Northon Salomao
Talvez o amor seja uma de nossas escolhas mais arbitrárias: encontramos uma pessoa entre milhões e damos ao acaso o nome de destino.
Existe uma solidão que não é falta, mas espaço. É nela que descobrimos se nossa própria companhia é abrigo ou condenação.
Estar sozinho é uma situação; sentir-se sozinho é outra coisa. Entre as duas existe quase toda a complexidade de ser humano.
E quando as respostas acabarem, talvez ainda reste o essencial: a noite, o silêncio e aquela vontade inexplicável de continuar.
“A vida não nos deve felicidade; no máximo, concede-nos algumas noites decentes antes de cobrar, em silêncio, o preço de termos estado vivos.”
O homem inventa absolutos para não suportar a vertigem de descobrir que muitos de seus valores possuem uma história
Há leis que protegem a liberdade e leis que apenas conferem aparência jurídica aos costumes de uma época
Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.
A liberdade começa quando o indivíduo deixa de confundir a voz da consciência com o eco das normas que o formaram.
Toda sociedade estabelece seus interditos antes de compreender suas razões; depois chama de imoral quem ousa perguntar por elas.
O poder mais sofisticado não é aquele que obriga o homem a obedecer, mas aquele que o convence de que sua obediência nasceu de sua própria vontade.
Talvez a maior rebeldia intelectual não seja destruir os valores, mas submetê-los ao tribunal de sua própria genealogia.
Entre a norma que ordena e a consciência que questiona existe o território onde o homem começa, finalmente, a tornar-se autor de si mesmo.
A inteligência humana talvez não seja medida pelo número de respostas que possui, mas pela quantidade de perguntas que consegue preservar sem mutilá-las.
A humildade epistemológica não diminui o homem; apenas impede que uma criatura finita se proclame proprietária do infinito.
Talvez a mais honesta frase diante do universo seja também a mais difícil: não sabemos, e continuaremos investigando.
O problema não é apenas que os ignorantes tenham certezas, mas que a certeza frequentemente ofereça à ignorância a aparência de conhecimento.
A dúvida não é inimiga da inteligência; é o espaço respirável entre aquilo que pensamos e aquilo que podemos demonstrar.
Não morreria por minhas convicções, porque a humildade intelectual exige deixar aberta a possibilidade de que amanhã os fatos me obriguem a abandoná-las.
A religião frequentemente promete respostas onde a filosofia encontrou perguntas, e talvez seja precisamente essa diferença que explique sua força.
O medo constrói deuses com a mesma matéria com que constrói prisões: a necessidade humana de encontrar segurança diante do desconhecido.
