Isabel Morais Ribeiro Fonseca
DESENHO O MAR NO TETO
Há noite desenho o mar no teto da alcofa
E o meu corpo é rasgado pelas andorinhas
Recomeço das cinzas estes versos do mar
Florescendo girassóis tardios do tempo
Na esperança despida do cordão da alma
Entro em ti como se entrasse no mar
Temporal das ondas num sonho antigo
Rompendo a memória sobre as águas
Desta flor de zelo em que me encontro
Feitas em palavras ternas de furor
Que vou inventando para ti amor
E o silêncio do mar desfaz-se em espiral
Como um fio desenhado no teto do nosso quarto.
Nossa Senhora, Virgem Mãe
Sussurra aos meus ouvidos
Canções de amor e felicidade
Numa sinfonia angelical
Embalando o meu sono
Virgem mãe, Santíssima
Protege as nossas decisões
Dai-nos coragem de escolher
O caminho da fé e da oração
Nossa Senhora dona de mim
Protege as nossas dúvidas
Que possamos
Através da oração
Partilhar um pouco
Do amor que recebemos
Amor amo-te no meu silêncio
nem as flores do meu jardim sabem
Quem diria que o perfume das rosas seria
O meu destino até ti.
Amor amo-te no meu silêncio
Só o meu silêncio que corta as dores
Da minha alma, só eu sei
Que ninguém sabe que existem.
Nossa Senhora, Mãe divina
Ampara todos os doentes
Dá a vida eterna aos mortos
Vitimas desta Pandemia
Que rodeia o mundo
Amém
DESENCANTO
Pois é...
O encanto que virou desencanto
As leituras feitas
Que não deixam saudade
A sua maldade que virou pena
De quem vive em desalento
De tanto tormento
Neste mundo de quem vive
Caindo no desencanto
Pobre coitado
Não passa de um amaldiçoado
Sem o seu próprio encanto
Não lhe desejo mal
Pois tem o coração remendado
Desencanto existe, eu desencantei-me
Pela mera arrogância disfarçada
De tanta maldade em forma de pessoa e papel.
