marcio germano

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Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.

A crença sem consciência é apenas um cálice vazio diante do sagrado.

Se não terminou bem, é porque não terminou ainda.

Tudo aconteceu de repente.
Como um vendaval que arrancou as certezas, uma enxurrada que levou consigo o que parecia inabalável, uma avalanche destinada a alterar, para sempre, o curso da existência.
Mas, quando a fúria dos acontecimentos finalmente se dissipou, o silêncio devolveu tudo ao seu estado mais simples, à sua natureza mais profunda. O que parecia perdido reapareceu intacto; o que parecia definitivo revelou-se apenas um desvio no caminho.
Talvez o destino tenha apenas adiado o inevitável. Ou talvez existam instantes que jamais acontecerão, porque não pertencem ao tempo dos homens. Habitam outra dimensão, onde o passado, o presente e o futuro deixam de existir. Pertencem apenas à eternidade.

Consumi uma vida em enganos na ânsia de corrigir minhas imperfeições; talvez bastasse deixar a vida seguir seu curso natural.

A vida não para quando o trabalho termina. Apenas muda de direção.
Nossa mente é como um jardim: aquilo que cultivamos é o que cresce.

É essa inquietação que nos faz sentir que ainda há muito para descobrir.
Talvez envelhecer não seja apenas contar os anos que passaram, mas encontrar novas razões para que os anos que ainda virão continuem fazendo sentido.

Aquilo que nasce de nossas mãos e de nossa imaginação nos resgata desse silêncio profundo.

Caminhar pela orla da praia, sentir o vento bater no peito... Esse contato com a natureza é quase um diálogo silencioso com as ondas, que vêm e vão, apagando minhas pegadas na areia e nos lembrando de que, na vida, tudo é passageiro.
Talvez a vida seja justamente isso: caminhar, deixar algumas pegadas pelo caminho e compreender, com o tempo, que também precisamos aprender a deixá-las desaparecer.

O tempo leva, o tempo transforma. Somos como areia que o vento dispersa, mas é na humanidade que nossa essência permanece.

Entre um passo e outro, deixamos pegadas de poesia pelo caminho.

Ainda com vestígios do inverno,
a primavera chegou.
Mas nem tudo são flores.
Observo, em silêncio, o mundo se transformar,
enquanto procuro compreender
onde me encaixo
nessa eterna metamorfose da vida.

O Demônio habita o centeio do whisky, nas nuances de menta que equilibram a doçura da alma e no aroma que desperta a coragem do desespero; na busca pela última gota que não sacia, apenas sufoca.