Sidiney Breguêdo

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Escrever sobre tudo. Destruir a própria intimidade, esta é a missão dos bons poetas. Falar do mundo paralelo, interior e real que sucumbe à sabedoria popular.

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Surfar na língua, ficar molhado pelo cuspe do guri original, que jogou biloca, que caçou pardal e tisil somente para olhá-los brincar e voar juntos. Ah, surfar na língua, quem dera, na língua com suas enormes ondas, em tempos de mudanças tão drásticas, onde tiram do vovô o chapeu e deste o acento.

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Cada discurso é a construção de um muro psicológico, quando vou a reuniões e palestras fico observando o povo em geral, cada um encima de um muro, e na sociedade toda as pessoas sentadas nos mais vagabundos, nos mais deteriorados, se torturando em arames e cercas elétricas, mas satisfeitos com a verdade dos outros. Alguém já disse: "pare o mundo, quero descer!"

O ódio? O que é o ódio? Ele é calendário sem fim dos dias intermináveis, a mão que arde na brasa da burrice.

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FAXINA NO FIM DO LIVRO

Uma faxina na casa alivia a alma

Que dorme na inconsciência do medo.

Quão suja está esta ideia

Murmurando silogismos tristes

De heróis mortos.

Ainda escuto estórias de um poeta

Lutando na guerra de canudos.

Seus papiros estraçalhados

Comandando as tropas

No cair da noite,

No regar do vinho.

Nenhuma verdade será dita

Na poesia.

Poesia é mentira escatológica

Murmurada na caverna

Da alma.

Onde maravilhosas

Sementes de plágio

Naufragam na contaminação

Vermelha do sangue.

Tem que ter cor!

Letras pálidas

Não trafegam pela multidão.

Afirmem o sim,

Neguem o não,

Poesia boa é a que causa explosão.

A que mata gente,

Sem compromisso com a verdade.

Um turbilhão de insetos

Procura entrar por teus olhos,

A paisagem noturna

Parece a imensidão de águas

No centro do mar.

Deixa sair os bichos da carne!

Um velho aposentado,

Apodrecendo no sofá da sala,

Se prepara para ser poeta.

Poeta é o que já foi

E será,

Como as águas evaporadas

E condensadas em chuva

Do mar.

Tamanha dor do mundo

No coração do vagabundo

Crucificado do lado de cristo.

Sem palavra,

Solto ao horror esferoide

Do grito sempre vivo no seu ouvido.

E o que lhe dizem os anjos?

Seus arranjos têm lógica?

Não é fácil suportar as letras nos olhos

Quando a grama verde

Se comunica com os pés.

Abre-se branco um horizonte esparramado

Onde cavalos coloridos

Estudam lições do marxismo.

Neste miolo de algazarra, meu pai,

Senhor e menino,

Em sua carroça de bois,

Busca areia no riacho

Enquanto pajeio os sapos

Nas margens plácidas.

O que me contam eles

É digno de respeito:

A verdade dos reis

Aberta como conceito.

São descendência da nobreza,

Voltarão como voltou Cleópatra

Postos a mesa.

Não importa,

Meu pai não percebeu a importância

Daqueles seres.

Nem dos poetas,

Notáveis reis do insignificante.

Uma áurea de insônia

Acompanha cada um desde que nasce.

Faz uma faxina,

Lata de goiabada não entra no museu.

Guerra de almofadas e pesadelos,

Faz os melhores textos

Quem não tem zelo.

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Eu vi de tudo! Foi o que me disse um cego na fila do INSS.

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Nenhum tempo é todo o tempo que eu preciso. Minha vertigem se esconde na esquizofrenia do nada e é o alento que me faz pensar, se nada sei do que não aprendi, tampouco posso acreditar naquele conhecimento que veio dos outros.

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Os filósofos sempre acreditaram que pensar não é uma atividade, por isso conseguiam ficar horas fazendo isso sem se cansar, quando o homem tornou o pensamento forma rudimentar de trabalho, o cansaço se apossou do intelecto humano. Talves seja por isso que as grandes ideias surgem nos lugares mais inusitados e no trabalho nos falta inspiração.

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Tentam arrumar significado para tudo, até para um beijo. Ora, um beijo é a forma que o ser humano achou de namorar olhando estrelas no céu da boca.

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Os operários passam o dia no trabalho, trabalho pesado, e quando chegam em casa vão ver novela e aguardam na mão o prato de comida, antes de irem para cama dormir. Mas o intelectual não, este não desliga, nem mesmo depois do trabalho. É no correr da longa noite que repassa suas idéias mais preciosas. Veja um homem com grandes olheiras e saiba: ali tem um intelectual.

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Desprezar o poder que existe nas mãos de homens sem expressão, pequenos homens, como servidores públicos, policiais, pais, ou mesmo presidiários, ignorando a microfísica do poder, certamente é a forma mais fácil de deixar o país cair em desgraça, já que este poder aparentemente microscópico invade a casa dos homens mais simples.

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Morrer de estudar uma idéia, dormir e acordar com ela, como se fosse a coisa mais importante com a qual encontraste, este é o grande momento do poeta.

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O amor tem uma missão. Pense em todos os grãos de areia da praia, o amor precisa juntá-los. E se você acha isso absurdo, é porque ainda não conheceu o amor.

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Quando a subida é árdua, o coração desfalece e a mente lhe faz respiração boca a boca.

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Amar é a arte de dar chances.

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O amor sabe unir dois polos de um pensamento só. Ele apazigua os horrores da guerra que existe nos homens e os põe aos pés das mulheres descansando da solidão.

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Arrisque tudo quando o amor te pegar pela mão: ande na corda bamba, mergulhe no mar, lute com os leões, mas não se arrependa.

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Arrisque tudo, mas saiba que a sorte é como um raio que vem e vai, não se esqueça das pessoas ao teu redor.

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Arrisque tudo e siga em frente, não há queda para quem quer se levantar.

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Um beijo gostoso na mulher amada faz voar.

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É uma pena saber que todo político que tomar posse vai roubar.

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Hoje estou mesmo zoado, resolvi tomar champanhe e assar carne, isso não é normal.

Senti hoje o peso da indiferença. Ela pesa o mesmo que o esforço feito para ficar naquele lugar de escárnio, que é o lugar comum.

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Como as palavras andam! Rodam o mundo e voltam, mas sempre voltam carregadas de impressões. São as impressões que as tornam universais.

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As palavras não têm beleza alguma, as palavras são como tijolos cinzas ou vermelhos, elas precisam se abraçar para ficarem belas.

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