Fenda de Concreto e Cinzas Sem mantos... Ramile Godon

Fenda de Concreto e Cinzas


Sem mantos divinos, no relento,
Frio e calafrios, febre emocional.
Minha barriga está descoberta, minha visão embaçada no beco coberto de névoa.
Fumaça subindo em algum lugar a frente, liquido preto escorrendo nas paredes.
Grafites e grude, cheiro de carne e sangue.
Estou deitada em uma poça de água suja no beco.
Sem mantos, sem lençois.
Escuto latidos de cachorro, alguém roubou seu osso ou alguém o ameaçou.
Escuto o barulho dos automóveis ao longe, indiferentes.
Aqui parece estar afastado da vida, do resto do mundo, não ligam para a existência ou o que acontece no beco.
É solitário e frequentado ao mesmo tempo, breve alguém aparecerá, inimigo, amigo ou transeunte indiferente.
O beco é sempre usado, mas não rota de fato.
Meus olhos estão arregalados, olhando para o céu cerrado pelos dois prédios.
Tento levantar e toda alma e espirito se contorcem,
Vejo ratos, cachorros e gatos andando pelo beco,
Me levanto,
Ainda há vida.


- Ramile Godon