MauricioCCantelli

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O afeto irriga a conexão humana com naturalidade; o interesse falseia a proximidade para extrair proveito.

A distância respeitosa preserva os laços humanos; quem invade espaços não concedidos planta a semente da desconfiança.

A carência, quando governa a alma, lê pequenas gentilezas como promessas que ninguém fez.

O perdão retira da alma os espinhos; o limite preserva o jardim de quem ainda insiste em ferir.

Calar-se, às vezes, é fechar as comportas da alma para que a tempestade não arraste o que ainda merece ser preservado.

Ser intenso exige freios firmes.

Quem ultrapassa os limites do acolhimento degrada a proximidade até convertê-la em invasão.

A adaptação talvez seja a forma mais decisiva da inteligência; a inteligência acha o melhor caminho, mas a adaptação atravessa os obstáculos de qualquer caminho.

A discordância percorre solos férteis, onde as ideias tendem a avançar; a intolerância quase sempre se instala em campo estéril, onde tudo já secou por dentro.

A afinidade transita pelo conhecido e pelo que em nós se reconhece; não pertencer é mais do que ter saído, é nunca ter estado.

Há encontros que nos conduzem por belos caminhos e nos devolvem o acalento familiar de algo que parece já vivido.

A curiosidade nasce da inconformidade diante do não saber; a inventividade, da boa aplicação do saber.

As ideias dignas de destaque não surgem do nada; passam por sucessivas desconstruções e recomposições, até que a mente lhes reconheça valor e a inquietude lhes dê a feição final.

A longevidade nos traz as marcas do tempo e do que se viveu; a maturidade nos mostra o que pode nos ferir antes que a marca se crave.

Exagerar no preço dos erros diante do valor dos avanços leva ao temor excessivo de se lançar; muitos permanecem nesse impasse. É então que o maior erro acontece: o nada.”

Os desejos são velas; os temores, âncoras.

Inserida por MauricioCCantelli

Raramente quem se autoelogia é levado a sério; o valor não precisa de aplausos.

No Brasil, a política não imita a arte; promove a encenação e repassa a conta ao público.

Não se esconde a verdade no Brasil em época de eleição; é que ela ainda está em negociação.

Sinceridade não é grosseria: uma revela opinião franca; a outra é martelada pura.

Cuidado sem afeto é, quase sempre, inveja.

Quando a falta de limites transborda, o jeito é recorrer à espontaneidade.

No palco da democracia, até as ideias minoritárias importam; se assim não for, o palco vira picadeiro e o povo, palhaço.

Quando o povo passa fome, a opulência do governo não orgulha; ofende.

A democracia adoece quando se passa a chamar de verdade aquilo que não se aceita discutir como ideia.