Leônia Teixeira
E daqui a pouco o dia desperta: vem teu cheiro, teu rosto, teus olhos... agora é hora de se despir dos sonhos.
Tirei a roupa, arranquei sapatos, corri. Fui de encontro a vida: me joguei do alto, libertei meus sonhos !
De um amor
Que violenta meus sonhos,
Amordaça minha alma.
De um amor que me arranca suspiros
Que me cala.
De um amor que bagunça, mexe
Espanca,
De um amor que me frecha
Vive, sobrevive...
De um amor que se proíbe
se esconde !
Qual o pecado desta vez
Onde errei ?
Arrasto-me aos teus pés, rastejo.
..."Troco uma noite pra te amar
Por uma vida inteira pra te esquecer..."
Por Deus,
Conta-me teus devaneios, fala !
Nem nos meus sonhos mais loucos
Nem nos mais insano dos meus delírios
Decifro tua verdade, desvendo teus mistérios.
Imensidão de mim
Onde houver o sol irei em busca
Onde estiver a lua, descansarei !
Onde palmeiras e sabiás cantarem
Apearei, deitarei meu cansaço.
Sou filha da luz, amiga !
Meus pés são asas
sonhos, voos livres...
Campinas, relvas e matos.
Onde adormeço o meu descanso
Folhagens, ramos e rapinas
Abro os olhos,
Na imensidão de mim.
Que a vida não seja só o abri de olhos: seja sentimentos, veias pulsando, coração acelerado...arrepios e gargalhadas. Que seja amor, abraços e sorrisos. Que não se resuma em pratos, pias...escritórios, reuniões. Que a vida seja um olhar pra lua, um tempo pra o mar. Que o amor triunfe e marque, que os dias tenham sempre o sabor de gostar, amar...
Que a vida não iniba os amantes, não envergonhem os enamorados...que seja poesia mesmo triste e que nada, nem por nada se deixe de viver e sonhar !
Sabe aquela vontade de agarrar teus olhos, incomodar tua pele, arrepiar... aquela vontade desenfreada, malcriada de te mandar um beijo, pois é: todo o desejo que tenho pra hoje !
Na loucura dos meus devaneio vou me perdendo, me esquecendo.
Há tempos que esqueci de mim. Vou adormecendo nos sonhos, desejos...escrevendo contos: o mocinho é você.
Sou a garota adormecida, esperando um beijo...querendo músicas !
Que escreve poesias noite e dia, que te manda emails.
Sou a garota que chora quando não te ver, que sente falta do teu sorriso, do teu olhar, que baba com tua voz. Que implora, mendiga... a garota que venderia a alma, daria uma vida pra te ter, um minuto pra viver !
E ai, tudo que você quer e precisa é do olhar de quem se ama, da presença. Diz claramente, fala na lata: se entrega, se mostra, se desnuda.
Como resposta silêncio, ausência.
Bate o vazio: sensação de ter magoado, errado. Tentando consertar, erra mais uma vez. Rolam lágrimas...vontade de sumir, fugir, se esconder, jogar tudo para o alto, desejo de esmagar os sonhos, deletar lembranças, excluir memórias...cai a ficha: coração não se manda, não mente.
E tentando viver esse amor louco, doente...vou me magoando, me machucando, me humilhando. Nos meus devaneios, imagino que pensa em mim, lembra de mim... ilusão, doloroso engano !
Mulher de Flora
Mulher de Flora
é beleza pura,
pele de seda...flor.
É pura flora,
amante da natureza
cheiros e cor.
Flora Pura, pura beleza
pele, corpo, alma e tom.
Bocas e olhos se pintam
criam forma, encantam.
Sabonetes da flora
maciez, limpeza
limpam pés, suavizam mãos
reduzem marcas...
capsulas vindo de ervas
combatem gorduras
emagrecem,
cremes reduzem medidas...
do mato:
mel de hortelã, cura-cura para tosse
pulmão, coração...
perfumes, batons se destacam
te embelezam,
cremes limpam, rejuvenecem...
produtos da natureza
curando....
Pura Flora,
qualidade, tradição, experiência
é com a Flora Pura.
Empregando,
distribuindo renda
ajudando nossa nação.
Flora Pura,
embelezando, perfumando
Flora Pura é pura natureza
beleza, sedução !
Tentando ser madura: são tentativas de barrar meus devaneios, minhas loucuras...
sempre fui vulcão, explosão...sempre me despi, escancarei coração.
Tentando !.
Belo como o vento, suave...
feito o mar !
Azul da cor do céu, garoto.
Não nos senti rivais,
apenas um homem e uma mulher.
Se dando, se entregando;
amantes, amigos, amados...
se amando !
Fingo senti teus olhos, invento.
São vontades que por mim passeiam,
são loucuras que desejo.
Me faço amada, tocada, acorrentada...
Nos meus devaneios colo em tua boca
tiro tua roupa,
viajo em cada parte de ti !
Me deliciando, me lambuzando...
derrapo em curvas perigosas,
estradas: teu corpo !
Viro noites, acordo em sonhos.
Imagino o proibido, o não permitido...
te desenho, roubo retratos...
te fotografo em mim.
Porque um sorriso, um olhar teu, me tira do chão...me faz levantar poeira. Formiga cada pedacinho de mim, arrepia cada parte !
Ontem sorrisos, olhares, atenção...hoje, nem aí.
Pra nós não dá mesmo. Vejo que é mais um dos meus devaneios loucos. Quando acho que vamos buscar a saída, você bate uma vez mais a porta na minha cara, fecha todos os caminhos, as estradas...parece bipolado ! Cansa, sabia ? Tou por um tris. Não é fácil viver anos após anos se entregando, se dando, se mostrando...amando só !
É aquela história; quem sonha sempre alcança. Só que no nosso caso, melhor dizendo, no meu caso: quanto mais sonho mais distante fica, mais complica. Já me repeti tanto, já me joguei tanto...em versos, em músicas, em canções. Nem sei se ainda há frases para serem ditas, letras para serem faladas, cantadas...me sinto em uma corda bamba, por um fio.
Perguntando aos meus botões se ainda vale a pena lutar, continuar...sonhando em viver meus sonhos,
será ?
Ser poeta é também bater a porta, fechar... atirar chaves a quilômetros sob o mar e aceitar que o intransponível existe.
É entender que nem só de amor se vive, nem só de sonhos !
Parece tudo louco.
De novo tua voz fria, teu olhar distante...
apressado !
Não me deu bola, não me deu sorrisos.
E tudo se repete:
bate o vazio, rola a saudade.
Há de haver um jeitinho, um lugar...
minutos,
para entrelaçarmos nossos sonhos
juntar nossos lençóis.
Hão de se abrir cancelas
veredas,
há de acontecer
beijos, abraços...
Buscando jeitos, procurando
estradas, ruas...
caminhos,
pra nós !
