LaylaPeres
Sim, eu tentei te encontrar nos homens mais bizarros que poderia existir. Tentei te encontrar em cada frase que eles conseguiam dizer. Tentei te encontrar no olhar malicioso para cima de mim. Tentei te encontrar nas declarações, e nas bebidas. Tento te encontrar me cada texto, para te manter cada vez mais dentro de mim. Consegui me manter interessada na primeira semana, mas no fim, estava eu, sozinha, com o coração cheio de amargura pensando o que você estaria fazendo, se estava fazendo alguém feliz, se alguém estava no lugar que tanto quis. De tanto tentar te encontrar, desisti. Fiquei apenas aqui, resolvi não querer ser usada por ninguém e não usar mais ninguém. Isso é cruel demais, a vida consegue ser cruel comigo, e eu não sei o que fiz de errado. Talvez, seja um teste, mas não sou a melhor e certamente, não ganharei o diploma. Poderei ganhar o diploma de ilusão do ano, ou de idiota do ano, mas seria também cruel demais.
Tento mostrar a falta que ele me faz em cada linha, mas sei que minha vida não está tão péssima assim. E quando perguntam de você, não sei como explicar, nem ao menos entender, porque no fim das contas, talvez a culpa foi minha e talvez, a vida está me dando a chance de querer mudar tudo novamente. Mas dessa vez, não quero errar com ele. Vou ficar quietinha, nem darei algum palpite para a sua vida pessoal. Mas e a dor? O que eu faço com ela? Aonde coloco? Na bolsa? Não sei o que faço com ela, não aguento mais isso.
Você sabe, eu te espero e te guardo, mas só não demore muito. Não consigo mais segurar a vida. Todo mundo consegue se dar bem, e eu estou aqui, sozinha, no escuro, tentando ser quem já não era a muito tempo.
Parece que tudo está voltando para o mesmo lugar. Parece que a vida está me dando outra chance de tentar fazer tudo diferente. Parece que já consigo sorrir. Assumo, ainda gosto do vento porque sinto que ele está sentindo o mesmo vento que o meu, como se fosse uma conexão. Entre nós dois era essa ligação que só Deus sabe da onde veio e o motivo que ela trouxe. Talvez, para aprender que amar mais uma vez, trás sofrimentos. Mas amor não é ruim, amor é bom. O amor sabe deixar qualquer pessoa mais humana.
Pudera existir amor só se fosse correspondido. Amor unilateral, é solitário demais, é triste demais. Por que no fundo, eu ainda insisto nessa história toda. Posso me fingir de indiferente, solitária, dramática, mas no fundo, acredito mais que qualquer coisa. Sempre quis ter motivos para fazer qualquer coisa. Sempre foi assim. Mas dessa vez, foi diferente. Dessa vez, já não há tantos motivos para continuar nessa história, e eu ainda prefiro ficar.
Sempre tive a impressão que ele conseguia ler os meus pensamentos e todos os sonhos. Sempre tive a impressão que ele me entendia mais que qualquer pessoa. Sempre pensei que ele fosse O amor, O cara, O fodão. E não estava errada, bom, pelo menos, não nessa história. Ele para mim sempre vai ser O cara, O fodão, O arrogante que consegue fazer todas derreterem com o seu ar de superior
Mas ainda te vejo em todos os detalhes e em todos os meninos que tentam se aproximar de mim. Te vejo naquele que tem uma risada parecida com a sua. Te vejo naquele que tem um corte de cabelo idêntico. Mas balanço a cabeça, volto a olhar e de novo, não é você, eles não conseguem ser você. Abri mão de querer outros casos, outros amores, outras coisas só para poder cuidar de nós dois, que quando você chegar, e eu sei que um dia isso vai acontecer, tudo estará em ordem, tudo estará como era antes de você partir.
Tenho essas ideias de querer te abandonar toda a noite. Me deito como se fosse A mulher resolvida, mas no fundo, não passo de uma criança que precisa de proteção e que quer perceber que é amada. Essa necessidade de querer te esquecer talvez seja para mostrar mais uma vez, que ao teu lado sempre foi o meu lugar, mas que a vida não consegue dar esse espaço. Eu sei, se um dia você quiser voltar, volte, eu estarei aqui. E sabe o que eu percebo? Eu não sou frágil. Sou forte. Sou típica sentimental que não se assume. Por fora, dura como pedra, por dentro, uma verdadeira menina de cinco anos.
Queremos algo que cicatrize logo. Queremos algo que talvez não há salvação ou escolha. Queremos o certo e o difícil só para no final dizer : Consegui. Queremos um homem que possa fazer tudo valer a pena. Queremos algo diferente para viver. Queremos que a dor passe o mais rápido.
