Jornaleiro
Eu ja não vejo brilho, uma vida coberta na escuridão vazia. Caminho perdido por ela. Esbarrando em pessoas, esbarrando em bons momentos, mas acabo não os reconhecendo. Esta muito escuro e não posso lembrar de suas doces características.
O que devo fazer? Perder me em uma maldita vida sem razão ou motivo, ou me entregar aos devaneios fugazes? A duvida é uma roleta russa, ela pode ter ou não a bala que tornara sua mente o caos do fim.
Eu não preciso, mas eu a desejo como se minha vida existisse por isso. Eu ja não a sinto, mas sua falta é tão profunda quanto o mar. Eu me entrego a ela, mas sou jogado de lado como um brinquedo. Busco conexão, mas a humana esta perdida.
Vi ela em um sonho esquisito, se o esquesito for uma forma de beleza e paz. Contei a ela historias que ja foram perdidas, ela sorriu e as ouviu, e disse palavras graciosas. Como posso esquecer esse sonho? Não imagino viver de outra forma.
Eu me sinto perdido mais um dia, sobre essas sensações confusas e discordantes. Em meu corpo há uma luta eterna entre o ódio e o amor, ódio a todos que me rejeitaram, e amor ao que poderíamos ter tido. Amizades profundas ou até mesmo amores intensos. Como calibrar esses lados e conseguir viver sem tamanha angústia em meu peito. Sinto-me tão ferido, certos momentos é difícil falar ou focar na realidade. Penso como posso me manter caminhando se a cada vez que há uma pedra eu a vejo e sinto ela, tocando tua forma, vejo seus entalhes, passo dias fitando-a. Não é só uma pedra, é uma antiga montanha, ela se forma tão grande e cheia de significados, como ver ela como uma simples pedra e pular sobre ela? Só de imaginar ter que dar um passo sobre tal pedra minhas pernas perdem a força. Não é uma pedra, ela é a pedra angular que sustenta o muro. E por alguma razão me tornei o muro que ela sustenta.
