Lucci Santz

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A dor ensina a se portar quando já não podemos reagir a tudo. Ensina paciência quando o tempo não obedece à nossa urgência. Ensina resiliência quando a vida nos derruba e, ainda assim, alguma parte nossa decide levantar.
E talvez a maior lição seja esta: resiliência não é aprender a suportar qualquer coisa. É aprender quando permanecer de pé e quando finalmente ir embora.

RESPOSTA


O que fica
não é necessariamente
o que foi deixado.
Há coisas que atravessam uma vida
e desaparecem sem testemunha.
Outras permanecem
num lugar que sequer conhecemos.
Uma palavra pode morrer
em quem a escreveu
e continuar respirando
em outra pessoa.
Uma ausência pode ser apenas ausência
para quem partiu,
e tornar-se linguagem
para quem ficou.
Por isso, nenhuma história termina
quando a última palavra acaba
O que foi dito
já não pertence inteiramente
a quem disse.
O que foi vivido
também não permanece intacto
em quem viveu.
Cada pessoa recolhe
uma parte diferente dos acontecimentos.
Uma guarda o silêncio.
Outra, a ofensa.
Outra, a ternura.
Outra sequer sabe explicar
por que determinada coisa
nunca deixou de doer.
E sempre haverá algum idiota
disposto a interromper o texto
com a grande descoberta:


“É inteligência artificial.”


Como se nomear uma ferramenta
fosse suficiente para desqualificar
aquilo que ela produziu.


Curioso é que, às vezes,
a única coisa artificial na sala
é justamente a inteligência
de quem acusa.


Porque escrever não é juntar palavras.
É sustentar uma ideia.
É construir pensamento.
É saber onde uma frase termina
e onde outra começa.


E há quem não consiga sequer
organizar o próprio argumento
sem tropeçar nele,
mas se sinta suficientemente preparado
para julgar a literatura alheia
com três palavras e uma acusação.


No fim, pouco importa
quem escreveu primeiro,
quem escreveu melhor
ou quem utilizou qual ferramenta.


O texto precisa sobreviver
ao autor, ao método
e principalmente ao julgamento
de quem não conseguiu compreendê-lo.


Talvez seja essa
a única propriedade impossível de confiscar:


o significado que algo adquire
depois de passar por nós.


O que tu fica
não é o que eu fico.


E talvez seja justamente aí
que começa a literatura.

Uma palavra pode significar perda para quem escreve e liberdade para quem lê.

“Algumas amizades não terminam quando o afeto acaba. Terminam quando a reciprocidade é colocada à prova.”

Às vezes, tudo o que a alma deseja é um pequeno recanto onde possa tirar os sapatos da pressa, abandonar as armaduras e respirar.
Sem precisar ser forte.
Sem precisar explicar.
Apenas ser.
Talvez seja essa a verdadeira saudade de casa:
sentir falta de quem éramos quando ainda sabíamos onde nossa alma descansava.

“Quando roubam uma criança, não roubam apenas um corpo: roubam o direito de crescer sem medo.”

"Sou feita de perguntas, mudanças e algumas certezas que só o tempo explica.”

Eu me reinvento todos os dias para não me entregar.


Às vezes, certas mudanças são necessárias para preservar aquilo que ainda resta de quem você era antes do caos se instalar.
Não é deixar de ser quem somos.
É aprender a proteger o que sobreviveu.

Falar de saudade do que nunca se teve é, de certa forma, querer viver aquilo que nunca esteve ao nosso alcance.

Mas o que eu guardo?

Guardo o sonho interrompido.
A vontade de ser mais de quem eu sempre fui para alguém.
Guardo os dias de trilhas e pores do sol que não tive a oportunidade de viver.
Guardo as conversas que ficaram pelo caminho, os planos que não chegaram a nascer e tudo aquilo que existiu primeiro dentro de mim.

E, principalmente, guardo a necessidade de ser tudo, mas não para qualquer pessoa.

Agora eu quero ser tudo para quem não vai transformar meu coração em abrigo.