Refiro no plural todas as alternativas, porque não é diferente para ninguém. No fundo, bem lá no fundo, todas as meninas são iguais.
Todas querem o melhor, todas já choraram por amor e todas já acreditaram em promessas falsas. Prometi inúmeras vezes que não iria abandonar, mas por medo de ser deixada e ver meu orgulho ferido, consegui deixar. Mas no fundo, não foi deixado por completo. Ainda há muita coisa acontecendo. Era apenas dele que precisava. Mesmo com todos os defeitos, e era ele que queria por perto. Era ele que eu contaria meu dia, e ele contaria o seu. Era ele que mudaria a minha vida. Eu seria dele. Tudo mudou. O tempo, o vento, o sol acabou e a chuva começou, e sempre me lembro daquele menino que um dia, eu desejei intensamente ter ele ao meu lado. Era ele, se não fosse, acabasse. Minha fidelidade com esse amor foi maior que qualquer coisa.
Minha vontade era clara. Meus sonhos eram proclamados para quem quisesse ouvir. E eu contava a história com facilidade e com um pouco de felicidade. Tudo que eu queria era apenas que ele pudesse me amar. Eu desejei tantas vezes. Em silêncio, pedi várias vezes que pudesse me ver, pudesse ver que é só capa, mas que por trás de tudo isso, eu sinto e muito. Tenho medo de dormir porque tudo pode voltar ao normal. Tenho medo da vida agora, porque ela mais uma vez conseguiu mostrar que o mundo continua mesmo, eu querendo estar parada. A vida continua caos, e ainda sou cheia de cacos.
Não consigo ser inteira, não consigo ser falsa e fingir que está tudo bem, sendo que a podre dentro de mim é cada vez maior. Tenho a doença e tenho a cura comigo, mas quem disse que eu consigo por em prática? Não. Não consigo.
Meu orgulho foi ferido milhares de vezes. Pela primeira vez, em toda minha vida, fui deixada, e fiquei sozinha. Porque olho para o lado, vejo as pessoas rindo, tentando conquistar outras pessoas. E eu, não me movo. Não acho graça, não quero conquistar ninguém. No fundo, é medo de me perder. No fundo, eu ainda sinto tudo. Sabe o que é o pior disso tudo? Mais cedo ou mais tarde, vou ter que me libertar dessa solução que arrumei para tentar abafar a vida e seus amores malucos. Mais cedo ou mais tarde, eu vou ter que libertar o menino.
O que eu senti não foi diferente. Mas eu quero que apareça logo a cicatriz. Não aguento mais viver com esse band-aids e que qualquer pessoa vem, e quer tocar na minha ferida para ver se ela realmente é real. Cicatrizes tem histórias. Você coloca a mão na sua cicatriz, e lembra a história, o motivo, se doeu ou não. E essa cicatriz minha não seria tão diferente. Me lembro daquele jeito dele. Sempre me lembro e sempre penso no quanto tudo poderia ser diferente mas não foi. Me lembro e penso nele e nas meninas que ele tanto gostava. Pensei que iria ficar louca. Pensei que iria colocar as fotos dele em todo canto da minha casa. Pensei que finalmente tudo passaria.
Tenho a consciência que minha felicidade não está apenas nas mãos dele. Tenho a consciência que sei ser feliz sem ele. Todos os caras que vejo na rua tem um pouco dele. Todos os caras que se aproximam de mim, é ele. Mas olho de novo, e não é mais ele, é apenas um cara tentando se tornar importante e estou negando.
Ainda o espero. Ainda quero que ele veja que nem sempre foi ruim. Ainda penso que a qualquer dia ele chega, Mas tudo era tão intenso, e o tempo está passando, e eu estou passando junto. De todos os amores que eu já tive, esse foi o pior e o mais intenso. Esse conseguiu abalar todos que estavam em minha volta. Esse fez com que as pessoas sentissem dó. Parece que estou escrevendo algo errado, parece que já não quero me lembrar disso.
Talvez seja isso. Talvez agora eu sei como é se sentir uma mulher adulta. Talvez no fundo, virei adulta e não quero assumir isso. E a pior coisa é essa. Você sabe que está errada, e não quer assumir. Você sabe que no fundo, está errada. Você sabe que no fundo, é mera loucura. Mas algo quer me falar que é intuição, destino, futuro.
No fundo, tudo que eu quero é que a vida pare de jogar na minha cara que ele continua lindo, indiferente, e eu continuo estranha, sozinha e intensa. Só quero parar, cansei de correr em círculos. Há alguma coisa acontecendo por trás dessa história. Existe um motivo para isso. Mas não sei qual é.
