Freitas Júnior - Poeta
TANKA 001
Ah como te sonho!
Como te cobiço em mim!
És minha alegria,
prazer e melancolia,
no calor do pôr-de-mim!
TANKA 002
Na alvíssima luz
de um pensamento sucinto,
um som irreal:
o som deste coração
que segreda em silêncio.
TANKA 003
Folhas espalhadas
dançam soltas no terreiro
numa tarde fria.
E o céu se fecha em silêncio
Na alma dessa poesia
TANKA 004
Solidão da noite —
o vento nordeste sopra
a porta fechada
enquanto os meus pensamentos
transportam-me à minha amada.
TANKA 005
Os raios de sol
acariciam a pele
do meu bem-querer,
sem querer, me fazem ver,
o quanto és bela pra mim!
TANKA 006
Oh suave olhar!
Na estrada do impossível,
Esse meu desejo:
Sentir os teus lindos lábios,
Nesse poético enredo.
TANKA 007
Alvíssima flor,
das quimeras emergentes!
és da paixão o sumo,
que explana o amor poético,
na flama, desse amor uno.
TANKA 008
Em um céu cinzento
uma garça rompe o frio
e segue o seu rumo.
O vento sopra teu nome
Em meu silêncio profundo.
TANKA 009
Tempo que não volta —
desenha no fim do dia
minha prisão muda.
Nos contratempos da vida,
as recordações me ajudam.
ABERTURA
Este é o livro do amor
Do mesmo amor que arde em nosso peito...
Abre-lhe as suas páginas divinas
e sinta o mesmo ardor do qual ele foi feito,
Como lírios em sonhos que provêm do nosso leito!
Livro de mais ninguém!
Somente do amor eleito
Perene em cada estação
E docemente perfeito!
DETALHES
Seus cabelos aloirados,
Ao sol, sempre dourados…
Lembram o trigo
Em seco prado,
Perfumado eagitado
Pelo vento em meu jardim!
Como o cheiro do amor
Que novamente se eternizou
Aqui, dentro de mim!
LEITO DA FELICIDADE
O espelho reflete meu apreço
Na vereda da mocidade!
Pois sem seu amor nada sou
E a morte a mim invade,
Ceifando o meu sorriso
E provocando gemidosno crivo da saudade,
Que te venera sem segredos
Pois com você eu sou inteiro
No leito da felicidade!
Ser sábio não é acumular respostas,
mas reconhecer limites e caminhar dentro deles.
O vento me atravessa sem pedir licença,
a terra me sustenta sem exigir mérito,
e nisso há uma lição contínua,
pois a humildade é consentir em ser conduzido,
sem máscaras, sem defesa.
E assim sigo leve, porque, ao aceitar quem sou,
a luz encontra uma passagem natural
e não precisa disputar espaço para me alcançar
Renascer se assemelha menos à vitória
e mais à humildade.
Não se trata de apagar a decepção,
mas de colocá-la no lugar certo,
sem deixá-la guiar meus passos.
Quando consinto em permanecer pequeno,
sem exigir garantias,
algo novosempre se reorganiza em mim.
Desagradar é muitas vezes um ato de coragem,
Pois implica escolher o que é justo
Em vez do que é cômodo!
A espiritualidade nos ensina a ouvir a voz interior,
Que não está focada em aplausos,
E sim na harmonia entre o que somos
E o que fazemos.
Pois quem vive em sintonia com essa verdade
Não apenas cresce, mas inspira os outros
A também seguirem a sua própria luz.
As decepções na vida chegam quando menos espero,
e acabam me tirando o chão onde um dia me firmei.
o ser humano falha e fere sem licença,
enquanto o coração ferido tenta ajustar a conta, explicar o erro e exigir reparo.
Mas a justiça oriunda da fé
não nasce do acerto imediato,
nasce de não me trair no meio da dor.
Ser justo, nessas horas amargas,
é não permitir que a mágoa dite minha conduta.
Recomeçar sempre deve ser visto
como um ato de responsabilidade,
e nunca como uma promessa vã de mudança.
A vida sempre se renova
quando usamos sabedoria em nossas escolhas
e a esperança cresce pelo crivo da disciplina.
Pois quem retorna ao caminho
com a consciência do erro cometido
Já não repete o passado,
mas caminha com maior firmezadiante do Criador.
Viverei a chama que arde
No despontar da esperança,
E velarei o divino amor
No esplendor da aliança!
Que queime com intensa porfia
Enquanto a vida avança!
E viverei a chama que arde
No despontar da esperança!
Ao calor dessa bonança,
Desfrutarei o fim da tarde
Com a serena chama
Que outra vez me invade;
E no despontar da esperança,
Viverei a chama que arde!
Por sua divina ternura,
O amor renasceu
Da forma mais pura
Que em mim resplandeceu!
E nesse tempo abrasador,
A minh’áurea te escolheu!
