Nildinha Freitas
A Palavra de Deus sempre me ensinou: “Seja forte e corajosa”. Durante toda a vida, fui chamada de forte por aqueles que não conhecem a minha história por inteiro. Mas a verdade é que eu não sou forte o tempo todo, apenas nunca deixei de permanecer em pé.
Já enfrentei lutas, como qualquer pessoa que agora me lê. Atravessei mares sem saber nadar. Construí pontes sem ter materiais nas mãos; pontes erguidas apenas pela imaginação e pela fé.
Vesti a armadura da força, e talvez tenha sido ela que, aos poucos, me construiu por dentro. Medos? Eu tenho. Sempre tive. Mas a coragem nunca me faltou. Alguns medos eu guardei em silêncio, outros rasguei como papel.
Ser forte não é não sentir medo. Ser forte é continuar enfrentando, mesmo sem saber se vai perder ou ganhar.
Nildinha Freitas
Colheita
Ninguém apaga a história de quem nasceu pra brilhar.
Quem é que pode apagar? Quem pode passar uma borracha no passado do bem que a gente plantou?
Também não dá pra apagar o mal das vezes que se falhou.
Mas eu sei bem o que plantei até aqui. Sei bem também o que vou colher.
Na verdade, eu já colho todo dia:
colho amor, colho alegria, colho até poesias,
essas que escrevo pra você ler.
Se você ainda não sabe, é melhor aprender:
tudo aquilo que se planta, tudo aquilo que se joga na terra do destino,
uma hora é inevitável, você vai ter que colher.
Nildinha Freitas
O Tempo
O tempo é um sábio que evita falar.
É um senhor que sabe a hora de calar.
O tempo, o tempo é, inevitavelmente, um remédio que ajuda a curar.
O tempo, ah, o tempo ensina, porque é só nele que a gente cresce ou morre.
Nildinha Freitas
A Maldição do Ego
Nildinha Freitas
É tanta guerra por todos os lados: guerras por poder, por território, por ouro, por petróleo. É tanta guerra acabando com sonhos, destruindo vidas. É tanta guerra secando a esperança daqueles que perdem quem amam e deixando sem esperança aqueles que perdem a vida. O sol brilha, o céu também brilha à noite, mas não são estrelas por lá. Assusta.
É tanta guerra. É gente que não está nem aí. Gente que não se preocupa, que não liga. É guerra de ego. Guerra para dizer quem manda mais. Não faça de conta que não vê tudo o que está acontecendo, porque parece longe de nós, mas está perto. Não faça de conta que não vê o mal dominando tudo. Não finja, não ache normal, não aplauda, não faça isso. Não fique de um lado defendendo mortes e maldições.
Quem ainda tem fé e quem acredita, dobre os joelhos. Que a nossa força e esperança, que a nossa fé sejam capazes de transformar guerra em paz, ódio em amor, dor em coragem. Que a nossa fé seja capaz de transformar o mundo e tirá-lo dessa maldição. Na verdade, a gente só deveria ser amor. Somos autossuficientes nisso.
Mas o mundo está em caos. Guerras geradas por ideias, por extremismo, por desejo de superioridade, por coisas que acreditam ser certas, por pessoas que acreditam ser maiores e superiores a Deus. É tanta gente guerreando, guerreando, quando poderia estar segurando a bandeira do amor, da paz, do respeito. É tanta guerra por aí e dentro de nós.
É tanta guerra explodindo dentro de nós que parece até que o mundo não tem mais jeito.
A Maldição do Ego
É tanta guerra por todos os lados: guerras por poder, por território, por ouro, por petróleo. É tanta guerra acabando com sonhos, destruindo vidas. São tantas guerras secando a esperança daqueles que perdem quem amam e deixando sem esperanças aqueles que perdem o amanhã. O sol brilha e o céu também brilha à noite, mas não são estrelas por lá. Assusta.
É tanta guerra, é tanta gente que não está nem aí, gente que não se preocupa, que não liga. É guerra do ego, guerra para dizer quem manda mais.
Não faça de conta que não vê, que não enxerga tudo o que está acontecendo porque parece longe demais, mas está perto. Não faça de conta que não vê o mal dominando o mundo, não finja, não ache normal, não aplauda. Não faça isso! Não fique de um lado defendendo mortes e maldições.
São tantas guerras explodindo lá fora. São tantas guerras explodindo aqui dentro de mim que parece até que o mundo não tem mais jeito. Mas tem. Acredite.
Me abraça! Me abraça!
Sinto medo de vez em quando. E, de vez em quando, eu também sinto coragem pra enfrentar o que parece ser o ponto final.
O que é a vida, afinal?
Nildinha Freitas
Poeta Potiguar
Poema musicado
Nildinha Freitas
Eu e você, Alê
Olha bem para o amor da gente
Olha como ele aconteceu! ?
Quem imaginaria juntar você e eu?
Estávamos
separadas pela linha do horizonte,
ainda assim o destino
Nos juntou.
Sei lá, talvez tenha sido amor,
desde antes de ser
Como você sempre me diz :
tinha mesmo que acontecer!
