Leônia Teixeira
Não guardo somente para mim
O que escondo,
Não abafo meus segredos, não !
Não escrevo só fantasias e sonhos,
O real também são meus escritos
Meu grito não deixo em silêncio,
Minha dor não apago em sorrisos
Não adianta esperar de mim frases feitas,
Xerocadas...
Sou menos do que imagina ,
Sou mais do que conhece.
Nas minhas gavetas
Não guardo rabiscos
Nem pedaços,
Sou tela de um filme
Em preto e branco,
Sou páginas de um livro,
Quando estou feliz escancaro
O sorriso escandalizo,
Meio termo não faz parte
Não me agrada.
A loucura me ganha
Quando a lucidez bate
Mostro minha cara, faço pirraça
Mal educada,
Não dou vez as coisas no lugar
Prefiro o desarrumado,
Livre, leve, doida...
Quando te encontrar vou trancar teu olhar no meu, vou te agarrar, te aprisionar nos olhos meus, te fazer refém dos meus desejos...amanhã, quando te encontrar, vou enroscar meu olhar no teu.
Tudo em mim tem um quê de loucura, uma dose de insensatez. Os loucos tem pedaços de mim, e eu, partes deles!
Roubo as flores para te entregar em versos, sou ladra de rosas e violinos...canto, o som da natureza...com fitas douradas, embrulho o melhor presente, que posso dar a ti.
O coração me pede para não cair em prantos, implora para eu esquecer as lágrimas...mas minha alma chora a saudade, a falta...vontade de você !
Não se aborreça com minhas meias verdades, nem tudo pode ser dito. Roupas de cores, saltos altos...nem sempre é possível pisar no chão.
Lá vem eu na madrugada...dançando na ladeira, batucando na avenida. Lá vem eu, desfilando na passarela, sambando...caindo na dança, tirando os sapatos, bailando. Lá vem eu, hoje os meus versos tão mais aflorados, vou rodopiar na poesia, sambar no mar !
Não me venha com frases feitas, repetidas...não me fale de coisas que não vive, não sangra na pele. Tudo é fácil, a dor é pequena quando não é em você.
Vergonha não ficou para todos, caráter são para poucos. Para quem faz do dinheiro, o seu Deus, o mais não passa de nada. Triste, admitir e vê tanta gente se desunindo, se destruíndo, se perdendo um do outro...e ainda por cima, se usar "a paz" quanta farsa, quanta demagogia. Dinheiro: quanto mais se tem, mais se quer, não importa quais os meios nem o preço que se tem a pagar.
O vento que bate a minha porta, trás até mim, lembranças de momentos passados... tão presentes, nos meus momentos.
Teu olhos tem um brilho que reluz palavras caladas, tem um quê de qualquer coisa que me leva a lugares ocultos, escondidos...teu olhar, abafa dores, vontades...me fala coisas em silêncio e canta meus desejos no simples jeito de olhar.
Meu olhar guarda segredos que um dia dividimos, guarda palavras que trocamos em silêncio, esconde o amor que ainda mora em mim. Meu olhar, tem uma porta secreta...só a você, mostro o caminho.
Estranho, carregar em si o que não te pertence
Estranho, querer o que o destino não escreveu,
Estranho, esperar um olhar de quem não te enxerga
Estranho, querer um abraço de quem não te vê.
Estranho, acordar na noite sentindo perfumes
Estranho, adormecer procurando um abraço.
Estranho, desejar o que não se pode ter.
Estranho, um cheiro que te consome,
Estranho, um olhar que te invade
Estranho, galopar em teu corpo
Estranho...um rosto estranho !
Estranho, tentar te enlouquecer,
Estranho, ficar enlouquecida.
Estranho, querer um cheiro
Estranho, sonhar com teu beijo,
Estranho, esse louco desejo
Estranho, essa obsessão
Estranho, essa loucura...
Estranho...você !
Sair correndo a favor do vento, encontrei tempestade mas driblei com um sorriso, com um jeitinho moleca que carrego em mim.
Olhei para o tempo, ouvir palavras, sentir saudades
O cantar das ondas suavizou meu grito, amenizou minha dor, calou meu desespero me falou de amor.
Vi flores, sentir teu cheiro, corri em frente.
Fitei a lua, me deslumbrei com o sol...as estrelas iluminavam o caminho.
Fui além do que se espera, do que se quer, do quer se pode.
Virei o rosto, subir escadas, cair.
Não sacudi a poeira pra não perder tempo
tenho pressa de encontrar a festa, de seguir teus passos,
de dançar na chuva, rodopiar no rio, de rolar no mar.
A música tocou ao longe, me sentir mais perto.
Desci ladeira, subir escada...tropecei !
Fiquei de pé, continuei correndo, querendo, buscando, sentindo.
Cheguei ! Abrir a porta, joguei a chave.
Sonhos, ilusões, fantasias, desejos...melodias !
Cantei nossa canção, declamei poemas e te fiz poesias.
Não questione minha loucura, sua lucidez também não me agrada, e dai ? Respeito, é a palavra chave !
Se a vida me pede passagem para tristeza, me faço de mouca, cega...escancaro meu sorriso e peço desculpas pela falta de atenção.
Poetas são loucos apaixonados, são autistas, vivem no seu próprio mundo. Sofrem da síndrome de down, tem cromossomos a mais: amor, inocência, pureza...poetas são doentes curados, são surdos que escutam o vento, mudos que falam sobre o amor. São deficientes visuais que não conhecem o pecado, que enxergam o sol, a lua...mais eficientes que qualquer normais. Poetas, são cadeirantes que correm na rua, na chuva...sobem montanhas, escalam o mar. Poetas, são jardineiros, violeiros...cantam a paz, a liberdade, o direito, a igualdade. São poetas: os rios, o verde, a mata. Poetas, são crianças abandonadas, moleques...São poetas, mães de filhos inocentes, mortos nas favelas...negros, homossexuais. Poetas são filhos de mães solteiras, abandonadas, estrupadas, que sofrem preconceitos, desiguais...São poetas...somos poetas, todos nós !
Quando lágrimas pingam em mim, são tristezas falando em águas. Banhos de saudades molham todo o meu corpo, quando lembro o melhor de nós !
