Luis Freire
Sinestesia
Cansei de me conter
E comecei a escrever
Os versos voam
Quando penso em você
Quando estou contigo o tempo quer voar
Vira vento, vira vaga, vira ar
Cada pinta tua é um mapa por decifrar
Um segredo que só o tempo vai revelar
Tu serás o motivo dos meus versos
Por isso é que te peço
Sempre que tu falas
Minha boca se cala
Pois cada palavra
Me fura feito bala
Guardo cada frase, nem que sejam falhas
Teu silêncio até vale mais que outras batalhas
Quero aprender teu jeito, teu olhar
Quero aprender contigo a te amar
Aprender como posso te ter
Aprender a te conhecer
Aprender tudo o que és, cada detalhe teu
Aprender ao teu lado o que o mundo não me deu
Quero ser o silêncio antes da tempestade
O instante que antecede toda verdade
Guardar de ti o que ninguém mais sabe
E ser, pra ti, o que mais te cabe
Tu és minha sinestesia
A mistura perfeita que me contagia
Teu beijo tem gosto de correria
Teu toque me anestesia
Vou te chamar de minha, mais que deveria
E mesmo depois de tudo isso que eu sinto
Ainda existe um verso que não termino
Uma palavra presa, quase escapando
Que eu guardo em segredo, mas vou soltando
Prefiro esperar o vento certo chegar
Pra que o que eu sinto não te faça escapar
Um dia o silêncio vai se transformar
No verso mais simples que eu puder te entregar
por que tu faz eu sofrer?
com a remota chance de te perder,
o que mais eu quero é te entender!
com minhas poesias vou te descrever,
o que um dia vai me pertencer.
Se o teu silêncio me faz padecer,
Nos teus olhos busco o meu amanhecer.
Mesmo que doa te amar e querer,
Minha alma insiste em não te esquecer,
Pois só contigo eu posso verdadeiramente viver.
sei que palavras são fáceises dizer,
mas só com elas posso dizer,
quanto que eu amo você!
Venho através destes versos, de punho livre e coração aberto,
Registrar o que sinto por ti, sem receio ou disfarce incerto.
Não prometo mil palavras, nem um futuro desenhado,
Mas que cada gesto meu revele o que guardo ao teu lado.
Poderia te dar flores, mas o tempo as faria morrer,
Poderia te dar bens, mas nenhum compraria teu ser.
Prefiro dar-te o carinho que em mim puder florescer,
E ser abrigo nos dias em que o mundo te entristecer.
Em menos de um mês, já eras prioridade nos meus planos,
E tua ausência, tão pequena, já alongava os desenganos.
Teus cachinhos dourados me prenderam no encanto,
E, pouco a pouco, fui encontrando meu lugar no teu recanto.
Confesso que a escalada talvez te tenha causado espanto,
Mas há beleza no receio que se vence de vez em quando.
E se a altura te assusta, não precisas ter vergonha,
Há coragem em quem treme, mas ainda assim se põe à prova.
E quando desceres de rapel, entre o vento e a imensidão,
Talvez descubras que a aventura também mora no coração.
E, se por um instante, te distraíres com a paisagem,
Espero ser parte bonita da lembrança dessa viagem.
Queria te dar o mundo, com seus caminhos e lugares,
Mas não cabem nas minhas mãos tantos céus, terras e mares.
Não posso pôr aos teus pés cada horizonte a desbravar,
Mas posso caminhar contigo e, juntos, os descobrir e explorar.
Vamos escalar montanhas, desafiar o que é distante,
Pedalar por estradas, sem saber o que há adiante.
Nadar por águas desconhecidas, sob o sol a cintilar,
E acampar sob as estrelas, vendo a noite nos abraçar.
Talvez não haja luxo algum, nem um destino planejado,
Só uma barraca, o céu aberto e teu sorriso ao meu lado.
E se a chuva nos alcançar, se o caminho se perder,
Talvez seja justamente aí que eu mais goste de viver.
Pois não é sobre o destino, nem o quanto se percorreu,
Mas sobre o que cada instante, ao teu lado, se tornou meu.
Uma estrada sem asfalto, um céu nublado, um dia qualquer,
Ganham outro significado quando os vivo com você.
Não te prometo o mundo, nem riquezas por herança,
Prometo não fazer da vida uma eterna sala de espera.
Quero que haja em nossos dias aventura e esperança,
E que o tempo nos encontre sempre em busca de outra primavera.
Não posso te dar o mundo, nem os sonhos realizar,
Mas posso estar contigo quando a vida nos chamar.
E se tudo o que eu tiver for uma estrada e o luar,
Que me falte tudo, menos teu sorriso ao caminhar.
