Olavo de Carvalho
"Mas a autoconsciência não é um objeto. É um poder vacilante, que se constitui e se conquista a si mesmo na medida em que se pergunta pelo seu próprio fundamento e, não o encontrando dentro de seus próprios limites, é levado a abrir-se para mais e mais consciência, até desembocar numa fonte que transcende o universo da sua experiência e notar que dessa fonte, inatingível em si mesma, provém, de maneira repetidamente comprovável, a sua força de intensificar-se a si próprio."
"Se não posso conhecer 'a coisa em si' [como disse Kant], eu também não posso conhecer o 'eu' em mim. [...] Se eu só posso conhecer as coisas como 'fenômenos', também só posso me conhecer a mim mesmo como 'fenômeno'. [Desse modo], em que medida um 'fenômeno' pode ser sujeito, e com que direito você diz que um simples 'fenômeno' tem uma estrutura de percepção universalmente válida? Se é um 'fenômeno', só se conhece empiricamente. E tudo o que [Kant] fez para analisar a sua estrutura de percepção, também seria fenomênico. [...] Em suma, o universo de Kant está todo errado, é tudo fantasia, é tudo besteira, e é melhor esquecer."
"Quando começamos a fazer perguntas filosóficas no tempo da nossa adolescência é exatamente a isto que estamos procurando: um refúgio intelectual contra a complexidade e o tamanho de uma realidade que nos abarca, e que não controlamos de maneira alguma. É isto o que os fulanos chamam de busca da verdade quando é exatamente o contrário. É a busca de um refúgio [...] intelectual contra a complexidade do real."
"A maturidade intelectual é quando já não buscamos aquele esquema conceptual, doutrinal, ou aquela crença que vá nos defender contra a realidade, mas quando buscamos o ajuste da nossa inteligência ao quadro da realidade que estamos vivendo, ou seja, não queremos mais fugir da realidade. Queremos entrar nela e experienciá-la com toda a medida da sua complexidade, da sua riqueza [...]."
"Esta é a medida máxima que a inteligência humana pode alcançar: a participação consciente e lúcida numa realidade que ela não pode abarcar. Ou seja, não sabemos quais são os limites da realidade, qual é o quadro inteiro, nem a resposta final, mas sabemos onde estamos, o que estamos fazendo aqui e sabemos o que está acontecendo."
A diferença entre sofrimento humano e sofrimento animal é esta. O bichinho sofre e não tem a menor idéia do porquê. E nós podemos (na medida em que podemos), dentro da própria experiência do sofrimento, tirar uma imagem da nossa dignidade, de seres que têm acesso à verdade. E isto é o máximo que podemos conseguir nesta vida.
Quando Aristóteles dizia que a forma superior de vida é a forma contemplativa, era isto o que ele queria dizer. É entender o que está acontecendo. Se ao invés de procurar entender, busca-se apenas defender-se da situação, procurando o prazer e evitando a dor, faz-se exatamente o que um bichinho faz.
"O máximo que o filósofo pode fazer é tentar dar aos seus ouvintes aqueles momentos de lucidez que são a expectativa da Vida Eterna. Lembrar a Vida Eterna é a função máxima do filósofo: entender a vida transitória, o momento que passa e a situação real em que se vive, e puxar a alma da consciência viva da situação para a recordação da esperança da Vida Eterna (que é mais que esperança, é certeza)."
"A grande literatura de ficção mostra-nos como é a vida humana, mas não pode nos explicar o porquê. Para fazê-lo, teria de subir um grau na escala de abstração, tornando-se análise e teoria, abandonando portanto a contemplação da vida concreta, que é o seu terreno específico."
"No meio cultural subdesenvolvido, o maior risco que você corre não é o de permanecer inculto. Isso você pode superar mediante o estudo. O maior risco é o da alienação, o de viver num mundo de idéias gerais que não têm nada a ver com a sua existência concreta."
"Tal como o homem que enriqueceu não deve esquecer seus dias de pobreza, para não se tornar arrogante e insensível, aquele que se tornou um letrado, um intelectual, não deve desprezar a miséria espiritual e existencial que lhe serviu de ponto de partida e que será sempre, por contraste, a sua medida da escala humana."
"O sujeito que é burro diante de um escrito é necessariamente mais burro diante da vida, exceto, é claro, no círculo limitado da sua experiência repetitiva, onde a eficácia das soluções herdadas lhe dá uma ilusão de inteligência."
"De todos os bens humanos, a inteligência – e inteligência não quer dizer senão consciência – se distingue dos demais por um traço distintivo peculiar: quanto mais a perdemos, menos damos pela sua falta. Aí as mais óbvias conexões de causa e efeito se tornam um mistério inacessível, um segredo esotérico impensável. A conduta desencontrada e absurda torna-se, então, a norma geral."
"O que nos torna humanos é o fato de que tudo aquilo que imaginamos, raciocinamos, recordamos, somos capazes de vê-lo como um conjunto e, com relação a este conjunto, podemos dizer um sim ou um não, podemos dizer: 'É verdadeiro', ou: 'É falso'. Somos capazes de julgar a veracidade ou falsidade de tudo aquilo que a nossa própria mente vai conhecendo ou produzindo, e isto não há animal que possa fazer."
Ser cristão NÃO É ter uma conduta irrepreensível, nem muito menos andar só com pessoas de conduta irrepreensível. É levar uma vida de CONFISSÃO e PERDÃO. É carregar nas costas os pecados dos outros, em vez de fugir deles fazendo o sinal da cruz. NÓS temos de SER o sinal da cruz.
Onde já se viu debate sem divergências? Debate unânime? Debate entre o "amém" e o "sim, senhor"? Eu imaginava que isso só ocorria na extinta URSS.
Espernear contra a classe dominante é próprio dos jovens filhos da classe dominante.
O homem em dificuldades necessita de mais demonstrações de respeito do que as pessoas em situação normal.
”Numa época em que até o Batman já reconheceu que o Coringa tinha lá suas razões, esse insólito retorno ao maniqueísmo explícito não pode, no entanto, ser compreendido como mero anacronismo simplório: por trás de sua aparente inépcia existe a opção consciente e maquiavélica por um esquematismo doutrinário que, se falha às exigências da cultura superior, atende com superior eficácia aos desígnios da manipulação publicitária.”
"Sou contra política partidária nas escolas, mas favorável a todas ideologias nas escolas! Assim os alunos terão uma ampla visão para fazer suas opções"
Quem não sabe desprezar não sabe respeitar. Se você não sabe o que é desprezível você não sabe o que e respeitável. (Aula 491 C.O.F.- 26 10 2019)
Campanha por "moradia digna"? Até um barraco de papelão é digno, se for pago com trabalho honesto. A única moradia indigna é aquela que é recebida de graça, do governo, mediante gritaria, intimidação e chantagem.
