível ao palpável,
Transformando sombras em saudades,
E a ansiedade do domingo, em uma obra-prima.
✍️...😴💤
"Quando a noite chegar
e eu me deitar,
e as reflexões chegarem em sonhos,
trazendo lembranças do dia que passou, e eu pedirei em oração ao meu Criador, que esconda as tristezas que estiverem direcionadas a mim... Daí então de mãos dadas com a minha fé dormirei em paz... 🕊️ 🙏
***
Vou tirar os fones
a melodia externa
é a que mais me consome
chove intenso
é noite de orgias
pingos molhados
gargalham energias
noite de amor
gotejam as torneiras do vinho
e as trovoadas
arrancam rolhas
de espumantes
é noite de charcos
de relâmpagos faiscantes
de entrelaces de amantes
é noite
e chove
tudo está
distante.
Estava sozinho na penumbra da noite a caminhar, com os pensamentos ao longe a te procurar. Uma lembrança me fez recordar, o quão bom era, quando tinha sua boca para beijar.
Ontem, o passado e o presente se encontraram,
Em um encontro marcado pelo destino.
Olhares que se cruzaram, sorrisos que se desenharam,
E o tempo parou, como se o mundo estivesse em suspenso.
A memória da saudade se apagou,
Quando os braços se abriram e o abraço foi verdadeiro.
O coração, que batia forte de ansiedade,
Se acalmou, pois o amor estava ali, presente.
As palavras se perderam, mas os olhos falaram,
E a emoção transbordou, sem precisar de linguagem.
O ontem se encontrou com o hoje,
E o futuro se iluminou, cheio de promessas.
O encontro de ontem foi um renascimento,
Um recomeço, um novo capítulo.
E agora, o amanhã é visto com esperança,
Pois o amor que voltou é para sempre.
*Entre o Tempo e o Amor*
Em uma noite solitária, o céu desprovido de estrelas, o tempo escorre como areia na ampulheta. Um jovem reflete sobre o tempo incessantemente, mas sobre o que exatamente? A resposta é evidente... no amor. Olhos castanhos, como o café que o mantém acordado, transmitem uma saudade bordada em seu peito. Uma jovem tão deslumbrante quanto o pôr do sol, cabelos lisos e um sorriso suave que se revela em seus lábios.
Este rapaz, imerso nos momentos passados, nos beijos e sorrisos compartilhados, lágrimas derramadas e pensamentos deixados, está completamente apaixonado por um amor que o faz refletir sobre a vida e seus planos. Anseia por um abraço, mas não de qualquer um, apenas dela, a garota que mudou seu coração.
Ele pensa nela como Van Gogh via a noite estrelada. Ama-a não como Romeu amou Julieta, mas como o dia que não é completo sem o sol, como a maré alta que depende da lua, como o céu á noite é iluminado por estrelas.
De maneira sincera, nos dias mais sombrios, entre versos e palavras escolhidas, este simples rapaz descobriu sua resposta. Como se sente ao lado dela? Ele interpreta esse sentimento como se estivesse imerso nas páginas de uma história de amor, um romance que ansiava vivenciar. Hoje, apesar dos erros e dá dor, ele compreende o verdadeiro significado do amor.
Como a noite é longa!
Só, as noites sem ti.
Senta-te, amor, perto
Do leito onde esperto.
Vem pr'ao pé de mim...
A saudade me consome,
Em cada pulsar do coração.
Aqui ao pé da cama
Teu nome ecoa, chama,
Ansiando por tua mão.
És a minha estrela,
A luz que me guia.
Como estou presente!
Sussurra-me ao ouvido
E a distância se afilia.
Que é feito de tudo?
Que fiz eu de mim?
Deixa-me sonhar,
Sonhar a sorrir
E seja isto o fim
Desta noite sem ti.
