Sinestesia Cansei de me conter E comecei... Luis Freire

Sinestesia


Cansei de me conter
E comecei a escrever
Os versos voam
Quando penso em você


Quando estou contigo o tempo quer voar
Vira vento, vira vaga, vira ar
Cada pinta tua é um mapa por decifrar
Um segredo que só o tempo vai revelar


Tu serás o motivo dos meus versos
Por isso é que te peço


Sempre que tu falas
Minha boca se cala
Pois cada palavra
Me fura feito bala


Guardo cada frase, nem que sejam falhas
Teu silêncio até vale mais que outras batalhas
Quero aprender teu jeito, teu olhar
Quero aprender contigo a te amar


Aprender como posso te ter
Aprender a te conhecer
Aprender tudo o que és, cada detalhe teu
Aprender ao teu lado o que o mundo não me deu


Quero ser o silêncio antes da tempestade
O instante que antecede toda verdade
Guardar de ti o que ninguém mais sabe
E ser, pra ti, o que mais te cabe


Tu és minha sinestesia
A mistura perfeita que me contagia
Teu beijo tem gosto de correria
Teu toque me anestesia
Vou te chamar de minha, mais que deveria


E mesmo depois de tudo isso que eu sinto
Ainda existe um verso que não termino
Uma palavra presa, quase escapando
Que eu guardo em segredo, mas vou soltando


Prefiro esperar o vento certo chegar
Pra que o que eu sinto não te faça escapar
Um dia o silêncio vai se transformar
No verso mais simples que eu puder te entregar