Northon Salomao
Toda censura começa acreditando proteger a sociedade de uma ideia e termina protegendo o poder de uma pergunta.
A dúvida não destrói a razão; impede que a razão se transforme em autoridade sobre aquilo que desconhece.
O maior triunfo do Iluminismo não seria descobrir todas as respostas, mas tornar legítimo perguntar novamente.
A liberdade precisa de leis não para impedir o pensamento, mas para impedir que alguém possua o pensamento dos outros.
Talvez a maturidade de uma civilização possa ser medida pela quantidade de dúvidas que ela consegue suportar sem recorrer à violência.
O verdadeiro esclarecimento não consiste em substituir antigos dogmas por novos, mas em conquistar o direito de duvidar de todos.
A consciência não nasce preenchida por verdades prontas; é a experiência que fornece à razão a matéria com que ela constrói o conhecimento.
O intelecto não inventa sozinho aquilo que conhece; grande parte de sua matéria-prima chega através da experiência.
Nossas ideias não são necessariamente reflexos perfeitos da realidade; são construções do entendimento que precisam ser examinadas pela razão.
Onde a experiência não oferece matéria ao pensamento, a razão pode imaginar possibilidades, mas dificilmente poderá transformá-las em conhecimento seguro.
Reconhecer os limites do conhecimento não diminui a razão; impede que a ignorância seja disfarçada de certeza.
Liberdade não significa ausência de toda norma; significa não estar submetido à vontade arbitrária de outro ser humano.
Nenhum indivíduo nasce naturalmente proprietário da liberdade alheia; a igualdade humana impede que a dominação seja confundida com direito.
O poder político não pertence pessoalmente ao governante; é uma responsabilidade confiada para proteger direitos que não foram criados pelo próprio poder.
O Estado encontra sua razão de existir na proteção da vida, da liberdade e dos bens, e não na transformação do cidadão em objeto de sua autoridade.
Quando o poder instituído para proteger direitos passa a destruí-los, a própria autoridade começa a entrar em conflito com a finalidade que justificava sua existência.
A propriedade nasce, em Locke, da relação entre o indivíduo, seu trabalho e aquilo que a natureza disponibiliza, estabelecendo uma conexão entre esforço, apropriação e responsabilidade.
A sociedade política não deveria apagar os direitos que os indivíduos possuíam antes do Estado; deveria criar mecanismos capazes de protegê-los contra a arbitrariedade.
A lei não encontra sua dignidade na capacidade de constranger, mas na função de limitar a arbitrariedade e tornar previsível o exercício da liberdade.
A tolerância começa quando o poder reconhece que não possui jurisdição legítima sobre a consciência simplesmente porque possui força sobre o corpo.
O Estado pode regular condutas necessárias à convivência civil, mas transformar divergência religiosa em crime é converter autoridade política em instrumento de consciência.
A liberdade de consciência significa que nenhuma autoridade externa deveria possuir o direito de fabricar convicções dentro da mente de alguém pela força.
