MauricioCCantelli
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Quem escreve dor e a narra como destino tenta apagar a imprudência da própria autoria.
Não procure a dor;
ela conhece o caminho e, quando chegar, não dispense sua lição.
No intervalo entre o golpe e a resposta,
a alma revela domínio sobre si
ou se confessa escrava do impulso.
O disciplinado sofre menos;
nele, o bom hábito corrige antes que a dor precise ensinar.
A honestidade não sustenta apenas relações;
sustenta a dignidade de quem segue reto,
mesmo quando a curva se oferece como vantagem perniciosa.
A paciência não retarda a jornada;
preserva a lucidez para corrigir detalhes
e depurar o próprio objetivo.
A coragem não apaga o medo;
destrava a ação necessária,
mesmo sob o temor da alma.
A empatia humaniza o julgamento;
não queima a alma inteira
por mera e rasa impressão.
O respeito é o limite tácito e justo entre duas liberdades;
um pacto social de não invasão.
A humildade é consciência de si;
não diminui o ser,
apenas recolhe o pavão interior.
A gratidão sente a vida como provedora;
o ingrato a transforma em devedora
do que jamais lhe foi prometido.
Quem foge da dor sem vivê-la abre caminho para seu retorno.
Divagar sobre o que a vida nunca prometeu é ilusão;
viver exige precisão diante do real.
Amor-próprio é autoaprovação madura;
afirma o ser sem arrogância
e o sustenta sem humilhação.
A prudência impede que a bondade vire presa fácil, pois ensina a confiar sem abandonar a razão.
Não enterre seus talentos por medo de ser usado, nem ignore seus limites para provar valor. A sabedoria está em oferecer o melhor sem abandonar a si mesmo.