Marcelo Caetano Monteiro

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O caminho no mundo é feito de tropeços e quiçá quedas, mas indubitavelmente é muito mais encontrado no levantar ou mesmo arrastar, mas sempre à frente.

O amor tem dimensões que só a delicadeza chega até ele.

NA INTIMIDADE DA SOMBRA QUE RESTA.
"A rejeição se tornou amiga da solidão."
E assim, sem anúncio, sem ruptura visível, duas presenças tornaram-se desiguais dentro do mesmo abismo. Um ama como quem se entrega à lâmina. O outro permanece como quem apenas toca a superfície da ferida sem jamais habitá-la.
"Arrasto da amada a sua veste que se despe em tom sem prisma e em mortalha, sepultando em cova rasa a razão que preste, mas num toque suave beija o pulso, e para dentro do abismo dá-se impulso, no mesmo lábio que dá seu ósculo ao fio da navalha."
Há, nesse gesto, uma contradição que dilacera. Amar mais é cair primeiro. É sentir antes. É permanecer depois. Enquanto o outro, talvez sem culpa consciente, apenas transita. Não se fixa. Não se perde. Não se entrega ao ponto de dissolver-se.
Na escuridão íntima, tudo conduz à mesma presença ausente. Cada memória não consola, apenas reafirma. Cada silêncio não apazigua, apenas amplia. Tudo traz. Tudo leva. Como se o próprio sentir fosse uma corrente invisível que ora devolve o rosto amado, ora o arranca com violência inaudita.
E aquele que ama mais não possui refúgio. Porque mesmo quando tenta afastar-se, leva consigo o que deseja esquecer. E mesmo quando deseja esquecer, recorda com uma precisão cruel.
A rejeição, então, não fere apenas pelo afastamento. Ela fere porque revela a medida desigual do sentir. Um abismo entre dois. Um que cai. Outro que observa.
E no fundo desse abismo, não há encontro. Apenas a permanência de quem caiu primeiro e nunca mais encontrou o chão.

Inserida por marcelo_monteiro_4

Perdoar, por sua vez, é um ato de soberania moral. Aqui não há mais resquício de dívida emocional. O perdão dissolve o vínculo psíquico que prende ofensor e ofendido.

Perdoar não é fácil, mas é preciso porque todos somos carentes dessa virtude.

O amor não é ponto final em nenhum momento, mas sim reticências pela eternidade.

Quando não somos fraternos recaímos estacionários em nós mesmos.

REALIDADE DOS HOSPÍCIOS SEC.19.
A IMPRESSIONANTE E COMOVENTE HISTÓRIA DE Nellie Bly.
Como uma pioneira repórter do século 19 se infiltrou em um hospício feminino em Nova York.
Uma estranha no ninho
Como uma pioneira repórter do século 19 se infiltrou em um hospício feminino em Nova York para narrar os abusos sofridos pelas internas.
do banco para mudar um pouco a posição, mas eram sempre repreendidas e instruídas a sentarem-se eretas. Se falavam, eram repreendidas e mandadas calar a boca; se queriam andar um pouco a fim de tirar a rigidez do corpo, mandavam que se sentassem e ficassem quietas. O que, com a exceção da tortura, levaria mais rapidamente à loucura do que esse tratamento? Aqui as mulheres eram enviadas para serem curadas. Eu gostaria que os médicos especialistas que estão me condenando pelo que fiz, o que só provou a habilidade deles, escolhessem uma mulher perfeitamente saudável, a fizessem calar a boca e sentar-se das seis da manhã às oito da noite em bancos sem encosto, não permitindo que ela falasse ou se movesse durante todo esse tempo; que a deixassem sem ler nada e que não ficasse sabendo nada do mundo ou do que acontece e dessem a ela comida ruim e tratamento ríspido; e então vissem em quanto tempo ela ficaria louca. Dois meses seriam suficientes para transformá-la em uma ruína mental e física.

Bly passou dez dias no hospício até um advogado do jornal liberá-la, e sua denúncia não foi em vão. Diante da pressão popular e de um júri designado para investigar o caso, a prefeitura de Nova York passou a destinar 1 milhão de dólares a mais por ano para o tratamento dos loucos. A comida melhorou, agasalhos foram doados e médicos e enfermeiras passaram a ser mais atenciosos. No entanto, quando a reportagem foi publicada em livro, Bly voltou à ilha para escrever um novo capítulo e encontrou algumas das companheiras em estado ainda pior. Hoje, o hospício está desativado, o local foi transformado em um bairro residencial e a ilha mudou de nome para Roosevelt Island.
OBS. Somente para título de informação. Não possuo canal no YouTube então o interesse que nos move é tão somente mostrar em película a extraordinária vida dessa mulher que mudou a visão sobre os doentes mentais.

Existe uma diferença colossal entre apenas ler uma frase e realmente habitá-la por dentro.