Leônia Teixeira
Há caminhos que nos leva a rios, praias, mar...há outros que te carregam a cores inertes, eclipse, ventania...dois extremos, dois lados: um te trás sorrisos, outro dor.
O que o tempo escreveu não fica apenas no passado: são letras e sons, que tocam e escrevem, quando em vez nos fazem viver e reviver o que não se apaga.
Samba a noite no frio da madrugada, na minha saudade passa cheiros deixando teu perfume e levando de mim...nada, do que ficou de nós.
Todos os versos que escrevo são palavras que esqueci de dizer, são desejos guardados no meu mundo inconsciente ou talvez consciente, eu é que não consegui desvendar, mistérios. São mistérios de mim, que como todo e qualquer mistério não se explica, não se desvenda...farsa, ou talvez eu mesma retratada no meu submundo, no mundo que vivo, que habito...estranho talvez, se certo ou errado quem sabe, porque eu não sei. No meu riso está minha maior parte, acho que o bom de mim. Sigo num espaço de tempo que passou e que está passando, aguardando o que virá, futuro assim se conhece, o que ainda está por vir. E nesse louco abismo de vindas de idas, de buscar de querer...me deparo com o que é real e me confundo com o que sonho.
E ai o tempo decide te trazer de volta, me fazer reviver e viver tudo que valeu, que ficou na história que o tempo não contou, no entanto, também não apagou. Diz tempo, em qual tempo vou esquecer de nós.
Não fiz escolhas, não fui eu que te pedi para ir embora, não foi eu que pedi pra esquecer o inesquecível, pra não mais atormentar tua mente, roubar teu espaço, invadi tua praia...não escolhi, foi você que escolheu. Entre ir ou ficar, ficaria !
Na parede do tempo dou de cara com o sorriso dos teus olhos, revejo cenas de momentos com toques, cheiros, músicas...respiro, revivendo o passado, buscando teu olhar no futuro e querendo voltar a onde paramos.
Faz frio no jardim dos meus sonhos, ausência é saudade que perturba, machuca e faz chorar. Perdi o que de melhor fazia morada no meu peito, o que habitava na minha alma. Já era, não mas acredito em amor eterno, em paixão que consume, queima, marca...desacreditando na capacidade de se dar, se entregar...já era, o amor me abandonou.
Se o mundo te mostra caminhos, siga. É se perdendo que se encontra, é se achando que se perde...é vivendo que se aprende é se aprendendo que se vive. Viva, é vivendo que se sonha é sonhando que se vive. Caminhos é pra seguir, quedas é pra se levantar...em pé é que se cai, é caindo que se levanta !
Só dança quem sabe dançar, só erra quem tenta. Pra se molhar tem que ter água, pra se enxugar tem que está molhado, pra chorar tem que está triste, pra sorrir tem que ter graça.
Vá a luta, lutando é que se vence, se não vencer tente de
Quando vejo pessoas tentando andar na maionese, esquecendo de olhar seus erros, apontando dedos sem olhar de lado, pra trás...é show !
Vê gente dançando na enrolação, na mentira...farsa, pura farsa, gente que se esconde por trás de máscaras, que se maquia e ainda se acha...sorrio nada mais.
Enxerguei a verdade, como cristal trincado ficou meus sonhos, jogou no lixo minhas esperanças, pisou...forte, machucou minha alma...ficou o vazio, sorrisos amarelados, sem graça...tirou de mim o que sonhei, outrora...outros sonhos.
Amo esse meu lado torto, errante...essa alegria que mora nos meus olhos, meu sorriso escandaloso...me apaixono todos os dias um pouquinho mais pela criança que vive no meu quarto , pela garota moleca que dorme na minha cama, pela menina sapeca que me desperta.
Amo a lucidez que me falta, a loucura que me segue e inocência que me acompanha. Pra mim, tanto faz do que não fez...quem sabe tudo seria diferente, mais é igual !
Não se apaga um grande amor, não se mata sentimentos em um piscar de olhos. É que vez em quando, mentiras se fazem necessárias para nos enganar e enganar a quem se ama.
Porque os amores nascem de mil cores, frases benditas, olhares trocados... química, e morrem por falta de sorrisos, abraços, toques... por palavras malditas!
Parecia me encontrar em outro tempo: ruas no fim do túnel, escadas...esquinas me pareciam por demais intimas. O vento soprou do meu lado, ouvi passos
correndo a minha frente, indo, voltando...tudo me parecia intimo demais. Flores dançavam, músicas me tocavam, estrelas piscavam para mim...olhei, arrepios dominaram meu corpo, adentraram a minha mente, soaram nos meus ouvidos... uma canção conhecida por demais parecia me tocar...sem pressa atravessei o rio que passava, sem medo cruzei praças na madrugada, senti um olhar caindo sobre o meu, me despindo, consumindo meus sentidos, incendiando minha pele, perturbando...Percebi um rosto conhecido, amado...me dei conta que o passado me trazia você de volta.
Sonhos, sorrisos, silêncio, palavras, músicas e por tantas coisas mais, me perdi. Te arranquei de mim a fogo e ferro, doeu, machucou...fiz sangrar meus pensamentos, feri meus sentimentos.
Me fiz pagar todos os pecados, me tranquei no escuro, me joguei no vazio...me fiz refém, prisioneira de mim.
Não me dei o direito de voltar atrás, de me perdoar...me obriguei a guardar meus desejos, esconder minhas vontades...matei metade de mim quando me condenei a desistir de nós.
O tempo roubou de mim o brilho dos teus olhos, o sorriso da tua voz...carregou meus sonhos, me esqueceu na estrada, perdida...
Me deixou em ruas desertas, calçadas frias, vazias. Apagou meu riso, tomou teu cheiro, levou poesias, versos...só, parada no frio, abandonada na rua...fiquei, sem flores, sem rosas...a espera de nós.