A gente se encontrou na hora certa,
depois de tanto esperar ter paz
e eu não tive medo de insistir em ficar.
Não que fosse preciso fazer isso,
é porque eu sabia
que tinha ali a conjugação do verbo amar.
E você também me queria, eu sei,
só que não sabia dizer,
não sabia expressar.
Foi acontecendo, acontecendo…
até que, de repente,
já éramos morada uma da outra.
E esse amor
Não é unilateral
Ele se revela
nos detalhes,
no zelo
E quando a gente se olha e diz :
vai ficar tudo bem no final!
Nosso encontro aconteceu
Agora é você, e essa sou eu.
Eu já não consigo imaginar
seguir minha vida sem teu abraço,
sem teu sorriso no final do dia,
sem nossas gargalhadas assistindo The Big Bang Theory
Com ou sem medo, a gente vai,
porque no final do dia a gente se tem.
Nosso amor só aconteceu
É amor entre eu e você Alê
É difícil conviver com o caos, esse que se instala dentro do meu inconsciente, dentro de mim. O caos, o não saber, o medo, a dúvida, o não ter noção de para onde ir, a desorganização da existência e os meus questionamentos: o que é certo, o que é errado, o que para mim é bom e o que para o outro não é. É difícil. Às vezes é fácil, mas quase sempre dói muito lidar com o meu próprio caos, com o caos que existe em mim, que é maior do que o caos que existe no mundo. Mas eu também não sou só isso.
Nildinha Freitas
Escrevo minha história sem roubar o protagonismo de ninguém.
Cada um de nós tem seu próprio céu para existir, feito estrela.
— Nildinha Freitas
Em lugares improváveis eu já encontrei o amor. Ontem mesmo vi amor entre o beija-flor e a rosa.
Eu já encontrei um amor nas mãos enrugadas da mulher que tanto lutou para ser quem é.
Eu já encontrei um amor na fila do banco, enquanto todo mundo tava preocupado com o tempo da demora.
Eu já encontrei um amor no meio da rua, em um abraço de saudade que deixou a minha alma nua.
Eu já encontrei o amor no café com bolo na casa da minha mãe e já vi amor nos olhos inocentes das crianças da minha vida.
Eu já encontrei amor até nas marcas deixadas pelas minhas feridas.
Nildinha Freitas
De joelhos
De joelhos se inclina para Deus.
Na oração, não pede nada.
Não reconhece que erra,
olha o outro,
acusa o irmão.
De joelhos pensa em Deus,
coloca-se diante dele,
não como filho,
não como errante.
Não se prostra humildemente,
acha que não mente,
acha que Deus não vê a mente.
De joelhos, prostrado no chão,
acha que Deus não vê o coração.
Pede perdão, mas não perdoa.
Na reza, fala dos erros que sofreu,
não fala das próprias falhas.
De joelhos, rebaixa a cabeça,
não vê naquele que parece sujo
merecer sua atenção.
Tem medo que lhe peça ajuda,
tem medo que lhe peça a mão,
tem medo que ele seja Deus no irmão.
Na oração, pede ao Pai
para não lhe deixar ser assim,
tão pobre,
tão ruim.
Ali, de joelhos,
sente-se um Deus falando com o outro
e não ama.
Nildinha Freitas
De tanto ouvir que eu não conseguiria, quase acreditei; mas, como gosto de teimar, segui minha teimosia.
Nildinha Freitas
Inteiramente Inteira
Essa sou eu:
uma confusão o tempo todo
dentro de mim mesma!
Certezas? Quase nenhuma.
Às vezes sã,
às vezes insana.
Essa sou eu: menina, mulher!
Aquela que cala,
aquela que canta,
aquela que grita,
mas que ninguém ouve.
Aquela que escuta, de vez em quando,
a voz do próprio coração,
e que encanta quase todo mundo,
ou não.
Essa sou eu:
meio século de histórias contadas e contidas,
de sonhos regados a vinho,
poesias, música,
arte de rua e de amores.
Fui podada, eu bem sei!
Impedida também fui,
mas hoje eu sou livre, livre, livre
feito galho saindo pelos lados da árvore
fincada no chão,
cujas raízes entraram no inferno adentro
só para poder alcançar o meu céu.
Essa sou eu,
razão batendo o tempo todo na minha cara
e palpitando um coração que ama sem medo.
Essa sou eu,
um baú de mil segredos,
com milhares de histórias para contar.
Histórias que nem lembro.
Vou escrevendo, escrevendo, escrevendo e,
de vez em quando,
eu canto, eu canto.
Essa sou eu:
uma mulher inteiramente inteira
e despida.
Nildinha Freitas
Quem não lê acaba sendo engolido pela névoa do desconhecimento, engolido e lido pelos que leem o mundo. A leitura deve ser de prazer e levar à cura. Mas ninguém lê só palavras. É necessário ler as pessoas sem julgar o final da história antes do fim.
Nildinha Freitas
Escolha amar e viver coisas boas. Continue sendo feliz e se amando neste mundo cheio de fantasias temporais.
