Tamara Klink
Enquanto procurarmos o amor no outro, faremos da solidão nossa rival.
Não imaginei que me sentiria completa sozinha. Que, no escuro, encontraria beleza. Que encontraria nos perigos a liberdade.
O amor não está em prêmios, objetos, prestígio, números numa conta, listas de países viajados. Ele mora nas sensações.
As cidades, a pressa, a internet nos fazem esquecer que a vida acaba – é talvez por isso que a gente renuncia às sensações. O sentido da vida é sentir.
Os fins de semana perdem o sentido sem os dias úteis. As férias e as viagens são mágicas porque finitas. É o fim das coisas que lhes dá valor.
Navego num mar de memórias e descubro que esquecer é necessário para poder lembrar.
Pensei que, quando crescesse, teria mais respostas para as perguntas que me trouxeram até aqui. Mas sempre surgem novas. Crescer não nos dá mais respostas, nos dá mais lembranças.
Assim devem se sentir os velhos que nunca mudaram de cidade, ou de bairro. Pensam que conhecem os lugares, mas ao sair são eles os estrangeiros. Memória é só memória. Acreditamos que dominamos o mundo, e o mundo ri da nossa cara.
A companhia torna as sensações mais intensas – e brilhantes.
