Jerônimo Bento de Santana Neto
26 -
50 do total de 57 pensamentos de Jerônimo Bento de Santana Neto
Na fome, a autenticidade vira luxo.
O mundo é aleatório, violento e muitas vezes sem sentido.
A vida não é cinematográfica. Ela é caótica.
E você é o improvável protagonista.
Há quem viva de autópsia moral: abre os defeitos dos outros para não dissecar os próprios.
Há quem viva de apontar erros: é a forma mais rasa de sentir superioridade.
Tendemos a notar falhas, não virtudes; o que incomoda prende, o que encanta escapa.
A convivência desnuda o que a distância oculta; por isso, julgamos mais os que vemos de perto.
Quanto mais perto, mais visíveis os defeitos; quanto mais longe, mais visíveis as virtudes.
O cérebro se prende ao que ameaça; o que acalma passa despercebido.
Somos moldados para notar o perigo antes da beleza.
Nossa espécie se adaptou para temer, não para admirar.
Na hipervigilância, até o gesto espontâneo pede permissão.
O teatro de horrores pós-moderno não é para amadores.
As cotas nasceram para reparar, não para separar.
Inimigo em comum une mais que amigo em comum.
Nascer para si é despedir-se do outro em si.
Antes, os amigos acolhiam nossas angústias e frustrações; hoje, no segundo encontro, já indicam terapia.
Para o mercado, é mais lucrativo patologizar a "turma do fundão" do que investir na educação.
Basta deixar de atender aos anseios para passar de amigo a bandido.
A autoridade dos pais não repousa apenas nos exemplos; eventuais incoerências não lhes retiram o poder familiar.
O paradoxo de viver sem pausas, mesmo tendo aplicativos que otimizam e liberam nosso tempo.
Embora busquemos a felicidade, parece haver uma atração pela calamidade.
A privatização dos campos de várzea rouba a infância na periferia — cobra-se ingresso para ser criança.
A tentativa de alocar a subjetividade humana em siglas visa incluir ou ampliar as prateleiras do mercado consumista?
Lugar de fala não é salvo-conduto: pode revelar tudo, ou não acrescentar nada.
Sucesso: brilho que afasta. Fracasso: traço que aproxima.
O oprimido afaga nossa vaidade; o privilegiado desperta nossa ira.
Presenciamos uma tirania da felicidade, onde a introspecção é censurada e a tristeza, ridicularizada.