Shandy Crispim
Inventei de tornar
meu próprio astronauta,
para caçar toda as coisas
iluminadas que hoje eu sei
que existem dentro de mim,
em algum lugar no meio
desse universo de ser.
Quando você se desperta
parece que todo o mundo
está do avesso mas na verdade,
são só as pessoas
que ainda não saíram
do lado de dentro delas.
Eu vejo e penso,
fico vendo todas essas pessoas,
no ônibus, rua,
me pergunto como deve ser
a história de cada um.
Me pergunto como que deve ser
o encanto de cada um.
Acho que o ser humano
é uma criatura tão bonita,
apesar de tudo que a gente vê.
“Cada um tem seu encanto.”
disse ela.
Abra janelas da alma
deixa o sol entrar,
deixa que vem
a brisa do mar.
Deixa nascer
você vai florescer,
é ainda mais fácil
quando permite acontecer.
Afinal, o que chamam de destino
é apenas um buqê de resultados
de tudo que você fez nessa vida
e coisas que deixou de fazer.
Ela é para mim como Saturno,
está lá, e é uma das coisas
mais lindas de se ver,
não tem como não notar
quando se cruza com ela.
Ela é como Saturno,
só não sei como chegar até lá.
Assim como a intensidade
nas cores no terraço do café à noite,
e às vezes tão confuso,
quanto a noite estrelada,
a vida é como
obras de Van Gogh.
Queimavam naquele romance,
ardiam como cometas
entrando na atmosfera.
Durou tempo suficiente
para que pudesse deixar
algumas memórias
lá em cima naquele céu.
Era um casal,
no fim de um espetáculo
dançando uma música qualquer
que só tocava na cabeça dela,
no meio da multidão
que caminhava em direção
para casa, e não em um
novembro qualquer.
Todos olhavam
ninguém entendia
o que estava acontecendo
mas era diferente,
bonito de presenciar eu diria.
