Nildinha Freitas
Invisibilidade Relacional
Fala-se muito em caridade, em fazer o bem, não é? Pensa-se tanto em ser bondoso e ajudar, mas, às vezes, a maior caridade de que precisamos é a benevolência conosco, com a gente mesmo.
Muitas vezes as pessoas, por terem suas próprias histórias, não conseguem nos tratar como seres humanos, com o respeito que merecemos. Aos poucos, elas nos matam. Vão nos matando, e, uma hora, a gente vai olhar no espelho e ver que já morreu há tempo.
É o profundo impacto que o esgotamento emocional causa na nossa mente, gerado, principalmente, por essa invisibilidade relacional. É esse tornar-se invisível dentro das próprias relações, como se você simplesmente não tivesse voz.
Acredito, mas não queria acreditar, que, muitas vezes, aqueles para quem mais fazemos, a quem mais oferecemos e a quem fazemos o nosso maior bem são os que fazem de conta que não somos nada e que não existimos. Nos tornam invisíveis: sem voz, sem espaço, sem vez, sem escuta.
Não que a gente faça algo esperando em troca. Nunca fiz; pelo menos, acho que não. Mas o mínimo de que se precisa na vida é ser respeitado no lugar que se chama lar, que se chama casa, que se chama seu.
Nildinha Freitas
Junho
A verdade é que todo dia é recomeço, não importa se o ano está no fim ou só no começo.
Toda hora é hora de reconstruir, de redescobrir a rota, de olhar a estrada e contemplar o caminho que já percorreu. Olhar para trás e agradecer por ter atravessado.
Hoje é o dia primeiro, do mês que corta o ano ao meio, mas o que importa mesmo é saber que temos muito tempo pela frente, porque a estrada da felicidade a gente constrói diariamente.
Nildinha Freitas
DESCONECTADA
Com o passar do tempo, eu entendi que tudo o que eu quero é ser totalmente desconectada.
Estou falando dessa conexão de redes, de pessoas, de gente que eu nem conheço, que não sabe quem eu sou, que nem entende que eu sou um mundo inteiro dentro de mim, às vezes cheio de nada, às vezes cheio de amor.
Está todo mundo dizendo: "Estou conectado". Está todo mundo vivendo em um mundo não real, distanciado.
Às vezes, eu só quero ficar sem me conectar, desconectada dessa coisa ilusória que criaram por aí dizendo que é vida.
E eu estou falando que não quero essa conexão que tanta gente diz que tem e na qual, até pouco tempo atrás, eu também acreditava. Uma conexão que parece aproximar, mas que está fazendo tanta gente esquecer de se conectar de verdade com outro alguém.
As pessoas falam tanto que estão o tempo todo juntas, mas, mesmo do mesmo lado, na cama, não se olham, não se beijam, não se tocam mais.
Se esquecem todos os dias. Esquecem que, na hora em que der uma pane nesse sistema todo, nesse sistema que doutrina, só quem ainda conectou o coração com o outro é que ficará de pé.
Essa é a nossa sina.
Nildinha Freitas
Coragem
A primeira vez que eu me percebi com coragem, a minha coragem era azul. Azul quase igual ao azul do céu, daquele céu de fim de dia. Era um tom de azul que eu não sei explicar direito, mas eu via a coragem no fundo dos meus olhos, olhando-me no espelho da vida.
A primeira vez que eu senti coragem, eu lembro bem: foi quando eu me levantei e disse que eu não vou ficar aqui, eu vou além!
Nildinha Freitas.
RECOMEÇO
Eu cansei de escrever poemas e rimas falando de dor, de sofrimento e de tudo aquilo que me machuca, que fere.
Eu cansei, eu cansei, eu cansei de falar daquilo que dói.
Fui aprendendo que é preciso escrever e falar sobre a alegria da vida, sobre o silêncio que habita a minha casa neste momento e que também habita a minha mente, e sobre a possibilidade de pensar em tudo e, ao mesmo tempo, em nada.
Eu cansei de escrever sobre o que ficou para trás, para trás na minha estrada.
É melhor olhar o horizonte, escrever sobre o dia e sobre a hora exata que está em minhas mãos. Olhar para a frente, sabe? E dizer que eu nasci para falar das coisas que fazem vibrar de alegria o coração e das coisas que me fazem ser quem sou: poeta.
