Naty Parreiras

26 - 50 do total de 89 pensamentos de Naty Parreiras

INFÍMITO

Sou rio
Sonhando
Sou rindo
Um pingo
Mais brando
Sol brando
Sentindo
Infindo
Caído
Molhando.

E finco
O pingo
Instinto
Na sombra, no grito
No barro, na aragem
O barco coragem
Eu levo
Levito.

Sou rio
Sou margem
Sou filho do grito
Não peço passagem
Na rente viagem
Desfaço-me em mito
E grito:
Sou rio
Sou margem
Fluente
Infinito.

Inserida por natyparreiras

UL_TRAJE
O amor é terno
Gravata
Compromisso
Mas deve ser ternura,
quando não eternidade.

Inserida por natyparreiras

Go to Rome
Home alone
Com fome,
Sem nome,
No telefone,
Insone,
Tudo some.

I can feel,
O vento frio,
Do teu assobio,
Nosso encontro no rio,
Teu amor que sumiu,
E o meu que consome.

Looking all the stars,
Na sala de estar,
Jantando o luar,
Bebendo o ar,
Ninguém para amar,
Nem sinal do meu homem.

Your love is over,
Não posso te ver,
Prefiro morrer,
Eu mesma vou ser,
Cansei de você,
Vou para “Rome”.

Home alone I can feel, looking all the stars, that your love is over.
Não posso te ver, cansei de você, vou para “Rome”.

Inserida por natyparreiras

S.O.L. (Sob olhares lunares)
Olha o céu esparramando
Espremendo suas esparrelas escuras
Olha a margem preto vívido
Lambendo crua a noite, pela rua
Esquecido no retiro
No retiro ínfimo
de suas agruras.

Olha a cor azedo-pastel do dilúvio
Ergue teu cenho célebre, teu murmúrio
E cala o efeito drástico
Do teu sopro de plástico
Sem ácido sem orgulho.

Olha o céu caminhando
Tracejando os vértices de sua desgraça
Olha o palco do punho
Apedrejando o cunho, romântico
Azul estanho de cachaça.

Olha a cena sábia embriagada do teu vício
Aponta o dedo, estupefato
Aponta o dedo pra janela
Esquece, escapa, Cinderela
Pois de tuas esparrelas
Fartou-se outro sapo.

Inserida por natyparreiras

masMORRA!


“ ... Imagine as pessoas vivendo a vida em paz, ninguém precisando matar ou morrer... Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único”

Fobia,
Foge o fôlego do dia,
Como deveras fugidia,
Não fosse a febre do leigo lânguido,
Monotonia.



Um só tom parte os meus “partia”
E parte de mim se ia
A medida proferida melodia.

Mel odeia nas teias da dissolução.
“Diz” a solução para cessar o soluço,
Deitar de bruços
Sob bruto abraço devassidão.

E devasta a imensidão de subsídios do meu perdão.
Perturba então,
Acelera a poeira
E tateia
O chão.

Me junta pelos cantos,
Desfez-se o encanto,
No entanto,
Nem todo pranto foi-se em vão.

Levou-me ao arreio,
Cegou-me o devaneio
Deveras certeiro,
Expulso-te do meio, moreno,
E não repugno tua fotografia,
Apenas não tenho ar
Melancolia
Apenas não sou o eu que te seguia,
No sereno.

O ecofobia ecoa,
E não é à toa,
A masmorra,
Que mal soa
Te mata,
Então parta,
E morra!
No sereno,
- Me perdoa!
Morre, enceno
Vida ingrata.

Mas morra!
Que escorra Jonh Lennon,
Com teu veneno,
Das tuas patas”

“ Imagine que não há Deus nem inferno abaixo de nós. Apenas o céu sobre nossas cabeças.”

Inserida por natyparreiras

Reviravolta
Tava virando a esquina do teu coincidente itinerário
Quando decidi desviar
Desanuviar
Desvendar
E eis que me vi em vendaval
Sob esvoaçantes vitrais de um plano cartesiano qualquer
Em um tempo qualquer
Num momento qualquer
De vida
Pulsando gravuras irreconhecíveis de felicidade
Mas tão íntimas e derradeiras
Como o acaso de ter te visto
E ter-te feito meu atalho
De redescoberta.

