Isabel Morais Ribeiro Fonseca
Sou dona do meu próprio destino
Por isso não me ponham coleira
Não me ditem regras
Não me imponham limites
Não me digam o que fazer
O dia que isso acontecer eu já estarei morta
Com toda a certeza
Somos livres do nosso destino
Os poetas tem alma nos olhos
No coração os dedos
Porque escrever é só para alguns
Que escrevem com o sentimento puro
Num total encantamento
Um filho é um poema
É uma primavera a florescer
Todas as manhãs
A perfumar todos os dias
Um verão das mais belas poesias
E um luar que renova os meus sonhos.
Ser mãe é dar sem receber
Não se cansa, nem se esgota
É um amor gigante plantado
Que cresce e se alimenta
No meu coração, no teu meu filho.
E agora que faço
Se o meu corpo nada tem haver com a minha mente
E agora que faço
Se quero viver no presente e não no passado
E agora que faço
Se quero amar e desejo ser amada
E agora que faço
MIL
Dentro de mim há
Mil viagens por fazer
Mil flores por colher
Mil árvores por plantar
Mil livros por ler
Mil poemas por escrever
Mil amores por amar
Mil noites por dançar
Mil sonhos por realizar
Mil pratos por cozinhar
Mil beijos por dar
Mil dores por esquecer
Mil folhas por cair
Mil primaveras por perfumar
Mil caminhos por percorrer
Mil abraços por dar
Mil mágoas por esquecer
Há sem dúvida mil coisas para viver.
PORTUGAL
Ó amada esta minha pátria
Que nela tive a sorte de ter nascido
Que me prende a alma
Que me amarra o coração
Ó nação valente, imortal
Que és roubada , maltratada
O vento lusitano de mar a mar
Que vives uma fúria sem alcançar
O céu por inquietação
Malditos os que te roubam, são tantos
Que o povo já passa tantos tormentos
Ó terra lusitana que tanto amo
Bela de norte a sul
Amaldiçoo quem te maltrata
Quem te desfigura selvaticamente
Meu cantinho à beira mar
Meu querido amado Portugal
SOMBRA
Sombra que alberga os mortos
Que sozinhos se encontram
Nas páginas escritas do velho livro
Nos sonhos que enfeitam os vivos
Pedras geladas de tantos tormentos
Delirios do mar por se encontrar em terra
Nos cravos perfumados de rosas
A minha alma é um cadáver
Onde pesa-me a dor que sinto no peito
Na lama onde me deito nu
Com as saudades de quem quer estar vivo
Pedras, lama, barro, sombra perfumada
Num belo sonho dos mortos
Sombra perdida deste mundo
Porque dos vivos nada sei nem quero saber.
Quando eu partir colhe-me em flor
Pois sou uma pétala na tua janela
Que mesmo morta perfuma a tua alma.
VIAJO
Viajo por os versos que faço de ti
Nas letras coloridas de amor
Folhas soltas de paixão
Dançadas pelo tango
Que ouvimos lá fora
Mas será que tu ainda moras aqui
Releio de novo todos os versos
E vejo que ainda moras no meu peito
Nas folhas escritas de tantas palavras
Escondidas na gaveta misturadas de amor
De loucos abraços, abrasadores desejos teus
Deste amor que sentimos ainda
Na viagem feita num tango de versos teus.
DISPO
Dispo a alma do corpo
Visto-me num sonho
Mergulho na solidão
Entre as gotas de felicidade
Das lágrimas caídas
Sentimentos das emoções
Que nasceram vazias
Morrem de tantas sensações
Nas palavras escritas
De tantos amores
Esquecidos, perdidos
Nos sonhos inventados
Por caminhos desconhecidos
Que nos levam a viajar
Pelos caminhos do amor.
Todos os dias
O inferno cobiça a minha alma
Há dias que a luta é feroz
Mas tenho muita fé
E força para vencer esta batalha
QUERO ESPICAÇAR
Quero espicaçar os teus sentidos
Levar-te ao limite
Fazer-te estremecer de desejo
Por ti rasgo as dores do corpo
A tua pele é a minha pele
Assim te desnudas diante de mim
A luz da janela escurece o quarto
Como se essa luz fosse o luar
A tua língua ruge como se tivesse asas
Sem te ter tocado abraço-te
Respira, geme baixinho como me desejas
Ama-me, deixa-me observar-te como gosto
Ama cada milimetro do meu corpo
Até encontrares o que te mata a sede
E a fome que tanto desejaste
Para nos perdemos nos braços um do outro.
TALVEZ
Talvez eu seja uma poesia
Ou um verso esquecido
E agora que vou fazer
Se a minha idade já não combina
Com o meu coração
Se quero voar de sorrisos
E os meus cabelos brancos
Continuam a nascer
Como flores que brotam na alma
O que eu vou fazer agora
Já sei talvez escreva um livro
De contos de fadas
Talvez dance um tango
Ou ainda ria com alegria
Para deixar que o inverno venha
Com amor e conforto no meu coração.