Nildinha Freitas
Palavras
Quando as palavras morrerem em mim, leias-as nas entrelinhas de cada verbo contido no meu selenciar.
Quando as palavras enterradas forem e a areia sobre elas for jogada, serei pó da estrada que caminhei, mas meu verso gritará, morrem as palavras, mas não morrerei.
Nildinha Freitas
Tantas vezes eu já olhei, já julguei, já atirei pedras e não perdoei. Tantas vezes eu não reconheci que errei. Já me arrependi só da boca para fora, já pedi perdão só por conta de uma religião. O outro também já me pediu desculpas, perdão e reconheceu que errou, mas eu ainda não consegui, não consegui perdoar a quem me machucou. Mas vou!
Nildinha Freitas
A nossa fé, muitas vezes, é colocada em teste porque temos como base o tempo cronológico, esse que rege as horas, os dias e os meses. Mas o tempo do milagre não é o nosso; é o tempo de Deus. E esperar esse tempo divino, de fato, é o verdadeiro teste da nossa própria esperança. Como diria o velho ditado: quem espera, sempre alcança.
Nildinha Freitas
De que adianta?
De que adianta eu ter um dom e enterrá-lo no quintal de casa? De que adianta eu ter uma voz e não usá-la para o bem? De que adianta saber que minhas mãos receberam o dom de curar e, ainda assim, eu não tocar ninguém? De que adianta possuir o dom da palavra se eu escolho o silêncio quando eu poderia semear esperança?
Que tudo o que eu tenho, todos os meus dons e tudo o que sou, sejam colocados a serviço do bem que nasci para fazer!
Que tudo o que eu toque se multiplique, inclusive, eu mesma. Que tudo o que eu toque prospere. Que, em todos os lugares por onde eu passe, eu espalhe o amor. Talvez assim, eu tenha feito a vontade daquele que é superior.
Nildinha Freitas
Todo dia é dia de recomeçar, de rever o que precisa ajustar, de fazer diferente e melhor. Hoje é mais um (01) dia de contar recomeços, aprender com o passado e com os próprios tropeços.
Nildinha Freitas
Às vezes, entendemos mais do que aquilo que é real. Às vezes, compreendemos mais do que a própria realidade. Olhamos o mundo sob a nossa perspectiva. Somos vulneráveis. São muitas as vulnerabilidades que existem dentro da nossa alma.
Julgamos, condenamos e, muitas vezes, assumimos o papel de juiz. Mas já pensou quando você é o réu? Quando está sentado ali e todos o acusam?
É preciso ter autoconhecimento para não se colocar no lugar de juiz, para não julgar, para não atacar. Antes de qualquer julgamento, é necessário voltar o olhar para si mesmo. E, para se autoconhecer, você precisa olhar no espelho e enxergar, de fato, quem você é, para além daquilo que ele reflete.
Nildinha Freitas
Às vezes, entendemos mais do que aquilo que é real, compreendemos mais do que a própria realidade. Mas o que é real?
Olhamos o mundo sob a nossa perspectiva. Somos tão vulneráveis. São tantas as nossas vulnerabilidades, aquilo que habita a nossa alma e que, muitas vezes, nos deixa sem saber.
Julgamos, condenamos. Muitas vezes, assumimos o papel de juiz do mundo. Já pensou quando você é o réu? Já pensou quando você está sentado ali e todo mundo te acusa?
É preciso ter autoconhecimento para não se colocar no lugar desse juiz, para não atacar. Enfim, antes de qualquer julgamento banal, é necessário voltar o olhar para se autoanalisar, olhar para si mesmo.
Para se autoconhecer, você precisa olhar no espelho. Eu preciso olhar no espelho e ver, de fato, quem eu sou, para além daquilo que ele reflete.
Nildinha Freitas
Poeta potiguar.
Quem sou eu?
Quem sou eu para julgar o jeito que você vê a vida? Quem sou eu? Cada um enxerga a partir de suas alegrias, mas também de suas próprias feridas. Quem sou eu para julgar o que é certo ou errado para você? Eu não tenho esse direito. Mas também, quem é você para me julgar? Quem é você para tentar me impor o que você acha certo? Cada um tem um caminho. O meu não precisa ser igual ao seu.
Nildinha Freitas
Poeta Potiguar
