Northon Salomao

2876 - 2900 do total de 5219 pensamentos de Northon Salomao

Talvez o amor seja uma de nossas escolhas mais arbitrárias: encontramos uma pessoa entre milhões e damos ao acaso o nome de destino.

Existe uma solidão que não é falta, mas espaço. É nela que descobrimos se nossa própria companhia é abrigo ou condenação.

Estar sozinho é uma situação; sentir-se sozinho é outra coisa. Entre as duas existe quase toda a complexidade de ser humano.

E quando as respostas acabarem, talvez ainda reste o essencial: a noite, o silêncio e aquela vontade inexplicável de continuar.

“A vida não nos deve felicidade; no máximo, concede-nos algumas noites decentes antes de cobrar, em silêncio, o preço de termos estado vivos.”

A chuva cairá, mas as estrelas estarão sempre lá.

Toda moral que teme ser interrogada já começou a transformar sua própria fragilidade em dogma

O homem inventa absolutos para não suportar a vertigem de descobrir que muitos de seus valores possuem uma história

Há leis que protegem a liberdade e leis que apenas conferem aparência jurídica aos costumes de uma época

Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.

A liberdade começa quando o indivíduo deixa de confundir a voz da consciência com o eco das normas que o formaram.

Toda sociedade estabelece seus interditos antes de compreender suas razões; depois chama de imoral quem ousa perguntar por elas.

O poder mais sofisticado não é aquele que obriga o homem a obedecer, mas aquele que o convence de que sua obediência nasceu de sua própria vontade.

Talvez a maior rebeldia intelectual não seja destruir os valores, mas submetê-los ao tribunal de sua própria genealogia.

Entre a norma que ordena e a consciência que questiona existe o território onde o homem começa, finalmente, a tornar-se autor de si mesmo.

O dogma deseja uma conclusão; a investigação deseja uma resposta que sobreviva ao próximo fato.

O verdadeiro inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão de que já sabemos o bastante.

A inteligência humana talvez não seja medida pelo número de respostas que possui, mas pela quantidade de perguntas que consegue preservar sem mutilá-las.

A humildade epistemológica não diminui o homem; apenas impede que uma criatura finita se proclame proprietária do infinito.

Talvez a mais honesta frase diante do universo seja também a mais difícil: não sabemos, e continuaremos investigando.

O problema não é apenas que os ignorantes tenham certezas, mas que a certeza frequentemente ofereça à ignorância a aparência de conhecimento.

A dúvida não é inimiga da inteligência; é o espaço respirável entre aquilo que pensamos e aquilo que podemos demonstrar.

Não morreria por minhas convicções, porque a humildade intelectual exige deixar aberta a possibilidade de que amanhã os fatos me obriguem a abandoná-las.

A religião frequentemente promete respostas onde a filosofia encontrou perguntas, e talvez seja precisamente essa diferença que explique sua força.

O medo constrói deuses com a mesma matéria com que constrói prisões: a necessidade humana de encontrar segurança diante do desconhecido.