Leônia Teixeira
Vou te tirar de mim, vou te apagar da mente. Não importa quantos rios eu tenha que chorar, quantas ruas tenha que andar...vou te arrancar a ferro e fogo.
Vou olhar teus olhos, não importa...
se virar de lado,
vou olhar mesmo assim.
Vou lembrar tua boca, não importa...
se continuar calado,
vou puxar conversa, vou falar...
se não responder,
não importa,
vou falar mesmo assim.
Vou sonhar contigo
não importa,
nos meus sonhos mando eu !
Não busque mais palavras, não procure atalhos...desculpas,
o que se diz foi dito: não se perde no vento !
Permitiste-me um abraço
deixaste-me em êxtase,
fui ao vento
voltei no tempo...
me joguei em passos
rodopiei,
corpos colados
juntos,
dancei !
Não me dou bem com gente falsa
não é minha praia,
ou gosto,
ou tou fora.
Sempre fui assim:
não escondo, não disfarço !
Ufa !
Foi-se o tempo
que meus olhos cantavam
contavam segredos,
foi-se o tempo
que pedia colo
chamego,
foi-se o tempo
que minha voz sussurrava
arrepiava,
foi-se o tempo que mendigava
pedia carinho
carente,
foi-se o tempo...
Pegou em mim como cola
grudou,
fez mel na minha boca
trouxe o céu,
mil cheiros
chamegos, chamegou.
Quando gostei:
picou mala,
deixou saudades...
me abandonou !
Não contam as virgulas
não contam as exclamações
as interrogações,
não contam os parenteses, as aspas
os dois pontos que esqueci.
Palavras erradas, frases incompletas
nada disso conta:
valeu o que vivi, as reticencias...
Porque o sol nasce em mim todos os dias
aquece minha alma, veste meus sonhos.
Porque luz são meus caminhos, estradas...
Não precisa reprisar
demorou,
mas entendi.
Não perca tempo querendo que eu entenda
já sei,
então não repita.
Eu me viro
há avessos, lados...
deixa que eu se entendo comigo.
Não precisa falar de novo
dessa vez, já foi !
Não queira mudar de planos
não fale em enganos,
passou.
Agora é tarde para explicações
conversas,
joguei mil chances nos teus braços
te dei milhões de caminhos,
implorei, mendiguei carinhos
atenção,
deixa ficar assim
vai,
não precisa mais perder tempo
não há mais tempo,
fica aqui, acaba aqui.
Já era !
Final de papo
não dá mais...
já deu !
Sonho livre
sou.
Voar por rios
fontes, navegar.
Sobre oceanos
caminhar,
jardins e mares.
Em canções
versos e cores.
Tou na pele
no bico,
nas asas de beija-flores.
Vivo de reprises. Leio e releio trechos de textos que escrevi.
Trechos não vividos, mas marcados.Trechos em branco, rabiscados...trechos de sonhos, pensados !
Acorda, a vida te chama. Deixa de tanto disse num disse, deixa de sorrisos sem graças, de sonhos jogados...
Encontrei teus olhos
no mar falei de versos,
dancei.
Busquei flores
vi pássaros,
amei.
No vento, no tempo...
vivi.
Viajei, em ondas
naufraguei,
em rios de rosas, poesias...
cantei.
Músicas
chorei saudades,
relembrei.
Revivi, vivi tudo
outra vez mudei planos
esqueci desenganos,
Voltei.
Bagunça meus olhos
desarruma,
mexe nos meus sentidos
rouba,
leva meus medos
surrupia,
carrega minha paz.
É loucura, obsessão...
doença, contagia:
alma
espirito,
coração.
Cair nos sonhos:
sonhei
brinquei nas águas,
fui no tempo.
Vi um homem
menino,
pedia doce,
mel.
Vi um garoto
vinha,
pedia colo, atenção.
Virei de lado
ouvi vozes
violão,
Fui nos versos
roubei poemas, canção...
escrevi poesias
nos braços da ilusão !
