Northon Salomao

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Aquilo que parece imediatamente verdadeiro pode ser apenas uma ideia cujas mediações ainda permanecem invisíveis.

A liberdade sem consciência de suas consequências é apenas arbitrariedade com vocabulário filosófico.

O pensamento amadurece quando deixa de escolher entre os opostos e começa a investigar aquilo que produz a oposição.

Nenhuma instituição é racional apenas porque existe; sua legitimidade começa quando pode sobreviver ao exame da razão.

O Direito transforma a liberdade individual em responsabilidade socialmente reconhecível.

A neutralidade do Estado não exige neutralidade da consciência; exige apenas que nenhuma consciência seja convertida em medida obrigatória das demais.

A verdade não se torna mais verdadeira porque possui maioria, tradição ou autoridade; torna-se intelectualmente mais resistente quando suporta a crítica.

O homem é produto de circunstâncias que não escolheu, mas sua liberdade começa precisamente na possibilidade de interrogá-las.

A consciência é o lugar paradoxal em que o ser humano pode transformar a própria certeza em objeto de dúvida.

Toda forma de poder começa a revelar seus limites quando aquele que a exerce precisa justificar racionalmente sua existência.

A inteligência de uma sociedade pode ser medida não apenas pelas respostas que produz, mas pelas perguntas que permite formular.

A razão que não admite contestação já deixou de ser razão e começou a funcionar como autoridade.

O progresso humano não consiste em eliminar as contradições, mas em desenvolver instituições capazes de conviver racionalmente com elas.

O passado não determina absolutamente o presente; mas o presente raramente compreende a si mesmo sem decifrar aquilo que herdou.

O pensamento verdadeiramente livre não precisa destruir a tradição; precisa apenas impedir que a tradição se torne substituta da consciência.

Talvez a forma mais elevada de liberdade seja esta: pensar sem submissão, conviver sem imposição e agir sem abdicar da responsabilidade.

Há prisões sem grades: são as vidas que continuamos a viver apenas para que os outros continuem acreditando que somos felizes.

Nenhuma maioria deveria possuir o poder de abolir os direitos fundamentais de uma minoria.

A democracia não transforma a maioria em proprietária da verdade.

A lei pode organizar a sociedade, mas não deveria pretender governar a consciência.

O Direito civiliza o poder quando transforma sua vontade em limite jurídico.

Quando a lei se torna instrumento da intolerância, sua forma permanece jurídica, mas sua finalidade deixa de ser civilizatória.

A liberdade de expressão não protege apenas ideias populares; protege precisamente aquelas que incomodam o poder.

Uma Constituição vale também pelo que impede a maioria de fazer.

O Estado de Direito começa quando até o Estado descobre que também está submetido à lei.