Luiz Roberto Bodstein
A resistência automática a todo tipo de “ismo” está baseada no entendimento de que os únicos direcionamentos de que precisamos é Consciência e Ética. Todos os demais se prestam a realizar algum tipo de lavagem cerebral, e entre eles se incluem as crenças que passam de geração a geração, com exceção apenas das que brotam, espontânea e livremente, de dentro do próprio indivíduo.
Quando seu esquema de crenças responde “Sim” a seu próprio questionamento sobre se ele lhe chegou por seus próprios meios, em vez de absorvido por herança ou decorrente de “osmose”, então você pode ter certeza de que ele é legitimo, e nesse caso o menos importante será em que você acredita.
O problema do rebanho não é se mostrar equivocado em alguns momentos, mas o de que basta possuir uma único cérebro idiota a integrá-lo – e a regra é que haja muitos – para que todos os outros se projetem com ele ao fundo do precipício.
Só quem já teve seus valores mais sagrados achincalhados pela ignorância alheia consegue entender quão devastadora pode ser a sensação de haver misturado suas jóias mais caras à lavagem que acabara de deitar à pocilga.
Pesquisadores e crentes jamais chegarão a um consenso, e a razão para isso é bastante simples: os primeiros são movidos por um desejo visceral de chegar à verdade, e os segundos por uma necessidade irracional de acreditar nas verdades que ouviram dos que os antecederam ou que, sem base alguma, construíram para si mesmos, apavorando-os a idéia de que podem ter estado enganados o tempo inteiro.
Quem escreve gosta de fazê-lo para os que pensam, não para os que juntam letras para formar palavras.
Sempre que alguém se referir a mim como “ético” irei receber aquilo como uma expressão de carinho entre duas pessoas que se estimam, mas nunca como elogio. É como esperar ser exaltado por estar dotado de cabeça, tronco e membros já que ética não é qualidade mas, em tese, algo inerente à toda a espécie humana. O dia que todos entendermos isso teremos priorizado a consciência, em lugar de sermos tidos como virtuosos.
Quando me perguntam porque não voltei a me casar fica difícil explicar que isso se deve ao meu senso de justiça. O fato é que adotei para mim uma forma de vida tão simples e austera que não seria justo impô-la a outra pessoa, a menos que eu não gostasse dela. Mas como não conseguiria me unir a quem não gostasse, a única opção que sobra é poupar a nós dois.
Sobre os medos: Na primeira vez em que vieram eu me assustei. Mas logo em seguida se foram... E eu fiquei!
Sempre me pergunto sobre o tipo de “fé” que move aquele crente que se recusa a conhecer qualquer coisa fora da crença que traz. Questiono se o que ele acredita é forte mesmo como afirma, ou se é tão frágil que irá desabar como um castelo de cartas se não blindá-la por todos os lados, e é apenas o confronto que o assusta, pois que lhe pode tirar o chão dos pés. Apenas o que é falso depende de muros para sua sobrevivência, enquanto a verdade jamais teme ser exposta. Ao contrário, é dessa forma que ela se impõe.
A ciência do autodomínio consiste em não subestimar os riscos, mas sem mergulhar em paranóia, e a do equilíbrio é ser cauteloso sem contudo se ver como uma ilha cercada de ameaças por todos os lados.
Nunca me atenderá aquela corrente que troca o questionamento pela fé no que já chegou pronto. Antes de qualquer coisa é preciso esgotar as perguntas, depois esperar pelo momento em que alguma resposta bata forte em nosso interior para, finalmente, nos rendermos à crença decorrente de uma Verdade que se impôs por si mesma.
Existem dois tipos de pessoas que nunca se mostrarão indispensáveis: aquelas que não fazem o indispensável e as que só fazem o indispensável.
Há pessoas que com um único gesto conseguem fazer toda a beleza de anos se desmanchar ao primeiro contato com elas; e tudo o que se construiu durante uma vida inteira em minutos ser transformado em cinzas; como pessoas que antes conviviam em harmonia se virem cercadas de inimigos; e até o bem mais precioso que se possua sendo tratado como comida de porcos. Não são pessoas que se costuma falar como tendo um “dedo podre”, mas que carregam a podridão na própria alma e se ocupam em espalhá-la por onde quer que passem.
