Jerônimo Bento de Santana Neto
A Revolução Industrial acabou com a escravização para criar consumidores assalariados; a Revolução Neoliberal incorporou grupos identitários para criar novos nichos de mercado — muda o cenário, mas o calvário permanece inalterado; são mudanças superficiais, jamais estruturais.
Lutemos com senso crítico para encontrar o verdadeiro inimigo que nos mantém divididos.
Não há sentido em formar ressentidos dentro do nosso círculo.
Sem filtro, transformamos amigos em inimigos — e inimigos em amigos.
Em nosso rol de amizades convivem opostos — bolsonaristas e lulistas; no entanto, exigimos das celebridades coerência absoluta.
Assim somos nós!
Nos grupos de WhatsApp, ninguém está totalmente off-line: apenas praticam a seletividade para interagir com quem lhes convém.
Assim somos nós!
No Brasil, a mobilidade intrageracional é tão restrita que uma vida inteira não basta para mudar de lugar.
Onde há muito subjetivismo, a ordem vira aparência: cumpre-se o ritual da norma, mas o resultado depende do humor, da interpretação e de quem decide, abrindo espaço para o favorecimento em detrimento da regra.
Cena digital
Nas redes sociais, a integridade perde o seu valor. Corpos não se encontram mais; a libido se desfaz, o amor pelos likes nos satisfaz.
Há ideias que dão status a quem as defende — palavras ao vento para quem tem vida remediada e vive distante da realidade dos menos favorecidos.