Inserida por natyparreiras

Mimese Poética
A letra tem um quê de domínio
Que a palavra pressupõe em seu ato de merecimento
- São dádivas mútuas -
Espontaneamente oferecidas
Ainda que enclausuradas pela relatividade conceitual que as ampara
Vislumbram dar conta da alforria que se propaga na boca em que se cala sua desordem
Hora reivindicadas pelo afeto que as concebe aladas
Hora libertas do criadouro que as consome vivas.

Inserida por natyparreiras

Inteiro
... E quando visitei teu olhar primeiro
Desfez-se o segundo
Em meio
Segundo
E meio.

Inserida por natyparreiras

Poema de Ninguém
Vivo um caso crônico de desuso cardíaco... E dos graves. Antes não fossem tão agudas as palpitações eminentes de pseudo-enfarte! Sinto-me um mártir qualquer que enfim descartou a catarse de prover a dor de si nos outros. Sinto-me um sopro, tanto mais e vento ainda... Sinto-me infinda, etérea, mas absurdamente alheia à massa poética que me permeia... À estratosfera de minhas veias cor de branco...
Me deu branco! No papel só um poema sem dono, o primeiro e único santo, imaculado na concepção de vocábulos tão hiatos, tão estranhos!
A quem doar, a quem doer a sangria de um poema enfermo tamanho pulso fraco, condenado ao lábaro de meu próprio esquecimento?
Aquém... Amém! Além do mais já amei demais Ninguém faz tempo.

Inserida por natyparreiras

Dialogismo
A corrente do mar mal arrebentou
E minhas palavras já corriam livres
Era o encontro segregado com o grão
Que do vento fingiu-se o dom
A metabolizar a gênese dos castelos que eu tive.

Inserida por natyparreiras

Expresso
Eu recito e tu me receitas
Uma xícara de café e meia
Ou uma dose alheia
Do teu mau-olhado.

E eu te olho nu – olho
E eu te decoro no olho
Mas eu te vejo é no cheiro
Eu te sinto é no trago
Mas eu te quero de lado
De perfil
Não hostil
Ou triangulado.

Eu te recito e tu me receitas um gole de café amargo.

Inserida por natyparreiras

Submersão
O olho requer um tanto de desacato para beirar o magnetismo de sua limitação profunda.
O olho requer a esquizofrênica sensação de alcance alheio, para regozijar sua própria inoperância aguda.
O olho requer o eco daquela mesma fábula que dita sua obscura relatividade
O olho requer amparo cego
E se beirar o caos da lágrima
Que é expulsa
Verte
Verte
Mas não emerge
O olho afunda.

Inserida por natyparreiras

Paliativo
Ridícula

Essa versologia_diversificar

Alivia.

Inserida por natyparreiras

Em tempo
Captura
Capturei
Amarrei
Amarei
Enquanto houver a dúvida
Atemporal do poema.

Inserida por natyparreiras

Unilateral
Triste o fazer do poeta
Quando a dor se projeta
Para aquém da poesia...

Não alcança
Não seduz
nem mantra
Não varre a luz que arde em cria.

Triste o fazer do poeta que jaz no vão em que alumia.

Inserida por natyparreiras

Ex-quadros
Nos quatro cantos das paredes do teu quarto
Desfez-se o relapso ápice de nossos gatos por lebre
Refez-se a célebre solidão que nos persegue
Em presença contínua e desacreditada.
Verteu-se o teu luto ao consumir-me no vulto
De teus repetecos já enfadados da mesma cor desbotada
Ou da tez de minha blusa desabotoada
Amarrotada
Arrependida
De nosso prazer discreto e efêmero
Que agora vela esse meu sono noutras paredes
E em tantos quartos de horas mal resolvidas.

Inserida por natyparreiras

Execução
Queria mastigar meu ventre
Coibi-lo de gerar (e gerir)
O metabolismo de meus vocábulos
Queria arrastá-los desfigurados
Em praça pudica
Pública
Alastrados
Devastados
No cumprimento de minha tão solene e solícita pena
Em plena agonia que ojeriza minha cria extrema
E minha quarentena!

Queria esganar-te e não escrever-te um poema!
Queria entranhar-te o corpo estranho
Que irriga - que irrita – o teu olho castanho!
Mas é de fato uma pena
A pena verteu-se em meu lema
Há pena não mais que eu a tema
Apenas não mais que poemas!

Inserida por natyparreiras

Suprema
A palavra perpetua o efêmero da calma que me assume agora
Acalma... A palavra acalma.

