Mario Quintana

Mario Quintana

Poeta e tradutor brasileiro
26 - 50 do total de 558 pensamentos de Mario Quintana

Mas que susto não irão levar essas velhas carolas se Deus existe mesmo...

Minha vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor.

Pergunta Errada

Se eu acredito em Deus? Mas que valor poderia ter minha resposta, afirmativa ou não? O que importa é saber se Deus acredita em mim.

Mario Quintana In: Mario Quintana - Poesia Completa, Caderno H, Editora Nova Aguilar, p. 367

Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta.

Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.

Mario Quintana Intérpretes. In: A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

No céu é sempre domingo. E a gente não tem outra coisa a fazer senão ouvir os chatos. E lá é ainda pior que aqui, pois se trata dos chatos de todas as épocas do mundo.

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mario Quintana Quintana de bolso. Porto Alegre: L&PM, 1997.

Nota: Poema O que o vento não levou.

Nos acontecimentos, sim, é que há destino:
Nos homens, não - espuma de um segundo...
Se Colombo morresse em pequenino,
O Neves descobriria o Novo Mundo.

Mario Quintana QUINTANA, M. Espelho mágico. Porto Alegre: Ed. Globo. 2005

O grande consolo das velhas anedotas são os recém-nascidos...

O mais triste da arquitetura moderna é a resistência do seu material.

O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente...

Mario Quintana Poesia Completa

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.

Mario Quintana , Caderno H. Porto Alegre: Globo. 2006

O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.

O ruim dos filmes de Far West é que os tiroteios acordam a gente no melhor do sono.

O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um dia mais velho que a gente...

A saudade é o que faz as coisas pararem no tempo.

Mario Quintana , Poesia Completa

Nota: Trecho do livro "Preparativos de Viagem"

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.

Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.

Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua...

Mario Quintana , Espelho mágico. Porto Alegre: Ed. Globo. 2005

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...

Quando guri, eu tinha de me calar à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.

Quem pretende apenas a glória não a merece.

Quiseste expor teu coração a nu.
E assim, ouvi-lhe todo o amor alheio.
Ah, pobre amigo, nunca saibas tu
Como é ridículo o amor... alheio!

Lavoisier

"Nada se perde, tudo muda de dono" - tardia reflexão de Lavoisier ao descobrir que lhe haviam roubado a carteira.

Mario Quintana Da Preguiça como Método de Trabalho, Mario Quintana: Poesia Completa, Editora Nova Aguilar, p. 728