Nildinha Freitas
Desde que me reconheço como ser humano, fui rotulada por pessoas que sempre quiseram me pressionar, me calar, me deixar em um lugar que nunca foi e nem será meu. Recebi o rótulo de complicada demais, de difícil de lidar, daquela que fala mais do que deveria e que cala quando poderia falar. Eu sou grata por todas as vezes que me rotularam, só fizeram porque temiam a mulher que sei que sou. Aprendi a respeitar, mas não engulo desrespeito de ninguém.
Nildinha Freitas
Nunca estive preparada para partidas ou despedidas inesperadas. Ninguém me ensinou que alguém pode ir embora antes do fim, ou decretar um fim no meio da estrada. Ninguém nunca me falou nada.
Despedidas e separações são cortes profundos na alma, e eu nunca estarei preparada. Haverá lágrimas e haverá saudade, porque tudo o que sou é amor ao eterno. Mas finais felizes nem sempre serão um 'para sempre'.
Durante muito tempo em minha vida,
eu fui grito,
mas aprendi a usar o não dito,
o não falar,
o não precisar gritar.
Eu aprendi que não dizer
fala bem mais
que uma, duas, três palavras e meia, ditas ou escritas.
O silêncio é a extensão da fala,
e não perde nada quem também cala.
Nildinha Freitas
Todos os dias aprendo a recomeçar! O passado é página que não dá para refazer; com ele, é só aprender!
O agora, esse tempo que tenho em minhas mãos, com ele é só construção. E o futuro, esse que vislumbro à minha frente, para ele vou melhorar e fazer diferente.
Nildinha Freitas
Eu preciso escrever um poema
Eu preciso de um poema.
Eu preciso escrever um poema de versos brancos,
que não se preocupe com rimas.
Eu preciso escrever um poema
que fale de amor sem dizer “eu te amo”.
Eu preciso de um poema.
Eu preciso escrever um poema
que não tenha travas,
que não tenha nada que me feche os olhos.
Eu preciso escrever um poema
que faça com que você enxergue
e que eu também possa enxergar.
E que eu possa ver o amor
nas coisas simples e banais do dia a dia.
Eu preciso escrever um poema
que não rime com nada,
só com alegria.
— Nildinha Freitas
Amar é ser livre!
Ninguém disse que o amor é submissão, prisão ou um modo de se escravizar. Nunca foi dito isso. O amor é um modo de se libertar; é um jeito de ser livre em um mundo acorrentado por ideias prescritas, estabelecidas por uma sociedade que grita. O que ela grita é: "Eu não quero laços, eu não quero estar próximo, eu não quero me prender".
O amor não é uma corrente; ao contrário, é a chave que liberta, que abre e que nos deixa livres para podermos voar como um pássaro em dia de sol, que voa sem saber para onde vai, mas que já está indo.
Nildinha Freitas
Há quem pense que morrer é o fim; eu não penso assim!
A morte é uma porta de passagem que se abre para o mundo que escolhemos enquanto vivos estivemos sobre esta terra.
Morrer é apenas passar, passar desta para melhor, ou para pior, quem sabe?!
Nildinha Freitas
Mãe
Quem a tem viva quase nunca tem tempo para estar perto, porque o mundo exige que você corra atrás dos seus sonhos e daquilo que acredita ser o certo. E quando tem um tempo na vida, muitas vezes não é com ela que você escolhe ficar; busca sempre, busca vez por outra, outros caminhos, outra estrada para trilhar.
Mas quem a perdeu pararia tudo para ao seu lado novamente estar; para ter uma conversa, para ouvi-la contar histórias dos dias ruins, dos dias bons, dos dias de glória. Quem a perdeu daria tudo para sentir, de novo, o seu cheiro, o calor do seu abraço e ouvir o timbre de sua voz entrando nos seus ouvidos como se fosse um laço.
Quem a tem, às vezes não a ouve, não a escuta, não a olha nos olhos. Mas entenda: mãe é um presente, mesmo sabendo que é também um ser humano que acerta e que erra. Quem possui uma mãe tem a oportunidade, ainda, de olhar a vida com olhos de amor e continuar seguindo no mundo sem medo; porque, plantando a semente certa, certamente colherá a flor.
— Nildinha Freitas
Meu lugar
Sentei muitas vezes num lugar que não era meu.
Não porque eu quisesse roubar o lugar do outro;
é que aquele não era o meu lugar.
Sentei como quem senta apenas por sentar.
Plantei muitas vezes em terrenos que não dariam frutos,
mesmo sendo meus.
Não que eu tivesse plantado errado.
Plantei tudo certo.
É que a terra não era boa
e, por isso, não frutifiquei.
Mas juro, eu tentei.
— Nildinha Freitas
Muitas foram as lutas que lutei até aqui. Muitos foram os processos que tive que carregar sobre as minhas costas e os medos que, no silêncio, gritavam dentro da minha cabeça. Houve dias em que tudo parecia frio, vazio e solitário, mas em nenhum deles pensei em desistir, morrer ou partir. Sempre tive fé e acreditei, pois ninguém é o milagre que sou sem um propósito. O meu: aprender e evoluir!
Nildinha Freitas