Porque até os abrigos são temporários.

Eu quero ser morada.

Morada para quem chega e escolhe ficar.
Para quem não procura apenas proteção, mas pertencimento.
Para quem entende que um coração não foi feito para ser passagem.

Talvez seja essa a saudade que eu sinto.

Não de alguém.

Mas da vida que eu ainda não vivi com alguém que saiba ficar.

"Propósito não é saber até onde aguentar, mas reconhecer até onde seguir sem se perder de si."

SEM ROMANTIZAR


Não vou chamar de amor o que me deixa esperando,
nem chamar de escolha o que vive me descartando.
Não vou pintar de destino aquilo que me feriu,
nem dizer que foi bonito só porque um dia existiu.
Amor não é disputar atenção com um vício,
nem aceitar migalhas chamando isso de compromisso.
Não é estar ao lado e ainda se sentir sozinha,
nem pedir presença de quem já escolheu outra companhia.
Eu não vou romantizar o abandono,
nem transformar silêncio em trono.
Quem ama também precisa permanecer,
não apenas voltar quando decide querer.


E se a despedida vier sem explicação,
eu não vou implorar por uma confirmação.
Há palavras que encerram antes do adeus,
e há portas que se fecham quando alguém diz: “procure outro alguém”.


Dói.
E eu não vou fingir que não.


Mas dor não é prova de amor,
assim como permanência não é prova de valor.


Às vezes, amar também é compreender
que ninguém pode ser salvo à força,
nem escolhido por quem não consegue escolher.


Então eu sigo sem transformar ferida em poesia bonita.
Porque algumas histórias não precisam de fantasia.
Precisam apenas da verdade:


eu quis ficar,
mas não vou me perder
tentando permanecer.

Eu poderia continuar batendo à sua porta, mas aprendi que até o amor precisa saber quando transformar saudade em despedida e partir.

E eu não quero ser o amor que alguém sente,
mas não consegue escolher.

Eu não quero ser lembrada quando for tarde. Quero ser escolhida enquanto ainda estou aqui.

“A minha alma não cala. Ela apenas aprendeu a escolher para quem vale a pena falar.”

Às vezes, somos a obra do que não queríamos ser.


Feitos de escolhas que não planejamos,
de feridas que não pedimos,
de perdas que nos mudaram
e de versões nossas que nasceram apenas para sobreviver.


Nem toda transformação é bonita enquanto acontece.
Algumas deixam marcas.
Outras mudam nossa forma de amar, de confiar, de permanecer.


E, ainda assim, seguimos.


Talvez amadurecer também seja olhar para essa obra inacabada que nos tornamos e entender que, mesmo sem ter escolhido o processo, ainda podemos escolher o que fazer com aquilo que restou.

O mundo deu uma volta tão pequena que só meu peito percebeu.

“Viver não é fugir de si em cada festa. É saber voltar para si quando a noite termina.”

“Às vezes, a vida não afasta pessoas de nós; apenas revela quem nunca caminhou na mesma direção.”

“Tem gente que só cabe na nossa vida enquanto a gente se diminui.”

Há quem desconheça a própria vida, mas tenha uma intimidade impressionante com a dos outros.

“Desmontar-se não é se perder, é silenciar o impulso para compreender o que realmente merece ser reconstruído.”

Desmonte o impulso. Domine-o. Só então reaja.

E se não for mais sobre eu e você?

E se eu finalmente parar de te esperar?

Será que, algum dia, vou te ver passar
e não sentir vontade de voltar?

E será que, nesse dia...
meus olhos ainda serão os mesmos?

Ou talvez eu já tenha aprendido
a olhar para você
sem procurar em nós
aquilo que um dia eu esperei encontrar?

O tempo passa diferente
quando o sonho perde a vez.
Passeios, risos, violões,
danças na praia ao fim do mês.
Não foi uma história perdida,
nem lembrança de algum lugar.
Foram sonhos sem começo
que o tempo levou sem esperar.