Não há mais nada para ser esperado. Não tenho mais nada para planejar. Estico os braços, jogo meu cabelo para trás, minha coluna dá um leve estralo, fico normal de novo. É assim, depois de tudo que passei, foi isso que aconteceu, exatamente isso. Aconteceu? O que aconteceu? Não. Não aconteceu nada. Mais uma vez consegui me trapacear e esqueci que tinha um novo objetivo, que seria apaixonar. Mas todas às vezes, que resolvo dar uma nova chance para o amor, invento algumas desculpas, creio em falsas verdades, e tento escapar. Todas às vezes que eu resolvo me apaixonar, me lembro do maior amor que eu senti em toda minha vida. E isso é vida?
Olha, o Thiago está me olhando. Mas ele é galinha, é bombado de academia, e não me dá moral no msn. Ele me observa como se eu fosse um pedaço de carne em um açougue e ele um cachorro faminto. E isso não é nada Romântico, e eu tenho sonhado com ele. Seria sinal? Poderia ser. Isso não é amor, muito menos carinho.
Olha, o João querendo se aproximar de mim, puxou assunto do meu blog, diz que eu escrevo bem, e essa situação é a pior de todas, sei que ele vai querer fazer parte do meu texto, então, vai querer ter alguma coisa comigo. Esquece o João, ele é lindo, tem suas piadinhas, mas no fundo, só quer ser um personagem.
Olha, o Paulo. Ele é bonito, sorri de um jeito bonito, mas é arrogante. Esquece! Ele consegue me lembrar o menino dos meus sonhos. Não, se me apaixonar, ele conseguirá me fazer sofrer e eu não quero mais sofrer.
Percebe? Arrumamos desculpas para novas oportunidades, com medo de que a qualquer momento ele possa chegar e dizer que o amor não foi um erro. Que ele possa chegar e dizer que o amor não é tão dolorido como penso que é. Novas oportunidas conseguem chegar, mas o difícil é permanecer com essas oportunidades. Tudo bem, assumo, sou do contra. Se não querem, eu quero. Se ele não me quer, eu quero e muito. Mas e daí? Eu sinto amor do mesmo jeito.
Tentei ver aonde não tinha e mesmo assim, havia oportunidades nascendo, há oportunidades, mas não quero ir a luta e quebrar a cara de novo. Não quero tentar algo que já foi tentado milhares de vezes. E eu perco assim a esperança de querer ser melhor, de querer tentar ser alguém diferente e conseguir finalmente mudar a vida de alguém. Mas se eu consigo mudar, mudo para pior. Faço ela sofrer e reclamar. Não sei mais em que acreditar e muito menos, não sei o que falar. Para que acreditar na realidade se a mente te conforta?
Quero entender. Por que eu percebo que está ficando tarde demais? Está ficando tarde demais para escrever sobre faltas, amores e pedaços. Está ficando tarde, porque a vida está acontecendo do mesmo jeito. Estou parada, em frente a essa folha, mas sei que a vida está acontecendo. Vários casais se formando e terminando. Vários amores declarados. E alguém, pode estar pensando em mim. Mas quem? Não sei. Sim, há alguém, que talvez, pensa em mim todas as noites e eu não sei. Talvez,eu faço parte dos seus planos, talvez, sou a causadora de seus medos. Mas é uma oportunidade.
A grande oportunidade é sair por aquela porta, e te fechar para sempre. E aí, vão ter coragem de fechar alguém dentro de uma casa e nunca mais voltar?
Nada estava planejado e nada poderia planejar. Porque se fosse planejado, eu tentaria acabar com esses planos. Andei sonhando, sorrindo e até mesmo xingando, e acho que aos poucos, vou voltando ao normal. Mesmo com a dor, e solidão, no fundo, sou a mesma. Não espero um príncipe encantado, não quero dar nomes aos personagens, e também, não quero ser a personagem. Quero mostrar aos poucos, que essa dor não é uma farsa inventada para querer escrever. Não quero mostrar que tudo na vida é sofrimento. E assim, tento mostrar que a vida é desse tipo.
Eu o amo, mas não sei se é da mesma intensidade em que eu comecei a escrever. Eu o amo querendo saber se ele está bem. Não quero amar alguém e ter o espírito de prisão. Eu o amo, mas eu sei que talvez, ele nunca será meu, talvez, ele será meu apenas nessas poucas linhas que tento escrever. Mas tenho a noção que sou dramática, e que talvez, é apenas isso. Depois, que ele foi embora...Nada ficou no lugar.
A impressão é que eu ando, corro, atravesso ruas, e que, continuo parada no mesmo lugar de sempre. Impressão que continuo dormindo, e que a qualquer hora vou acordar e você estará na minha frente, e sorrindo. Eu sei, eu te vi sorrir apenas uma vez, e mesmo assim, foi um sorriso de lado, meio tímido, meio menino, um tanto quanto encantador, que não consegui esquecer.