Não espere que empenhar-se ao máximo para oferecer apenas o melhor agradará a todos. Haverá sempre aquele para o qual a excelência irá produzir muito incômodo por ter ciência que a comparação deixar-lhe-á exposta a própria mediocridade.
Seja para acusar ou para defender, sempre que a ênfase na opinião se mostrar maior do que no fato, então nada do que se ouvir deverá ser tomado como inquestionável.
Indução subliminar é algo que, mesmo permanecendo atentos, nem sempre se conseguirá evitar. Mas a tentativa de convencimento explícito é inaceitável pelo fato de subverter o pensamento alheio por meio de convencimento, que não se distingue em nada de manipulação, e ninguém que respeita a si mesmo pode deixar de lhe impor severa resistência por se ver tanto desrespeitado quanto subestimado em sua inteligência.
As coisas úteis e factíveis que nos esforçamos para tornar acessíveis a outrem correspondem à nobre missão de educar. Mas as subjetivas e controversas - como suas crenças, valores e ideologias - nunca o serão. Daí que subverter a ordem alheia pelo seu uso vem sempre impregnado de interesse próprio e não de preocupação com o bem alheio, revelando-se, portanto, indigno e desrespeitoso quando levado a quem quer que seja.
A intempestividade precisa de muitas palavras. A autoconsciência desperta para a eloquência do silêncio.
Tudo o que deste sem pedir nada em troca é tesouro que nunca se esgota. O que não te dão quando és tu que precisas, te será convertido em dádivas.
Se a intenção é chegar à idéia perfeita, o meio mais eficaz é submetendo-a ao maior número possível de cabeças, pois que surgirá do confronto de muitas. Mas se o objetivo é comunicar o que se pensa, não há nada mais idiota do que optar pelo compartilhamento coletivo, pois ganhará mil versões que tornarão vis seus pensamentos mais nobres. Nunca a humanidade universalizou o “besteirol” e gerou tantos conflitos como depois de inventar os famigerados “grupos instantâneos”, onde os minutos de fama são usados para jogar tinta de inteligência sobre os pensamentos mais medíocres, de modo a compartilhar asneiras, inflamar egos e despertar rancores.
Como nos disse Hobbes, “o homem é o lobo do homem”. Uma coisa, pois, que a vida ensina e está sempre nos lembrando é que podemos passar toda a existência nos entregando às pessoas de corpo e alma, mas logo na primeira vez em que se sentem contrariadas elas esquecem tudo o que foi feito, e a única coisa que parecem sentir é de não terem ido com a sua cara desde criancinha.
Mostrar-se consciente e disciplinado é admirável; tornar-se servil a preceitos alheios é desprezível.
Qualquer tipo de censura é o caminho mais rápido para o autoritarismo ilegítimo e arbitrário, pois que o estado toma para si o direito de substituir a seu bel prazer as escolhas das pessoas, o que transforma seus cidadãos em fantoches subservientes e manipuláveis. Cabe ao estado garantir a ordem e o princípio de licitude, o que não inclui a decisão sobre assuntos de cunho ideológico, filosófico, moral ou de qualquer outra natureza que não se traduza por crime tipificado pelos dispositivos legais. Moralidade é assunto de natureza essencialmente pessoal, e seu controle atenta contra todo e qualquer sentido de Liberdade. Compete ao indivíduo decidir sobre o que quer ou não quer ver, ou a seus filhos, e cada vez que permitimos que o estado o faça em nosso lugar, aceitamos ser convertidos em seres abjetos e servis, que se confessam incapazes de gerenciar sua própria trajetória. Ter as rédeas dela nas mãos chama-se DEMOCRACIA, que tem como maior missão preservar o que você tem de mais sagrado, que é sua LIBERDADE.
Oração Quântica
Energia Primordial do Cosmos
que permeia o visível e o invisível,
Que eu possa sentir-te em todas as tuas nuances
integrado ao todo do teu Eu sistêmico.
E que assim me acolhas, sem bordas ou arestas,
Na absoluta harmonia do teu multiverso.
Que eu me faça alimento e me sacie
Desse todo único do qual faça parte,
Célula cósmica do mecanismo vivo
Em moto contínuo que fazes girar.
Cuida que dele não nos desprendamos
Ou o possamos emperrar por lassidão.
Que assim seja.