A palavra perpetua o efêmero do meu afeto que se some agora
Afeto... A palavra afeiçoa.

A palavra perpetua o grito de socorro que me escapa agora
Grita... A palavra grita: Me socorra!

A palavra evita o silêncio efêmero que me forja agora
(a glória)
Cala... A palavra cala
A palavra basta
Posto que ressoa.

Inserida por natyparreiras

Contracepção
O olho versou o pecado da recíproca
No mesmo suspiro confundido de adeus
E lá se foi a dor e a poesia
Sem ao menos virar possibilidade.

Inserida por natyparreiras

Fuga de Ases (Fugazes)
Exilado em sua caixa mágica, travava diálogos improváveis e reproduzia assim a impossibilidade de tê-la sua, pura e imaculada de seus mesmos pecados de poesia.
Num mantra expurgava sua alegoria e numa outra casa abrigava aquela outra, implícita nos mesmos traumas em que jazia.


Sentada no meio-termo de uma avenida qualquer tumultuada de seu esquecimento, ela apalpava seu desapego... Sofria o silêncio de sua desistência alada, dessa capaz de transportá-la à paz dos justos. No olho, aquele grito acordado que brilhava toda uma nova era de sonho. Ela seria livre e aquela rua (a dor) enfim, atravessada.


Mas quando o tempo se fez hora exata, olhos entreolharam-se estranhos, abdicados da premeditação da cena... Estancados e estrangulados em odes raros ao poema.

Erraram-se exatos
Erraram-se apenas
No instante exato
E erradicaram-se apenas.

Inserida por natyparreiras

Versificado
Na abstrata caligrafia dos poetas não se inscrevem mesuras de direito, espasmos de amargura ou indulgentes sopros de discórdia, apenas jorra-se ímpeto, delírio, fruição. Mas o que dizer-te então, diante da afronta santa de tua astuta rejeição?
...
Entre mortos e feridos versificaram-se todos os tolos frágeis deste duelo, eram eu e meu martelo ponta-de-prego, martelando, martelando, uns poemas brandos ou uma centena!
Sentenças e mais se pensas na dor intensa do cotovelo...
Cotovias vaiam nossas avarias
Todavia repousam seu zelo em alardeadas notas, notaria
Não fossem tantos versos verificados de apatia, quem diria
Não fosse tantos restos esgoelados do que eu vivia.

Inserida por natyparreiras

Verborragia
Sangra
Em ritmo de samba
A minha poesia

Samba

Logaritmo que sangra
Lograr o ritmo que samba
Largar o vício de alforria

(Sangra... Sangria).

Inserida por natyparreiras

São Nunca
A metáfora do fim aproxima a véspera
Ainda que esta relute na omissão literária do tempo nunca
Agora é nunca...
Nunca lembrar
Nem arrepender
A véspera
Exaspera o tempo corrente
Iludido
Elodido...
Doído sempre...
Interpreta a eminência do finito
Se abriga amanhã no amanhecido
No fatídico grito de ontem
Que larguei ainda agora
Enquanto passeava pelo nosso enquanto
Tão contínuo e acreditado da véspera
Desse dia que ainda virá em tempo algum.

Inserida por natyparreiras

Acorde
Acordo dos 62 dias em que me abstive de ti. Obstinada a consumir-te um tanto... Despertar-me.
Poetas nunca acordam o suficiente, preferem as acrobáticas manobras do devaneio, sublimes tais como a inspiração em que se consuma sua prosa, sua rebeldia.
Alaridos não mais me comovem... Rasgos de candura já não limam meu pão-de-açúcar, meus intocáveis recortes de divino.
Melindra-se o tom do “acordeom”, ainda que nada mais me acorde ou me ponha pra dormir... Nem o drama, nem o som, nem a fraude...
Nem te ouvir.

Inserida por natyparreiras

Pôr-do-Céu
O emblema tom pastel me emudece
No sereno do teu céu, a lua-prece
Vai se pondo no papel e não merece

Não mereces
Um papel
Não mereces
No inverno do teu céu
A chuva desce
E me abraça no teu véu
Embaça o vidro, ver-te réu
Não te apresse

Só te veste
Tom pastel
Do teu leste
Me emudece e com teu véu
Fluido-uivo faz corcel
E me merece...

Se me vires no papel faça prece
Posso vir vinda do céu
Mas o inferno me morreu
Não te esquece.

Inserida por natyparreiras