A NOITE DO CERRADO
Já bem sombria, oculta, a noite no cerrado
cerra o dia, o céu numa escureza pulsando
numa poética a noite as estrelas vai fiando
e a lua no horizonte num aparar alumiado
Anoitece o sertão em um tom cadenciado
que, a toada do pôr do sol vai ressonando
ouvindo o curiango a cantar, abençoando
a cada recanto do sem fim tão enturvado
O dia sepultado, no cerrado, a noite gesta
á sombra do cosmo, em uma diurna festa
inteiramente, diversa, e cheia de segredo
É cair da noite, é encantamento, o ir além
calmamente a esperar pelo raiar que vem
ninando os sonhos para um novo enredo.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/11/2024, 21’12” – Araguari, MG
Já era tarde
A noite avançava
E as palavras dela me alcançaram
Eram como dois braços estendidos
Me convidando para um abraço
Já era tarde, mas não para o amor...
Orvalho
Há uma calma umidade que se detém,
silenciosa, atrás das cercas — nas tramas do mato,
onde o peso das horas mal se sente.
Não teve o tempo de ser apenas água,
carregou-se de sentido ao escorregar da
folha na sombra fria da noite.
Segue um curso que não escolheu,
um fio d’água, sentimento indefinido
que se perde nas dobras do ser.
Será lágrima do mundo ou suor da terra?
A incerteza do líquido que se dissolve é a mesma
da superfície breve de tudo o que vive.
Do gotejar ao chão, desfaz-se em ser,
água que se entrega ao jardim sem mágoa,
rompe as raízes, dissolve o silêncio,
sempre sendo outra, sempre fugindo de si.
Nas bifurcações da vida, onde tudo se entrelaça,
dilui-se para que a essência se revele,
ciclo de entrega e retorno, onde a fragilidade
se faz força.
Inquilina da própria queda,
desce da folha como do cílio uma lágrima,
com o gosto salgado do mar que nunca viu,
e o peso de todos os sonhos que se
perderam.
Não é a mesma lágrima de outrora,
não é a mesma gota que escorreu um dia,
quando despejada tocou as pedras que
chamei de peito.
Entre Lençóis e Silêncios
Hoje:
Eu só queria me recostar nas tuas curvas, como um lençol;
Lembrar o quão seguro é a leveza de uma noite de sono;
Daquelas que nem vemos chegar, sem cobranças ou julgamentos.
Acariciar tuas costas sem intenções, mas com diversas interações;
Interações que, nos refletem no íntimo, no inconsciente;
Daquelas que quando nos damos conta, o riso fácil, doce e despretencioso toma nossa face,
Face esta que esconde muito de tudo, mas demonstra pouco de quase nada;
A guarda baixa; a frieza na barriga do desejar, querer ser ou estar;
Disponivel a tí ou para tí;
Mesmo que fosse pra recobrir tuas costas com o lençol,
O mesmo que, ao amanhecer é testemunha de uma noite de sono,
Mal ou bem dormida;
De dores, amores, insônias e pensamentos longínquos,
Mas que, diferente de mim sempre tem o privilégio:
De nas tuas curvas se encaixar...
Ela é a dama da noite, envolta em mistério e perfume intenso. Surge como uma aparição etérea quando a lua repousa sobre a cidade adormecida. Seu brilho não precisa de testemunhas, pois há algo divino na liberdade de desabrochar apenas para a escuridão. Tal como a flor que floresce uma única vez ao ano, ela não tem pressa — sabe que a intensidade é mais bela quando breve.
Curte a noite como quem dança com o tempo, sem medo de que o amanhã a encontre. Sua presença é um convite à ousadia, um instante que não se aprisiona. Tem o perfume das aventuras mais secretas e o coração marcado por uma certeza inabalável: viver intensamente vale mais do que durar eternamente.
E quando a aurora desenha seu contorno no céu, como a flor que se despede com a chegada da manhã, ela recolhe seu encanto. Não por fraqueza, mas por sabedoria — a beleza rara reside justamente no instante em que desabrocha. Ela sabe: ser inesquecível não é resistir ao tempo, mas marcá-lo com um aroma que ninguém jamais esquecerá.
