Homenagem a Biotoviski Entre cinzas,... Orlando Biotoviski

Homenagem a Biotoviski

Entre cinzas, ferrugem e café frio,
existia um homem
tentando permanecer humano.

Ninguém percebeu de imediato.
A maioria apenas viu o silêncio,
o olhar distante preso em lugares
que não estavam na frente dele.

Mas dentro…
dentro existiam tempestades inteiras
aprendendo a andar em silêncio.

Ele colecionava ausências
como quem guarda cartas antigas dentro de gavetas,
não por apego,
mas porque certas dores
quando sobrevivem demais
criam raízes.

E ainda assim,
continuava.

Continuava afinando a própria fé
como quem segura uma vela acesa
durante um vendaval.

Continuava escrevendo mensagens escondidas
em poemas que ninguém lia corretamente.

Continuava tentando amar
sem assustar ninguém com o peso
que carregava no peito.

Talvez esse tenha sido seu maior milagre:
não endurecer.

Porque o mundo tentou.

Tentou nos dias escuros.
Tentou nas despedidas.
Tentou quando ele se sentiu sozinho
mesmo ouvindo vozes ao redor.

Mas ele continuou oferecendo gentileza
com mãos cansadas.

E poucos entenderam
que algumas pessoas não demonstram sofrimento chorando.

Algumas demonstram…
continuando.

No fim,
ele parecia uma dessas estradas mineiras durante chuva:
silenciosa, fria, longa…
mas estranhamente bonita
para quem realmente parasse para olhar.


Uma Homenagem ao meu eu introspectivo, que foi capaz de expressar muitas das minhas dores.
Obrigado! Biotoviski
19/05/26